Estadão diz que Dilma comete crime de responsabilidade

Editorial do Estadão (31/01/2015)

O governo do PT, principal responsável pelo escândalo da Petrobrás, está preocupado em minimizar as consequências com as quais poderá vir a arcar quando toda a verdade vier à luz, e se articula para armar um esquema que lhe permita, pelo menos, salvar os dedos ao custo menor de entregar os anéis.

Este é o sentido da ordem do Palácio do Planalto, de preservar as empreiteiras envolvidas na lambança, e que imediatamente foi passada adiante por dois porta-vozes da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams.

Declarou o primeiro: “Do ponto de vista das empresas, me parece que há um desejo claro, que não afasta as punições de quem deva ser punido, de que nós não criemos situações que atrapalhem a vida econômica dos brasileiros”.

As palavras do ministro fazem eco à posição firmada por Dilma Rousseff em seu discurso na abertura da reunião ministerial dias atrás: “Nós devemos punir as pessoas e não destruir as empresas. As empresas, elas são essenciais para o Brasil. Nós temos que saber punir o crime, nós temos que saber fazer isso sem prejudicar a economia e o emprego do País. Nós temos de fechar as portas para a corrupção. Nós não podemos, de maneira alguma, fechar as portas para o crescimento, o progresso e o emprego”.

TRANSGRESSÕES LEGAIS

O bom senso não recomenda “destruir” empresas, mas a lei prevê, sim, punição para as que cometem transgressões legais.

Até porque empresas não são abstrações intangíveis, mas as pessoas físicas, empresários e executivos, que as possuem e dirigem. E como não dá para colocar na cadeia empresas que agem contra a lei, como se faz com seus dirigentes, a lei prevê que, entre outras punições, a elas sejam impostas pesadas multas e compensações que objetivam impedi-las de continuar se beneficiando de recursos comprovadamente obtidos de modo ilícito.

Assim, ao tentar blindar contra punições as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, Dilma Rousseff arrisca-se, mais uma vez, a incorrer em crime de responsabilidade, por ignorar, entre outras, a Lei Anticorrupção – que atende aos compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais -, cuja entrada em vigor no dia 29 de janeiro de 2014 ela comemorou em clima de pré-campanha eleitoral, mas que agora quer transformar em letra morta.

A VÍTIMA É O CIDADÃO

O chamado petrolão é uma armação criminosa que só tem uma vítima, o cidadão brasileiro, e muitos culpados: os agentes políticos a serviço do governo do PT e de seus aliados; os operadores de dentro e de fora da Petrobrás e as empreiteiras que se uniram em cartel com o propósito de garantir uma distribuição “justa”, entre elas, dos contratos com a petroleira. São todos cúmplices.

É impossível de imaginar que todos saiam ilesos dos vários processos judiciais que brevemente começarão a ser instaurados como decorrência das investigações da Lava Jato.

Mas do ponto de vista estratégico está claro que interessa ao governo do PT preservar as empreiteiras, para o que lança mão de um argumento que é mera cortina de fumaça: a defesa do “emprego” e da “vida econômica”.

PARCERIA ÚTIL

E por quê? Pela razão óbvia de que manter as empreiteiras intocadas significa preservar uma parceria que tem sido extremamente útil a petistas e associados.

Além disso, essa é uma maneira de conquistar a boa vontade e arrefecer o ímpeto acusatório dos empreiteiros, principalmente os que estão na cadeia e que, de qualquer modo, continuarão mandando em suas empresas. Esses empresários tentam articular suas defesas em torno do argumento de que são vítimas de uma chantagem que, em última análise, acabaria sendo imputada ao próprio governo.

Assim, o escândalo da Petrobrás está, entre outros efeitos, operando o milagre de transformar o governo do PT, e Dilma em particular, em defensores de empresas à beira de serem declaradas inidôneas. Logo Dilma, que jamais disfarçou sua visceral desconfiança da iniciativa privada.

Das duas, uma: está sendo preparada uma grande pizza que manterá o Planalto longe do escândalo ou a presidente da República, tentando preservar as empreiteiras para, alegadamente, garantir empregos e a saúde da economia, transformou-se em refém da corrupção. Mas também pode ser que, das duas, duas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O editorial nos foi enviado pelo comentarista Celso Serra. Na sexta-feira de manhã, com absoluta exclusividade, publicamos na Tribuna da Internet artigo denunciando que a presidente da República estava defendendo o descumprimento da Lei Anticorrupção. No dia seguinte, o Estadão seguiu o mesmo caminho, repetindo inclusive o trecho da fala de Dilma que destacamos. Nada mal. E la nave va… (C.N)

18 thoughts on “Estadão diz que Dilma comete crime de responsabilidade

  1. Essas empresas não são insubstituíveis, há no Brasil dezenas de empresas
    aptas a executar os mesmos serviços dessas grandes empresas, como não
    têm influência política (não faz doações), ficam de fora das concorrências e
    licitações. Quem é ou já foi do ramo, sabe que a obra em sua maior parte é
    realizada pelas pequenas empresas contratadas pela empresa que ganhou
    a concorrência.

