Esporte de alto rendimento começa na escola

Marcelo Queiroz

A Olimpíada vem aí. Iniciativas do governo federal para qualificar a oferta de atividade física regular oferecida aos estudantes brasileiros, como o Programa Mais Educação – que amplia tempos e espaços educativos por meio da integração de atividades nas diversas áreas do conhecimento – constituem um passo significativo à implantação de uma política esportiva nas escolas do país.

Além da melhoria geral no desenvolvimento humano dos nossos pequenos cidadãos, no longo prazo, ações como essas serão responsáveis pelo surgimento de uma nova geração  de desportistas  oriundos dos mais remotos cantos do Brasil. Mas é importante ressaltar a necessidade urgente de se ampliar a oferta de espaços de desenvolvimento de atletas em condições de disputar grandes eventos, como a Olimpíada e os Jogos Pan-Americanos, baseando-se em uma política sustentável de formação de talentos.

O incremento anual da quantidade de empresas que investem no esporte através da Lei de Incentivo ao Esporte, em vigor desde 2007, demonstra que iniciativa privada e poder público, juntos, têm capacidade de promover políticas de fomento de forma articulada e eficaz.

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De acordo com o Portal do Ministério do Esporte, em 2011, 1.503 empresas investiram no esporte, por meio da lei, mais que o dobro de 2009 (645). Os números provam que cada vez mais empresas e entidades descobrem os benefícios de associar suas marcas a projetos dessa área. Porém, é necessário ir além e seguir modelos bem sucedidos como, por exemplo, o de incentivo ao esporte universitário, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

Nos Estados Unidos, a National Collegiate Athletic Association (NCAA) coordena o esporte universitário e reúne aproximadamente 800 universidades de todo o país. Em 2010, segundo a NCAA, as filiadas disputaram um total de 23 modalidades em 88 campeonatos locais. São números superlativos para competições que envolvem atletas amadores, mas com capacitação técnica que nada deixa a desejar aos profissionais. O sucesso desses eventos é fator direto dos investimentos das universidades na formação de estudantes-atletas.

Incentivar políticas desportivas nas escolas e universidades será um importante passo para dar continuidade aos projetos já existentes no Brasil, voltados para estudantes dos ensinos fundamental e médio, e proporcionará aos alunos-atletas a integração  de atividades acadêmicas e físicas em todo o ciclo de formação educativa. Uma das formas de fomentar essa atividade é propor uma  Lei de Incentivo ao Esporte Educacional nos municípios, prevendo a destinação de um percentual da  arrecadação do Imposto Sobre Serviço (ISS) para projetos desenvolvidos pelas escolas e pelas Associações Atléticas Acadêmicas Universitárias, conhecidas como Atléticas (AAA).

A integração da iniciativa privada com o poder público precisa de mais ferramentas eficientes que possibilitem o pleno desenvolvimento do potencial esportivo do País e, tanto quanto o legado de infraestrutura, o legado humano deve ser priorizado para que todas as possibilidades de crescimento criadas com os grandes eventos esportivos que se aproximam sejam aproveitadas.

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