Esse julgamento do mensalão levou mais de um ano, por culpa exclusiva do próprio Supremo. Com orçamento de 560 milhões anuais, esqueceu seus deveres e obrigações, e mais grave ainda, abriu mão de seu Poder e de toda a autoridade, decidindo não decidir (“é proibido proibir”), com 9 ministros presentes e aptos a julgar.

Os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandovski durante sessão do STF Foto: André Coelho / Agência O Globo

Helio Fernandes

Rasgaram e não respeitaram o regimento interno, que determina que “com 8 ministros no plenário, tem que haver julgamento”. Sempre existiram esses 9 ministros, por que esperar meses para introduzir no julgamento dois personagens de votos tarifados?

Não em espécie, mesmo que eles mesmos digam com arrogância e egolatria: “Voto com a minha consciência e a minha convicção, o que vai sair no jornal no dia seguinte não me interessa”.

SILÊNCIO DE IRRITAÇÃO

Joaquim Barbosa abriu a sessão, sem um palavra, num silêncio de irritação, de preocupação, consciente da importância e da repercussão sobre tudo o que aconteceria a partir do voto-chave, base incógnita, mas decisiva e definitiva da ministra Carmem Lúcia, uma das duas mulheres que ficou no tribunal, os outros são todos homens.

CARMEN LÚCIA

A expectativa a respeito do seu voto, importante para o julgamento, importantíssimo para o país, para a elite, a antiga classe média, o que hoje chamam de “nova classe média, C e D”.

No momento em que escrevo esta palavra, são 2h40m. A ministra vai desenrolando o voto, ainda não falou “data vênia”, vai criando suspense, como todos.

Se Carmem Lúcia votar a FAVOR da validade dos INFRINGENTES, acaba tudo. Somando o voto de Lewandowski, não pressentido, mas garantido a FAVOR dos embargos, ficará 6 a 5, os três ministros mais antigos, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello, votarão apenas para o placar, não pode haver mudança.

Enquanto ela vai tentando se encontrar ou se desenrolar, eu avanço em considerações de possibilidades. Admitamos que ela diga que os infringentes não estão em vigor? Então tudo dependerá do voto de Celso de Mello. O voto de Gilmar é conhecidíssimo e o de Marco Aurélio, que era duvidoso, foi desvendado por ele mesmo, como revelei ontem.

23 MINUTOS DE CARMEM LÚCIA

Exatamente nesse momento Carmem Lúcia termina, com um aparte de Marco Aurélio e as palavras: “Considero que os infringentes não podem ser utilizados, meu voto é contra, senhor presidente”.

Joaquim Barbosa abre um sorriso. Carmem Lúcia faz um gesto a Marco Aurélio, este agradece, é que os votos deles contra os infringentes são coincidentes.

Como o julgamento (nem o mundo brasileiro) não terminou por causa de Carmem Lúcia, o revisor iniciou seu voto, antecipando, “vou ler 40 laudas”. Mas ainda há vida no plenário, nas ruas, nas casas, na Câmara, Senado, Planalto, no Brasil inteiro. O final deste julgamento movimentará multidões, para um lado ou para outro.

25 MINUTOS DE LEWANDOWSKI

Exatamente às 3h15m desvenda seu voto já desvendado há meses, afirma: “Os embargos infringentes são recursos dos réus que o Supremo não pode revogar”. 5 a 3 a FAVOR de um novo julgamento, com toda a contrariedade, confusão e discordância que aconteceriam.

Só que, ao contrário de Carmem Lúcia, Lewandowski é apenas mais um voto. O que ficou claro, acabou logo depois.

GILMAR MENDES

Outro voto paliativo, válido apenas para a contagem. Assim que ele terminar, quaisquer que sejam os fundamentos, o resultado estará em 5 a 4, facílimo para empatar no próximo voto.

Gilmar insiste no que todos já sabem ou perceberam: “Votar e aceitar os infringentes significa apenas prolongar o julgamento”.

Podia terminar aí, continuou. Falou mais 32 minutos, arrebatado, veemente, quase gritando, com quem? Seu voto é talvez uma consagração do Apóstolo Paulo, “lutei sempre o bom combate”.

Coisa rara em Gilmar, mas desta vez, pelo menos altaneira, conclusiva, não diletante, embora verbalmente inclemente e autossuficiente.

Depois de Gilmar Mendes que levou 10 minutos votando e 40 bebendo água, se exibindo (é a Era da Televisão), Joaquim Barbosa levantou a sessão, com menos de duas horas de trabalho.

Alguns pareciam mais sequiosos do lanche do que interessados num lance de julgamento. Mas depois de ouvir Gilmar Mendes, que não parecia um ministro votando e sim um inexpressivo estagiário de Reportagem, os ministros mereciam o descanso.

MARCO AURÉLIO MELLO

Às 5h35 Joaquim deu a palavra a ele. Voto esperadíssimo, sempre afirmativo e polêmico. Mas o que ninguém esperava era o Marco Aurélio analista e sim o jurista. Foi alinhando os votos dos antecessores, mostrando como começou a votação e como estava, citando um por um, desperdício de tempo.

Quando voltou ao plenário, garantiu que o Supremo é “orgânico e coletivo”. Exagero verbal. O Supremo não é estético, não é cirúrgico, não é energético, é quase sempre anestésico, como no caso de Gilmar Mendes.

Com 10 minutos foi se definindo, “em ação criminal, o Supremo não age como órgão revisor”. Depois do aparte de ontem e a afirmação de hoje, já se pode considerar a questão empatada em 5 a 5. Mas temos que esperar.

Ontem, Marco Aurélio antecipou seu voto, dizendo, “O Regimento interno que aceita embargos infringentes não pode ser levado a sério”. Hoje, às 6 horas em ponto, confirmou: “As normas do Regimento interno estão congeladas”. Não precisava mais.

E fulminou qualquer dúvida: “O Tribunal esta a um passo, melhor, a um voto do ministro Celso de Mello. Este agradeceu, mas ainda não era a sua vez. Só passaria a ser às 6h35m, quando Marco Aurélio terminou, com uma frase: “meu voto não incomoda ninguém, só os acusados”. Usou da palavra exatamente por 60 minutos.

CELSO DE MELLO

Pelo adiantado da hora, disse o presidente, “votará depois”. Não disse quando. Então, mais um adiamento. Mas agora, todos sabendo que o 5 a 5 é meramente transitório.

São 18 horas e 40 minutos, fiquei o dia todo trabalhando (não fiz outra coisa o dia inteiro), encerro. Só lamento não poder fazer um libelo dirigido ao Supremo. O próprio chamado maior tribunal se flagelou diante do público. Fez o Brasil regredir a 1910. É o Supremo mais “chibatado” pela opinião pública do que o bravo Almirante Negro.

Choro pela amnésia do Supremo. Mas principalmente lamento a perda da memória, e até mesmo da autofagia. Individual e coletiva.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

19 thoughts on “Esse julgamento do mensalão levou mais de um ano, por culpa exclusiva do próprio Supremo. Com orçamento de 560 milhões anuais, esqueceu seus deveres e obrigações, e mais grave ainda, abriu mão de seu Poder e de toda a autoridade, decidindo não decidir (“é proibido proibir”), com 9 ministros presentes e aptos a julgar.

  1. Prezado Hélio:

    Se, ao fim e ao cabo, e pela porta estreita _como está_, triunfarem a honradez e a decência, já poderemos respirar um pouco mais aliviados. Adorei o modo ladino como Marco Aurélio “puxou as orelhas” do pretensioso Barroso, que me parece verborrágico, sem conteúdo, sem consistência. Gostei, também, da citação que Marco Aurélio fez à obra de John Steinbeck: ” O Inverno de nossa Desesperança”, cujo frio, aqui pra nós, se torna mais severo à medida que se permite figuras absurdas e nefastas proferirem, ” de acordo com suas consciências”, votos que não apenas levam o STF aos anos 10, do século passado: nos levam, a todos nós, às mais inquietantes expectativas quanto ao futuro deste país, não é verdade?

    Saudações,

    Carlos Cazé.

  2. Ainda bem que o julgamento está passando na TV. Me reganho e passo meu relato da sessão de hoje. Estou esperançoso de ver os mensaleiros na cadeia. O lugar de onde muitos bandidos não deveria ter saído.

    > Ministra Carmem Lúcia. Fez um voto límpido e preciso como a lâmina de sabre afiado. Deu uma lição para ficar eternizada. Sem medo, a coloco na grandeza de Joana d’Arc da França. Foi como uma promissão de primavera num deserto de venalidade.
    > Ricardo Lawandowsik. Fez um voto sem compostura. Ameaçou, chantageou, coagiu os colegas. Lutou com todas as armas na defesa dos mensaleiros. Com a faca no pescoço pagou caro por ser um assíduo frequentador de cozinhas. Não merece considerações, apenas condolências.
    > Ministro Gilmar Mendes. Foi magnânimo pontuando indignação ao impedir o conluio daqueles que querem desvirtuar, sujar, degradar o papel grandioso do STF e de todos os tribunais. Valorizou a nação e o Estado democrático de direito. Demostrou que os juízes não podem se igualar aos que estão por ora sendo julgados. Deixou claro que os juízes devem ter decoro, probidade, integridade entre outras coisas.
    > Ministro Marco Aurélio. Julgou como Marco Aurélio. Acompanhado de aparente estenose brônquica ou coisa parecida. Ora barroco ora bem humorado, deixou claro que aqueles que estão chegando não podem ir querendo a janelinha. Ministrou mais que uma excelente aula, deu lições de vida. Apontou a presença de vaquinhas de presépio e ou até mesmo daqueles com “suposto” grau de parentesco velado. Votou como um gigante.