    • É verdade Nelio e no Brasil sempre foi assim, as grandes empresas ganham a concorrencia por terem nome e poder no mercado mas quem executa são empresas menores em nome mas dirigidas de forma honesta e enxuta.
      Vamos fazer uma campanha para valorizar nossas pequenas grandes empresas e fugir do
      a influencia de politicos desonestos.

  2. O que importa em uma empresa de engenharia é o seu quadro técnico. Nesse caso não é preciso nem discutir a nova lei, pois a maioria dessas empresas abandonaram várias obras do governo federal, vide a Transposição do São Francisco. Digo que não é preciso a nova lei, pois a atual lei de licitações ( 8663/93) , impõe a empresas ‘inadimplentes’ em obras multa de até 20% e suspensão do direito de fornecer ao Estado por até 2 anos. Resumindo, a Dilma Youssef, junto com o PT, apenas estão acobertando as empresas amigas do rei, responsáveis pela maior parte das doações de sua campanha. Rifa entre amigos.

  3. Dilma está perdida. Seu navio está afundando. Ela e sua equipe desesperadamente tentam jogar boias de salvação para todos os lados. De repente alguma delas flutua o suficiente para aguentar todo o peso dos ratos.

  4. Sr. Sátiro e Sr Aluísio, agradeço as suas concordâncias, é sinal de que não estou errado.
    Meus amigos, devo parar hoje de fazer meus singelos comentários neste blog. Estou muito
    velho para ouvir gracinha de um certo sujeito metido a erudito, que humor para ele é ofender
    as pessoas.
    Um forte abraço a todos.

    • Prezado Nelio,

      Peço-lhe, encarecidamente, que volte a frequentar o blog. Não se pode dar importância às ofensas de outros comentaristas. Quando Ricardo Froes o ofendeu, imediatamente cortei a parte ofensiva, mas você continuou polemizando com ele, desnecessariamente, pois toda vez que ele o ofendia, eu cortava. Se eu fosse ligar para esse tipo de ofensa, nem estaria mais aqui, perdendo meu tempo.

      A quem interessa que você saia do Blog, depois de tantos anos de participação?

      Pense nisso, amigo.

      Abs.

      CN

      • Carlos Newton, agradeço de coração o seu pedido, mais tarde talvez eu volte. A minha surpresa é que eu tinha o Ricardo Froes em boa conta,
        assim como o Francisco Bendl e tantos outros. Nunca você me viu ofender qualquer
        um desse blog, ainda que discordasse, procurava argumentar com civilidade, sem
        ofensas, sem gracinhas. De alguma forma, continuarei colaborando com o blog.
        Grato pela sua atenção, e um forte abraço.

        • Desculpe, Nélio, estive fora e só agora vi as brincadeirinhas dele e já as detonei. Se ele quiser continuar no Blog, terá de ser educado e respeitar os mais velhos.

          Abs.

          CN

        • Caro Jacob,
          Espero que eu continue em boa conta contigo pois, da minha parte, sempre irei te considerar um comentarista que jamais tive qualquer problema diante dos assuntos postados, pois és pessoa educada, que respeito e admiro, coincidindo na maioria das vezes termos idênticos pensamento e posição, portanto, sem motivos para maiores discussões.
          Um forte abraço.

    • sr. Nélio,

      seus comentários, em absoluto, não são singelos.
      considero-os abalizados e, sobremodo, consistentes.
      para o bem geral dos frequentadores deste blog reveja sua decisão.
      se um ou outro faz “gracinha”, não esqueça: ‘os cães ladram e a caravana passa’.

      continue conosco !

  5. Enquanto o estado brasileiro for forte ( Getulio e a moda socialista da Europa dos anos 20, sec XX, com o comunismo, nazismo e fascismo), as empresas serão reféns e cúmplices desse estado. Ou seja, há que se reformar tudo no estado, para que ele não dê tanta margem á corrupção como dá até hoje.

  6. Colegas de luta desta trincheira virtual democrática de contestação popular, especialmente Nélio Jacob, não é momento de retroceder. Temos que manter acessa a chama da indignação na juventude e este blog, reforçado pelos valorosos comentários dos que se preocupam com os rumos desta nação e que aqui nos manifestamos livremente, é sem dúvida uma fonte de notícias úteis à nova geração que carece de fontes independentes e dignas. Saudações brizolistas

    • Caro Rodrigo de Carvalho, compactuamos com os mesmos ideais, isto é,
      a melhoria da nossa pátria. Tenho meditado muito sobre o que podemos
      fazer na prática, para defenestrar essa turma que tomou conta do poder.
      Um caminho seria fazer deste blog um jornal impresso, pois temos grandes
      articulistas, e o que é mais importante: independentes.
      Sem dúvida a luta vai continuar.
      Saudações brizolista, o verdadeiro trabalhismo.

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