Estadão diz que novo Papa é conservador, mas inimigo do neoliberalismo

(O Estado de S. Paulo)

Low profile, calado, sóbrio e frugal são alguns dos adjetivos usados por seus mais fiéis colaboradores. Seus inimigos, no entanto, preferem defini-lo como calculista, frio, traiçoeiro e autoritário. Mas, para a maioria dos argentinos, o cardeal Jorge Mario Bergoglio é simplesmente um mistério. Nos últimos dias, no entanto, ele saiu de seu semi-anonimato para virar um dos homens mais comentados do país.

A escolha do hermético Bergoglio, que se tornou o primeiro latino-americano a ocupar o trono de São Pedro, também quebra a restrição – implícita – de que um jesuíta nunca seria transformado em papa. Desde que foi criada, há quase cinco séculos, a outrora poderosa Companhia de Jesus jamais havia conseguido que um representante chegasse a líder da Igreja Católica, principalmente pela oposição de outras congregações que temiam seu crescimento.

Homem afável, mas de poucas palavras e de nenhum contato com a imprensa (desde que foi nomeado cardeal, em 2001, deu só uma entrevista ao jornal La Nación), o primaz faz questão de manter um profundo silêncio sobre sua vida. Aqueles que o conhecem bem sustentam que só mostra intensa paixão quando fala de Fiodor Dostoievski, seu escritor preferido.

O salto internacional de Bergoglio ocorreu em 2001, quando ocupou o posto de relator-geral do Sínodo dos Bispos em Roma. Bergoglio é idolatrado pelo clero jovem e, até poucos anos atrás, só se deslocava pela cidade em metrô ou ônibus. Seus admiradores afirmam que o fazia “para estar perto do povo”. Os críticos sustentam que era “puro populismo”.

Os parlamentares da esquerda, que se confrontaram com frequência com Bergoglio por questões como a legalização do aborto, o definem como “o pior dos inimigos, porque é um inimigo muito inteligente”. No entanto, o cardeal também os desconcerta ao realizar furiosos ataques contra o neoliberalismo.

O sociólogo e especialista em catolicismo Fortunato Mallimacci considera que o papado de Bergoglio não deve ser “muito diferente do de João Paulo II”. Segundo ele, “do ponto de vista doutrinário, frustraria as aspirações de muitos católicos que estão esperando uma ampla abertura”.

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