Esquecer os partidos

Carlos Chagas

Da múltipla entrevista de Dilma Rousseff, sexta-feira, pouca gente se deu conta de sua referência à postura que devem adotar ministros indicados pelos partidos: esquecer os partidos. Dedicar-se integralmente ao governo. Foi isso que não aconteceu em 2011, quando a maioria dos ministérios entregues aos partidos transformou-se ou continuou feudo dos próprios.

No ministério dos Transportes, por exemplo, dirigentes do PR despachavam no andar do ministro, sem dispor de cargo algum. Com o PDT foi a mesma coisa no Trabalho, sem esquecer o PMDB na Agricultura e no Turismo. Outras capitanias hereditárias existem em pastas que não foram mexidas. Conseguirá a presidente sucesso nessa operação de desmonte?

Para começar, deveria mudar os titulares dos ministérios partidários, claro que conservando ministros que já vinham se dedicando ao governo. Como a presidente, para complicar, desmentiu a reforma prevista para janeiro, fica a dúvida.

Irá limitar-se a substituir Fernando Haddad, na Educação, por conta de sua candidatura a prefeito de São Paulo? Mas como fica o Trabalho, ocupado interinamente pelo PDT, depois da queda de Carlos Lupi? Como agora é Natal e depois virão curtas férias de Dilma, certamente também de sua equipe, resta esperar que janeiro passe rápido.

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PT SEM IDEOLOGIA

Com oito anos do Lula e um da Dilma, foram indo embora os ideólogos do PT, ou quase todos. Os que porventura permanecem andam encolhidos, atropelados pela mutação causada no partido pela participação no poder. Os companheiros perderam a ideologia. Hoje, preocupam-se com o assistencialismo, na metade boa, e na outra nem tão boa assim, com a conquista do Estado através da ocupação de cargos públicos. Sem esquecer o domínio de entidades privadas ligadas a eles, sempre atrás de recursos governamentais.

A gente pergunta se essa descaracterização do PT provocará efeitos na eleição de 2014, menos a presidencial, personalista, mais a parlamentar. O partido, hoje, dispõe da maior bancada na Câmara dos Deputados.

Caso consiga manter a prevalência, porém, não será em função de suas características ideológicas, mas porque os adversários também carecem desse produto hoje em falta nas prateleiras da política nacional.

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