    Agora é aguardar o voto do decano. Tenho certeza que ele não irá decepcionar.
    PS. O ministro Marco Aurélio foi brilhante ao dinamitar a escuridão laçada pelos decaídos. E o fez para Celso de Melo dizer: acompanho o relator.

  3. Creio que, caso aceitos os embargos infringentes, estaremos diante de uma desmoralização sem precedentes em nosso país, a desmoralização do Supremo Tribunal Federal. Como pode? A mesma Corte, o mesmo caso – já decidido em votação – retornar e obrigar-nos a um novo suplício? Marco Aurélio frisou que esta é a primeira vez que estamos diante de um caso assim. Só faltou dizer: “aqui ninguém sabe nada disso”. Tenho uma sugestão, sugestão que se inicia baseada no processo de escolha dos ministros. Ora, “até as pedras das ruas” (viva Rui!!!) sabem que qualquer decisão lá já começa com 4 x 0 para os “interesses” do governo: Lewandówski, Toffoli, Zaváski e Barroso. O resto … é para brigar e ver o que acontece.

  4. Independente de tudo, independente de qualquer coisa , a ideia do Ministro Marco Aurélio em criar a TV Justiça ao televisionar os julgamentos do STF não tem preco, será que o STJ vai televisionar ou “internetizar” seus julgamentos inteiro teor vivo ? Pois o TST já o faz.

  5. O Eixo do Mal está vivo e passa bem

    MÍDIA SEM MÁSCARA.

    ESCRITO POR HUMBERTO FONTOVA | 11 SETEMBRO 2013
    NOTÍCIAS FALTANTES – COMUNISMO

    Pela simples leitura da grande mídia, quem poderia saber qualquer dessas coisas?

    “Repórteres estrangeiros – de preferência americanos – eram muito mais valiosos para nós do que qualquer vitória militar. Muito mais valiosos do que recrutas para nossa força de guerrilha eram os recrutas da mídia americana para exportar nossa propaganda.” (Che Guevara, 1959)

    “De duas uma: ou os repórteres que estão em Havana são insensíveis à dor da oposição ou são claramente cúmplices do governo.”
    (Jorge Luis García Pérez, também conhecido como Antunez, vítima de tortura do governo Cubano, para o Miami Herald em 7/8/2013)

    Note o tempo que se passou entre as citações acima. Poucos esforços de recrutamento de propaganda e poucas campanhas de relações públicas foram tão espetacularmente bem sucedidas ou tão duradouras quanto as movidas por Fidel Castro e Che Guevara.

    Por exemplo, eis o que se passou nas últimas semanas: o regime cubano foi pego em flagrante enviando um navio-tanque carregado de armas ilegais (inclusive equipamento de mísseis) para a Coréia do Norte, uma frota de navios de guerra russos visitou Havana, o vice-presidente de Cuba visitou o Irã com o intuito de “expandir relações”, o vice-ministro de relações exteriores visitou Pionguiangue para fomentar “uma cooperação mais próxima”, e a Anistia Internacional censurou publicamente a onda de terror contra os dissidentes cubanos, designando cinco deles como “prisioneiros de consciência”.

    Uma rápida pesquisa por notícias cubanas mostrará que o item mais noticiado nos Estados Unidos durante as últimas semanas foi a viagem de um praticante de remo de prancha que remou de Havana até Key West para “promover a paz, o amor e a amizade entre os povos de Cuba e dos Estados Unidos”. Nesta semana, cumprimentos de aniversário pelos 87 anos completados por Fidel Castro fizeram a alegria da mídia.

    Fidel Castro prendeu prisioneiros políticos numa escala maior do que Stalin durante o Grande Terror, assassinou mais cubanos durante os seus três primeiros anos no poder do que Hitler o fez durante os seis primeiros anos de governo nazista e esteve mais perto de começar uma guerra nuclear em escala mundial do que qualquer outra pessoa na história. E durante este processo transformou uma nação cuja renda per capita era maior do que metade dos países europeus e cujo influxo de imigrantes era enorme em um país que causa aversão aos haitianos e que exibe o maior índice de suicídio no hemisfério ocidental.

