Estão cobrindo o urubu com penas de pato

Carlos Chagas

Uma  penosa entra em nosso campo de visão. Tem bico de pato e penas de pato.   Anda feito pato, nada feito pato. E ainda faz “quem-quem”. O que é? Deve ser um pato.                                                         

Vem o presidente nacional do PT, Rui Falcão, sustentando que o partido não quer a censura à imprensa, muito menos diretrizes capazes de cercear a liberdade. Nega de pés juntos a tentativa de controle do conteúdo da produção jornalística e afirma apenas a necessidade de regras capazes de regular os meios de comunicação, evitando a propriedade cruzada, os monopólios e oligopólios.                                                        

Com todo o respeito, o companheiro está  cobrindo  um urubu com penas  de pato. Só que não adiantará nada. O PT pretende intimidar a imprensa, criando constrangimentos e contrariando a Constituição, que prevê punição  para os abusos depois deles praticados pela mídia. Nunca antes. Não há outra definição a não ser censura, quando se tenta essa malandragem. 

***
COMPARAÇÕES                                                         

Horrores foram praticados durante o regime militar, da  tortura institucionalizada à censura  dos meios de comunicação e à mudança nas regras do jogo político toda vez que o regime estava prestes a ser derrotado, mesmo pelas regras impostas por ele mesmo. Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estruturas materiais. Fica para o historiador do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos.                                                           

Uma evidência, porém, salta aos olhos. Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os  herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema  e umas poucas ações de empresas públicas e privadas. Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace  no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana. Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu,  precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.   Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha  vendeu para poder  manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio. João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio  do Dragão, em Petrópolis,vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade.  Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.                                                           

Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes cometeram erros sem conta, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram nem  receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos  destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para  consultorias e  palestras  regiamente remuneradas. Bem diferente dos tempos atuais, não é?

***
JOGO DE MENTIRINHA                                                  

Falta menos de um mês para que  mudanças nas regras eleitorais não possam ser aplicadas nas eleições do próximo ano. Doze meses antes do pronunciamento popular, mesmo aprovada, qualquer reforma fica suspensa. Exatamente o que aconteceu  com a lei da ficha limpa, inaplicável nas eleições do ano passado.                                                 

Por conta disso, senadores e deputados poderão continuar  examinando as reformas político-eleitorais, mas num jogo de mentirinha. Para as eleições de 2014 a conjuntura será outra e o trabalho realizado até agora precisará ser refeito. Antes de outubro de 2013, é claro, senão valerá o mesmo  dispositivo constitucional.  Tudo exatamente como deseja o Congresso:  para que tudo continue como se encontra. 

***
NÃO ADIANTA PORQUE NÃO GANHA                                              

Está no ar, não nas pesquisas, o argumento de quantos petistas se opõem à candidatura de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo:  “Não adianta porque não ganha”. Política tem dessas coisas. Talvez por isso o ex-presidente Lula insista numa candidatura alternativa, no caso de Fernando Haddad. A atual senadora pode estar liderando consultas e sondagens, mas,  na hora da decisão, colherá os mesmos resultados de eleições recentes. Pode  faltar-lhe humildade, ainda que lhe sobre  percepção.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *