Espera-se que Temer e Meirelles demitam imediatamente o ministro do Planejamento

Meirelles nomeou Dyogo, que operava a “venda” de MPs pelo PT

Carlos Newton

A nova delação de executivos da Odebrecht, revelada pelo repórter Thiago Herdy na edição de domingo de O Globo, mostra que a empreiteira pagou propinas de R$ 100 milhões ao PT, negociadas diretamente por Guido Mantega, ministro da Fazenda dos governos de Lula e Dilma. Ao mesmo tempo, a reportagem traz novamente a debate um dos maiores mistérios do governo de Michel Temer – a manutenção do economista Dyogo Henrique de Oliveira no primeiro escalão da República.

A GRANDE SURPRESA – Como se sabe, praticamente toda equipe econômica, incluindo Banco Central e Secretaria do Tesouro, foi nomeada por Henrique Meirelles, que funciona como uma espécie de primeiro-ministro econômico. A única exceção foi Romero Jucá no Planejamento, que Temer indicou pessoalmente. E a grande surpresa foi Meirelles ter nomeado Dyogo Oliveira para a Secretaria-Executiva do Planejamento, não somente por se tratar de destacado integrante das equipes econômicas de Lula e Dilma, mas também por ainda estar sob investigação na Operação Zelotes, que apura compra e venda de medidas provisórias para favorecer setores empresariais.

Foi inacreditável esta decisão de Meirelles, que Temer aceitou, por se tratar de um servidor de carreira. E o fato concreto é que, com a demissão de Jucá, Dyogo Oliveira acabou confirmado como ministro do Planejamento.

COMPROVAÇÃO – E agora, a decepção, a vergonha e o arrependimento de Meirelles e Temer, diante da comprovação de que nomearam para o Ministério do Planejamento justamente o economista petista que atuava como operador do esquema de compra e venda de medidas provisórias, vejam a esculhambação que caracteriza a política brasileira no mais importante escalão da República.

Uma mensagem por e-mail enviada a Marcelo Odebrecht pelo diretor jurídico da empreiteira, Maurício Ferro, mostra que era mesmo Dyogo quem conduzia a operação e na ocasião estava até enfrentando resistências da Receita Federal. “Será importante você ter a reunião com GM (Guido Mantega) amanhã depois da PR (presidente Dilma Rousseff). Receita continua criando dificuldades e Dyogo precisará do apoio do ministro”, sugeriu o diretor Ferro a Marcelo Odebrecht.

CITADO PELO LOBISTA – Ao depor na Operação Zelotes, Dyogo alegou que cuidava do setor industrial no Ministério Fazenda e, por isso, teve reuniões com representantes de empresas, inclusive automotivas. Disse não se recordar, mas, que, numa dessas reuniões, o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, que viria a ser condenado na Zelotes, deve ter participado.

Dyogo é citado em anotações do lobista, que costumava registrar dados sobre a negociação das normas. Num dos trechos, APS escreveu “Diogo/José Ricardo”, seguido de “Secretaria de Política Econômica” e “SPE”. Em outro documento, de 2011, a Marcondes e Mautoni Empreendimentos, empresa que atuou na compra das MPs, também registra uma reunião com Dyogo entre 28 e 31 de março. O sócio da Marcondes, o lobista Mauro Marcondes, e APS estão presos e já foram denunciados por envolvimento no esquema. Marcondes também é investigado pelo repasse de R$ 2,5 milhões à uma empresa de Luís Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, no mesmo período da edição de MPs de interesse do setor automotivo.

FALTA DE ÉTICA – Nas alegações finais apresentadas no fim de março, o Ministério Público Federal criticou a conduta do atual ministro de Temer. “O que chamou a atenção no depoimento de Dyogo Henrique é o fato dele não saber quantas vezes se encontrou com Mauro Marcondes nem explicar porque não existe registro ou ata destas reuniões. A ausência de registro das reuniões com o lobista Marcondes viola o Código de Ética da Alta Administração Federal, a qual Dyogo estava vinculado na época dos fatos“, assinalou a Procuradoria.

As investigações da Procuradoria e da Polícia Federal ainda estão em andamento, para apurar a participação de Dyogo Oliveira,  Erenice Alves Guerra, Nelson Machado, Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, Helder Silva Chaves, Ivan João Guimarães Ramalho e Miguel Jorge Filho, entre outros.

ESTES SÃO OS FATOS – Aguarda-se agora a decisão conjunta do presidente Temer e do ministro Meirelles. Se Dyogo Oliveira for mantido como ministro do Planejamento, será sinal de que nada mudou no governo, em matéria de corrupção. Se ele for demitido, ainda resta um fio de esperança de um Brasil mais limpo.

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