    Mas, pela simples leitura da grande mídia, quem poderia saber qualquer dessas coisas?

    Em 1990, a polícia secreta de Fidel, treinada pela KGB, prendeu Antunez (citado acima), um dissidente negro cubano, e os tribunais fajutos de Fidel o sentenciaram a 17 anos de prisão. Seu crime foi o de ter gritado slogans contra Fidel em público. Oscar Biscet, um médico negro cubano, foi sentenciado a 25 anos nas câmaras de tortura de Fidel pelo crime de ter recitado em praça pública as obras de Martin Luther King e a Declaração de Direitos Humanos da ONU. Este crime tornou-se muito mais grave pelo fato de o Dr. Biscet ter denunciado, especificamente, a política de abortos forçados imposta pelo regime cubano (política que é a verdadeira explicação da “baixa taxa de mortalidade infantil”, tão alardeada por tipos como Michael Moore e organizações como o Congressional Black Caucus, a bancada dos deputados e senadores negros no congresso americano).

    Muitos negros cubanos ficaram mais tempo encarcerados nos porões e câmaras de tortura da ditadura castrista do que Nelson Mandela nas prisões (relativamente) confortáveis da África do Sul. Na verdade, esses cubanos podem ser classificados como os presos políticos que por mais tempo sofreram em toda história moderna. Eusebio Penalver, Ignacio Cuesta Valle, Antonio Lopez Munoz, Ricardo Valdes Cancio, e muitos outros negros cubanos sofreram quase trinta anos nas prisões de Fidel Castro. Esses homens (e, diga-se de passagem, muitas mulheres também, brancas e negras) foram torturados a 144 quilômetros das costas americanas.

    Mas você nunca tinha ouvido falar deles, não é mesmo? E no entanto da CNN à NBC, da Reuters à AP, da ABC à NPR, o feudo de Castro hospeda uma abundância de escritórios de imprensa americanos e internacionais e pulula de intrépidos “repórteres investigativos” .

    Segundo ativistas anti-Apartheid, um total de 3 mil prisioneiros políticos passaram pela prisão sul-africana de Robben Island durante mais ou menos 30 anos de regime de Apartheid. Normalmente, cerca de mil eram mantidos presos. Mil pessoas num país em que a população total chegava a 40 milhões.

    De acordo com a Freedom House, um total de 500 mil prisioneiros políticos passaram pelas várias prisões e campos de trabalho forçado de Fidel Castro. Em uma certa ocasião em 1961, cerca de 300 mil cubanos foram parar na cadeia por crimes políticos. 300 mil pessoas num país em que a população era de 6.4 milhões em 1960. Um rápido cálculo revelará, facilmente, a disparidade grotesca entre os dois regimes em termos de repressão. Um breve exame da mídia revelará a disparidade grotesca da condenação dirigida antes ao (relativamente) brando regime sul-africano do que à furiosa ditadura cubana.

    Em 1964 o governo do Apartheid sentenciou Nelson Mandela a 30 anos de prisão. O julgamento de Mandela foi conduzido por um judiciário independente e testemunhado por muitos observadores internacionais. As acusações contra Mandela incluíam: “A preparação, manufatura e uso de explosivos, incluindo 210 mil granadas de mão, 48 mil minas antipessoais, 1.500 bombas-relógio, 144 toneladas de nitrato de amônio, 21,6 toneladas de pó de alumínio e uma tonelada de pólvora negra. São 193 acusações relativas a atos de terrorismo cometidos entre 1961 e 1963”.

    “O julgamento (de Mandela) foi conduzido de maneira legal”, escreveu Anthony Sampson, correspondente do London Observer (jornalista que depois escreveu a biografia autorizada de Mandela). “O juiz, o Sr. Quartus de Wet, foi escrupulosamente justo.”

    Antunez, Biscet e milhares de outros cubanos foram condenados por um sistema judicial fundado por Felix Dzerzhinsky durante o Terror Vermelho de Lênin, aperfeiçoado por Andrei Vishinsky durante o Grande Terror de Stalin e transplantado para Cuba em 1959 por seus discípulos “latinos”. “Prova judicial é um detalhe burguês arcaico”, enfatizava Che Guevara aos promotores públicos. “Quando em dúvida – execute.”

    “Provas legais são impossíveis de obter contra criminosos de guerra”, Fidel Castro explicou à revista Time em fevereiro de 1959. “Então nós os sentenciamos com base em uma convicção moral.”

    Essas “execuções” (assassinatos, tecnicamente falando) ultrapassariam as de Hitler durante a Noite das Facas Longas e o índice de encarceramentos superaria o de Stálin durante o seu Grande Terror, isso sem contar o índice da África do Sul durante o Apartheid.

    E no entanto “a injustiça” contra Nelson Mandela é um caso judicial célebre na mídia. Mas a maioria de vocês nunca ouviram falar de Antunez, Biscet ou de nenhuma daquelas centenas de outros prisioneiros políticos cubanos negros. Por quê?

    Publicado na FrontPage Magazine.Tradução: Alessandro Cota

  6. A Guerra Vermelha
    (*) Ipojuca Pontes –
    Nesta altura dos acontecimentos, não há mais como esconder que o poder político na América Latina, operacionalmente comandado pelo Brasil e monitorado ideologicamente por Cuba, foi tomado pelo comunismo, de fundo marxista-leninista, justamente aquele que o genocida Fidel Castro – depois de perder os seis bilhões de dólares enviados anualmente por Moscou ao Cárcere do Caribe – considerou “perdido no leste Europeu”. A etapa mais recente da guerra (a primeira, iniciada na intentona comunista de Carlos Prestes, em 1935) reinstalou-se em julho de 1990 no permissivo Hotel Danúbio de São Paulo, quando Fidel Castro, reunido com Lula e 118 representantes de facções internacionais vermelhas, propôs a tomada do poder pela deflagração de uma “luta estratégica contra o capitalismo imperialista” e seus valores morais.
    No início do mês de agosto de 2013, na última reunião do entourage esquerdista transcorrida em São Paulo, Lula da Silva, pomposo como um chefão da máfia, declarou que ambiciona mudar de escala e “construir um consenso das esquerdas” de proporções globais, a ser posto em marcha na certa em países da África, onde o governo mensaleiro do PT tem enfiado – a fundo perdido e em detrimento da indigência cabocla – bilhões de dólares. (Do jeito que o anda mundo, quem sabe o vosso Papa de Belzebu não conquista o que trama?)
    O atual cardápio latino-americano de iniquidades é mais que vasto. No plano interno, projetando garantir a reeleição de Dilma e derrubar a hegemonia eleitoral do PSDB e do PMDB em São Paulo e Rio de Janeiro, Lula da Silva e a máquina petista têm feito o diabo! Para banir da vida pública Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral (este, um antigo vassalo sem o menor resquício de caráter), e eleger Alexandre Padilha e Lindbergh Farias governadores dos dois mais ricos estados da Federação, o camarada Da Silva atinou para uma trampa diabólica: consentiu em introduzir nas manifestações de rua iniciadas em junho, intencionalmente pacíficas, hortas de ativistas fanáticos, alguns pagos com a grana do governo, mas engajados em promover com atos de terror (uma velha tradição leninista) a consolidação do hegemônico poder vermelho.
    Na prática, as hordas de encapuzados partem para a “ação direta” e, portando gazuas e coquetéis molotov, paralisam o trânsito, destroem agências bancárias, incendeiam ônibus, saqueiam supermercados, shopping-centers, invadem delegacias e vandalizam prédios públicos. Confiantes nos habeas corpus da engajada OAB e na mística dos “direitos humanos” reeditam o terror das Brigadas Vermelhas, na Itália de Aldo Moro, e do Grupo Baader-meinhof, na Alemanha dos anos 1980 – ambos querendo salvar o mundo pela vertente da sangueira propagada por Marx, Bakunin, Lênin, Mao, Marcuse, Negri, Che, Fidel e sequazes. Mas os “Black Bloc” tupiniquins, pelo que se deduz, não são apenas militantes da violência programática ou simples porras-loucas quando protestam, na base do porrete, contra o regime capitalista e os políticos do 2º escalão do poder, aliados ou não do governo. Eles também estão dopados pela grana fácil do próprio Estado que dizem combater e pelos financistas internacionais que querem ver o circo pegar fogo e liquidar o conceito de pátria e nacionalidade.
    Quando aos governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral, um social-democrata e outro socialista, estão ambos petrificados pela pusilanimidade típica dos políticos progressistas que têm medo de dizer o que pensam e maior pavor ainda da bilionária máquina petista de triturar adversários que se intrometem no seu caminho. No que se refere ao malandreco Cabral (que enriqueceu precocemente ao tempo em que roncava na leitura do “O Estado e a Revolução”, de Lênin), o seu caso tornou-se mais deplorável: é vítima do mesmo escorpião barbudo que, no Rio, durante anos, vinha pajeando da forma mais abjeta. Ele hoje vive acuado, não pode entrar na própria casa onde mora e já negocia na surdina, em troca de uma “barra menos pesada”, apoio ao ficha-suja Lindbergh Farias, seu arqui-inimigo patrocinado por Don Lula.
    São ecos da sórdida guerra vermelha.
    (*) Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos.

  7. Bate-bocas de Candinha, pitis e o diabo a quatro…
    vedetes de toga, caras e bocas, eficiência zero, muita forma e nenhum conteúdo…
    O stf é o mais perfeito retrato deste prostíbulo imundo que é o judiciário brasileiro….

  8. Verdade.
    Fosse num país com os EUA, em pouco tempo esses bandidos já estariam cumprindo pena de dezenas de anos.(Watergate)
    Aqui, a coisa, porque não tem outro nome, foi andando mais prá traz do que frente e com isso foram se trocando de juízes até chegar a esse degringolamento, em que (será que o dinheiro entrou pesado por parte do pessoal dos amigos do dirceu. Eike?)virou o que virou, dando empate.

  9. Transcrevo,minha opinião do dia 10/09/13 ás 22:45 pm dentro do seu artigo publicado.
    “Prestigiado mestre,Hélio Fernandes.
    Apesar do seu belo exercício mental,e(desejos incontidos).Não vejo,nenhuma surpresa na sessão do STF,nesta Quarta-Feira. Dará a lógica,caso houver reviravolta, o STF estará desmoralizado. Aí,o Ministro Gilmar Mendes,terá razão. Melhor Fechar”.
    Ainda,hoje,dia 12,no seu 1º artigo,o MM.Gilmar deu show,proferiu o voto MAGISTRALMENTE,deixou os quadrúpedes literalmente de quatro.
    Sem,falar do MM. Marco Aurélio,com seu arsenal de conhecimento,ARRASOU QG da quadrilha.

    Só,não entendo,suas assacadilhas aos MM. que votaram contra a quadrilha.Além,de achincalhar o próprio supremo,(retrocesso,choro,etc..,).A não,ser,que exista algo Inconfessável.
    Camisa do Flamengo,pelo do PT,tudo é vermelho…qual a diferença????????

  10. Prezado Jornalista Hélio Fernandes e demais articulistas,

    Essa aula de direito, de ontem e de hoje, para o bem e para o mal, está pelo menos servindo para que cada vez mais brasileiros passem a conhecer a linguagem dos tribunais e saber que nenhuma dessas pessoas, juízes, é infalível e que juiz ou não são simplesmente seres humanos com todos os defeitos e qualidades de qualquer mortal, para isso pelo menos esse julgamento está servindo.
    Não sou advogado e nem precisaria ser para tecer uma análise sobre a incoerência de alguns juízes que além de colocarem nariz de palhaço nos brasileiros agora desejam nos vestir de palhaços e por fim darem um atestado de imbecil a todos os brasileiros de boa índole, corretos, honestos, trabalhadores e inteligentes.
    Fico impressionado o quanto se gasta de tempo e dinheiro com argumentações técnicas insofismáveis contra e a favor e principalmente com a argumentação fajuta que se usa para justificar a aceitação dos embargos, uma piada, de mau gosto é claro.
    Fico impressionado como respeitáveis juristas, professores recém-chegados à maior Corte de Justiça deste País que tem a cara de pau de dizer que o que disse não quer dizer o que ele disse e que vota de acordo com sua conduta, sim, mas deveria votar, neste e em muitos outros casos, como manda a boa técnica, e ele conhece de cor e salteada a forma correta de julgar.
    Sobrou o ilustre decano, que a julgar pelas declarações anteriormente dadas votará a favor do acolhimento dos embargos infringentes, Deus queira que depois de ouvir tantas opiniões equivocadas e algumas corretas tenha se convencido pelo paradoxo de Abilene, ele sabe e todos sabem que esses embargos não valem, mas fazem de conta que não sabem para não contrariar seus senhores.
    Grande é boa surpresa foi a linha adotada pelo Juiz Fux que fulminou o que sobrava, mesmo assim o ilustre juiz Levandowsky arranjou uma tonelada de subsídios risíveis para também por paradoxo negar o que ele mesmo não acredita, faz o que seus patrões mandam.
    Por fim nos resta uma única esperança, que um homem como o Decano não manche sua biografia por tão pouco, que saiba agir como grande magistrado que é e surpreenda a todos com o obvio, não pelo paradoxo, mas sim com as evidências fartamente citadas por outros seus colegas.
    Por fim espero que o STJ não mate definitivamente a esperança de milhões de brasileiros que desejam apenas uma coisa, que se faça justiça e rapidamente e que a mais alta corte do Pais não leve dez anos para julgar um crime ou trinta como é o caso da Tribuna da Imprensa.

  11. Prezados: Todos somos adultos, alguns que aqui escrevem já estão na casa dos 60/70 anos…

    alguns menos..Mas levanto a bola..caros amigos :

    Vcs ainda acreditam em alguma cousa, vindo de uma “suprema corte” que do SEU
    pedestal da corrupção nos dá exemplos de pura conivência com a INJSUTIÇA ?

    Vcs ainda acreditam ..nesta justiça ? Onde um processo, de um Jornalista PATRIOTA E
    BATALHADOR DA COLETIVIDADE DA NAÇÃO…JÁ BEIRA A CASA DOS 40 ANOS ..?

    Vejo muitos elogiarem o atual presidente desta “suprema corte” e “alguns” dos seus
    membros…Mas..pergunto : Elogiaremos um prevaricador soberbo (lembram do processo
    da TRIBUNA DA IMPRENSA “PARADO ” DE FORMA CRIMINOSA PELO ATUAL PRESIDENTE DO “STF” ) ?

    Elogiaremos um “tal ministro” que fazia “parte” do esquema da era FHC ? …e QUE DIREMOS
    do “plenário desta corte” ? Como pode “legislar” sobre SOBERANIA NACIONAL ? Entregando
    metade de UM ESTADO DA FEDERAÇÃO A MEIA DUZIA DE NATIVOS.. (tão perguiçosos quanto os
    milhões de presos que lotam os presidios..que nada FAZEM …nada PRODUZEM ….e que só
    SÃO DESPESAS )…E o mais GRAVE ..UM ESTADO DE FRONTEIRA..EM UMA DAS REGIÕES mais
    cobiçadas pelas nações ESTRANGEIRAS, a NOSSA AMAZONIA.

    Como podemos ainda sequer tentar elogiar um antro que trabalha de forma criminosa contra

    a sociedade e contra os direitos dos cidadãos na JUSTIÇA ?

    Estou exagerando ? …Creio que não..CADÊ: Os JULGADOS EM FAVOR DAQUELES que foram ROUBADOS
    NOS PLANOS ECONOMICOS, DOS FUNDOS DE PENSÃO DA VARIG…ETC..ETC….

    E ainda somos levados a crer que esse julgamento do “mensalão”..nos mostra alguma cousa
    em termos de VERDADE E JUSTIÇA ? Ou somos como MENINOS(CRIANÇAS), levados por toda
    artimanha de mentiras e fábulas desta que chamamos de “SUPREMA CORTE” ?
    que NITIDAMENTE….não nos mostra sequer um sinal de apego a JUSTIÇA E VERDADE…

    “MINSITROS INDICADOS” ..PARA PROTEGER E NUNCA JULGAR COM VERDADE…VERDADEIROS PAUS MANDADOS
    A PONTO DE UM TAL “MINSITRO” EM UM BATE BOCA..CHAMAR UM OUTRO DE MAFIOSO( PATRÃO DE CAPANGAS). Realmente profundamente lastimável…os tempos que estamos vivendo..em termos de
    APLICAÇÃO DA VERDADE E JUSTIÇA.

    YAWHE SEJA LOUVADO E ADORADO…O “RESTO” É PURA CONVERSA FIADA…

    Carlos de Jesus – Salvador – Bahia

  12. Chega de teatro,hoje deveria acabar esse julgamento ou não,porém,mais uma vez,prolongaram essa novela,se o ministro estava com o voto pronto, será que não poderiam esperar mais um pouco para acabar com esse melodrama.Claro que não todos, tem que se prepararem para novos capítulos, na próxima semana.Nunca vi na minha vida tanto caras e bocas.Convenhamos demorar 60 minutos pra da um voto é horripilante.Muita retórica,porém muito pouco conteúdo.Fico meditando e pergunto? se não houvesse a televisão será que eles falariam nesses prazos tão longos.Já esta sendo anunciado, não percam o último capítulo da novela que encantou o Brasil:O MENSALÃO.

  13. Caro Helio, os homens e mulheres desse País, que tem Consciência, Dignidade, Honra, sentem “VERGONHA” de serem honestos, conforme a Poesia/Prece de Rui Barbosa.
    Os últimos indicados e mais o “e me levaumuisque”, enxovalham o STF, que a partir de agora pode ser chamado de “ptf”,p de “pequeno”, pois, estarão estuprando a Srª Justiça. o Hoje é pior que o ontem, e o amanhã será pior que o hoje, onde vamos parar???
    Que Deus em sua Misericórdia, nos socorra!!!

  14. A rigor, desconfio do sr Celso de Melo.

    Já houve um caso no passado(na era Sarney) que esse senhor não se comportou como devia.

    Notem, estou citando informações lidas e ditas por outros. Se mentira for, melhor.

    Repito, continuo desconfiado.

  15. Angelo, saudações
    Que belo comentário você fez!!!
    Enquanto isso, leio no jornal EXTRA de hoje que “dois meninos foram pegos roubando um par de sandálias e … já estão presos. Eles não sabem que existem os Embargos Infringentes”.
    Caro Angelo. O processo, em si, é injusto, arcaico, desumano, ilógico, capaz portanto de durar mil anos e não resolver nada. Mas … lá estão eles arrotando seus conhecimentos que, na prática não redundam em nada ou quase nada de proveitoso para a sociedade. O Supremo Tribunal Federal nos apresentou o Caos. Um verdadeiro Caos. Nem nos interessa, numa razão direta, o resultado que obtém.

  16. Caríssimos, que bom que temos um Mestre, Hélio Fernandes, acordado, que Deus o conserve por mais noventa anos lúcido e corajoso e acima de tudo nacionalista. Às vezes sinto vontade de chutar o balde e desistir é um engodo o que estão fazendo com o povo brasileiro, um escárnio para com a Nação que está sendo ridicularizada e vilipendiada, apesar de presidentes do presente e do passado dizerem-se nacionalistas.
    Não bastasse o achincalhe dos ilustres deputados, da espionagem dos nossos irmãozinhos do norte a nossa Presidente (a) assim ela quer agora também a Petrobras e tudo o que ela descobriu é motivo de cobiça dos senhores do planeta.
    Em qualquer outro País suspenderiam imediatamente os leilões, mas não no Brasil, pois se já era um absurdo leiloar o que a Petrobras descobriu como podem manter um leilão sabendo que as grandes irmãs já sabem de tudo a respeito das reservas? O que é preciso fazer para que se enterre definitivamente esse e os próximos leilões?
    Porque não fazem o que seria correto fazer, pesquisem e invistam caras multinacionais e se acharem vamos conversar, mudem o marco regulatório, o que a Petrobras descobriu e da Petrobras e do Brasil e aproveitem para converter as ações dessa Empresa fantástica em 100% brasileira, recolham as ações da bolsa, a Petrobras deve servir ao desenvolvimento do Brasil e não ao enriquecimento fácil das grandes companhias internacionais que nada investiram para agora receberem de graça imensas reservas de petróleo descoberto pela competência e investimentos da Petrobras, do Brasil é claro.
    Aproveito para pedir aos ilustres sindicalistas agora encastelados na gestão dessa Empresa maiúscula para pedirem para sair, pois o mal que estão fazendo a essa Empresa é muito maior do que eles imaginam, voltem a fazer sindicalismo a defender a Petrobras dos lobos travestidos de cordeiros, os senhores bem os conhecem, tenham um ataque de bom senso e nacionalismo a favor do Brasil.
    Alguém poderia perguntar, ficou doido o cara, fiquei não, tudo está dentro do mesmo pacote, desmoralização, faz de conta, politicagem, sacanagem e vilipendio que se comete contra uma Nação e contra as suas riquezas, não se iludam, pois tudo se presta o pano de fundo e o escândalo de hoje substitui o de ontem e assim vai e assim vamos perdendo a esperança, ficando fracos e deixando que continuem nos teleguiando, via satélite, por internet e nos tribunais.
    É preciso que o povo volte as ruas, com liderança, mas onde está essa liderança, sinceramente fico com medo, pois o poder de persuasão da mídia é tão grande, a ilusão passa e não fica nada de concreto para servir de base as mudanças.
    Pra que vento se não há timoneiro e o barco está a deriva? Precisamos urgente de brasileiros que tenham orgulho de serem brasileiros, que queiram lutar uma boa batalha, que possam conduzir o barco para o destino que se deseja, para não ficarmos reféns da mídia que se move para onde dá mais resultados financeiros.
    Assim, caso os embargos infringentes sejam aceitos e os condenados tiverem suas penas reduzidas, ou seus crimes caducarem em função da tardia execução dos julgamentos, que felicidade será para esses senhores, para eles o crime compensará, mas para quem rouba um pote de margarina no supermercado não há sequer defensor público que dirá embargos infringentes.
    Machado de Assis mais atual do que nunca, os honestos e decentes terão vergonha de terem um comportamento que “destoa” dos senhores políticos e senhores juízes, em quem mais poderemos acredita? Só no Papai Noel, no Saci Pererê, a mula sem cabeça também, Deus em sua imensa glória e bondade tenha piedade deste Pais não permita que mais uma vez sejamos motivo de chacota e humilhação por parte daqueles que deveriam estar nos defendendo e defendendo nosso País.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *