Esquema da corrupção nos Ministérios do Turismo, Esporte e Trabalho era exatamente o mesmo, via ONGs.

Carlos Newton

Os “modernismos administrativos” têm custado caro ao contribuinte brasileiro. Terceirização e organizações não-governamentais são duas invenções geniais, criadas sob medida para subtrair recursos públicos. Esta realidade é tão flagrante que nem comporta discussão. Já existe consenso a esse respeito. O que falta é vontade política para tomar providências e terminar com essa farra do boi.

Nos ministérios do Turismo, do Esporte e do Trabalho, o esquema era absolutamente o mesmo, atribuindo às ONGs a responsabilidade de tarefas a serem desincumbidas pelos próprios ministérios, para faturar em cima. No Turismo, a desculpa era formar guias turísticos e outros profissionais para trabalhar na Copa e na Olimpíada. No Esporte, incentivar os jovens à prática das diferentes modalidades esportivas, para o Brasil fazer bonito na Olimpíada. E no Trabalho, criar cursos de capacitação para abrir empregos para os jovens.

No papel, tudo muito bonito. Mas na prática… Basta dizer que um dos convênios milionários celebrados pelo Ministério do Trabalho com uma ONG tinha como objetivo a capacitação de motoboys. À época, perguntamos aqui no Blog como se fazia essa capacitação. Todos sabem que, para trabalhar, os motoboys precisam de apenas um predicado: saber dirigir motocicleta e serem habilitados para tal. E seu trabalho consiste em apenas conduzir pessoas na garupa ou entregar pequenas encomendas. Apenas isso, nada mais do que isso. Então, quais eram as aulas ministradas aos motoboys?

Vejamos o caso específico de Sergipe. Após as denúncias de fraudes envolvendo contratos com ONGs junto ao Ministério do Trabalho naquele Estado, o delegado federal responsável pelas investigações, Nilton Cézar Ribeiro Santos, ampliou o número de inquéritos – agora são 24, ao invés de 20. E já fez 30 indiciados, e não 20, como dissera anteriormente. Mas ele não comenta as investigações, alegando que o caso agora está sob segredo de Justiça.

“As fraudes de entidades financiadas com recursos do Ministério do Trabalho obedecem ao mesmo modelo dos malfeitos do Turismo e do Esporte. É como se, de repente, todos resolvessem seguir a mesma cartilha de desvios, sem despertar suspeitas das áreas de fiscalização” – limitou-se a explicar o delegado.

Em Sergipe, o responsável pela ONG Capacitar, uma das que estão sob investigação da superintendência da Polícia Federal, Marcírio Martins Pereira, afirmou não ter nada a declarar. “Já falei o que tinha que falar para as autoridades. Isso é notícia velha. E até logo porque estou numa reunião” – justificou.

Apenas três ONGs com sede em Sergipe receberam juntas mais de R$ 8 milhões dos R$ 11,7 milhões combinados com o Ministério para qualificar garçons, operários, camareiras e outros profissionais. Uma das ONGs, a ATNE, não existe oficialmente há mais de oito meses, quando a Controladoria-Geral da União determinou a suspensão de repasses.

O então procurador da ATNE, José Luiz Rodrigues, disse que recebeu em 2008 “mais ou menos R$ 1 milhão” para ministrar cursos na área de turismo em Fortaleza e Alagoas. Ele assinalou não se lembrar quanto recebeu em 2009 para ministrar os cursos no ano passado, em Alagoas e Aracaju, vejam só que súbito e estratégico ataque de amnésia.

Do jeito que as coisas estão indo, a farra das ONGs pode estar com seus dias contados. Mas quanto à terceirização, podemos esperar sentados. É um monstro, uma espécie de Bebê de Rosemary que cresce assustadoramente no ventre do serviço público brasileiro.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *