Estão sabotando Aécio

Carlos Chagas

Deve cuidar-se o senador Aécio Neves. Quem assistiu esta semana  o programa de propaganda partidária gratuita do PSDB e pertence ao bloco dos ingênuos terá desligado sua televisão  impressionado com a unidade e a euforia  dos tucanos. O novo presidente do partido, ainda que sem ter sua candidatura presidencial alardeada pelos colegas paulistas, surgiu  como o aglutinador do partido, o D’Artagnan dos  mosqueteiros José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique. Nas telinhas, tudo pareceu encaminhar-se para a  sagração posterior de Aécio como candidato.

Ledo engano. Athos,  Portus e Aramis rejeitam o ex-governador mineiro. José Serra é candidatíssimo. Geraldo  Alckmin trabalha com a hipótese de disputar o palácio do Planalto,  oferecendo a Serra a candidatura a governador de São Paulo.   E Fernando Henrique, tido como incentivador de Aécio, ainda há dias comentava com importante prócer do PT que o senador não vai mesmo fixar-se porque não tem estatura, continua pequeno…

A força dos paulistas é grande no ninho.   A estratégia deles parece  deixar que Aécio Neves apareça como candidato por conta própria e sabotá-lo mais ou menos como quem come mingau: pelas bordas. Deixar que ele percorra o país, como já prometeu mais de uma vez, mas sem respaldá-lo, até que no começo do ano que vem possam constrangidamente concluir que ele não emplacou e melhor seria concorrer ao governo de Minas, aguardando tempos presidenciais  mais promissores.

É claro que de ingênuo o senador não tem nada. Conhece em detalhes a artimanha de seus companheiros e, mais ainda, a personalidade de cada um deles,  que começou a acompanhar desde os tempos do avô, Tancredo Neves, que abominava Fernando Henrique, não confiava em Serra e desconhecia Alckmin.  O importante para Aécio é evitar a impressão de uma guerra entre paulistas e mineiros, até porque, do seu lado da fronteira, conta apenas com os índios, sem nenhum  cacique de peso.

Conseguiu eleger-se presidente do PSDB, ainda que hoje já desconfie de haver caído numa armadilha. Sabe da importância de tornar-se conhecido, mais do que já é, bem como da necessidade de cautela em seu confronto com os três mosqueteiros.  O ideal seria dividi-los. Imprescindível também se torna buscar alianças, como com o governador Eduardo Campos, o candidato ideal para seu companheiro de chapa. Sem esquecer Sérgio Cabral.

Em suma,  a escalada é íngreme e a montanha, escarpada, para Aécio Neves. Vitoriosa, porém, sua fixação como candidato deixaria clara a impossibilidade de os tucanos paulistas voarem alto.

JÁ FOI, NÃO É, MAS PODERÁ SER

Lá das entranhas do PT afloram evidências que os companheiros teimam em sufocar.  Por exemplo: Lula só deixou de ser candidato às eleições de 2014  diante do impacto pessoal que sofreu com a descoberta de um câncer na garganta.  Até então tinha como certo o seu pronto retorno ao poder, com a   completa aquiescência de Dilma. Diante das incertezas do destino, optou pelo Plano B, da reeleição da sucessora, apesar da resistência de um razoável  grupo de lideres petistas.  Recuperado, não tinha como dar o dito pelo não dito, mas a janela continua aberta para o retorno à antiga pretensão.

Agora, o ex-presidente mantém-se fiel ao compromisso com Dilma, mas sabendo que  fatos novos serão  capazes de alterar a estratégia em curso. O agravamento da crise econômica.  A queda nos índices de popularidade de Dilma. O aparecimento meteórico de um adversário até então  desconhecido. A hipótese de haver segundo turno. A necessidade de recompor alianças hoje quase postas em frangalhos.

A conclusão, por enquanto, é de o PT empenhar-se no segundo  mandato. Por enquanto…

APOIO FORMAL

Pelo telefone, a presidente Dilma cumprimentou o senador Renan Calheiros pela firmeza com que cumpriu a promessa de não colocar em votação medidas provisórias enviadas ao Senado sem o interregno de sete dias após sua votação na Câmara.   Quem não gostou foi a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, através de duro diálogo com o presidente do Senado, que manteve-se firme.

O Palácio do Planalto encontrou uma solução para não ser derrotado: acrescentará o texto da medida provisória não votada em outra capaz de chegar antes dos sete dias. Tem gente brincando com coisa séria?

 

 

 

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5 thoughts on “Estão sabotando Aécio

  1. PSDB ou qualquer outra sopa de letras e de interesses não é a luz no fim do túnel residência da verdade.
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    (POR UM DEBATE SUJO PARA UM BRASIL PASSADO A LIMPO)
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    Compreendo a aflição que se vai transformando em angústia a cada raiar que faz aproximar de mais uma farsa eleitoral.
    Sem verdade nenhuma relação prospera e sem pensamento crítico não há verdade.
    Por que iludir o eleitor?
    O ambiente de mitos, hipocrisias, cinismos e inverdades alcançado é ostensivo: ideologias, partidos políticos, sistema eleitoral, voto, representação, situação, oposição, direita e esquerda… Direita e esquerda, talvez, a dicotomia que mais ilustra a mistificação a que estamos submetidos. Ando me distraindo pelos cantos, sombras e penumbras das letras de Norberto Bobbio em “Direita Esquerda”. Ainda ontem deixei na internet uma contribuição dele: “As palavras têm um significado próprio, que, numa definição, não pode ser completamente descurado…Fiquemos atentos para não brincar com as palavras, especialmente quando nos encontramos diante de palavras escorregadias como “liberdade” e “igualdade”.
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    Há tempos que navegamos na esperança de chavões, de pomposas e gostosas mentiras.
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    “Otimismo ou pessimismo,
    faz um viver com cinismo:
    palavras, malabarismo,
    rotulações, sectarismo”
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    Embora não desconheça que não é a vontade que faz o futuro (a par de muito se falar em vontade política), será que nunca saberemos fazer a hora sem esperar acontecer?
    O futuro está na verdade das coisas, nos fatos.
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    A mais viva questão política e que tanto incomoda é a mentira; é a imoralidade com que os fatos são tratados. Ou se inverte e os faz de palavras, ou se se debruça e contamina com a mentira.
    Toda essa costumeira e insuperável interpretação que a imprensa traz a cada novo texto, penso, fica neles, na mentira. Destrinça-as, esmiúça-as, descarna-as; mas, meu dileto amigo, fica nisso; não vai, além disso.
    .
    Discutir com elegância e eficiência uma publicidade do PSDB; discurso, atitude e conduta do Aécio e do grupo dele ou de qualquer outro , é, perdão, pela minha leal estupidez (se for o caso) incidir na deplorável mesmice que enfeia a conjuntura e somente beneficia a cena. Vou usar um dos mais peculiares campos do saber humano para traduzir o que penso, ou seja, a sabedoria popular:
    “são todos farinha do mesmo saco”. Isso é que dá no, e enche o saco. Arrego!
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    É difícil crer, embora não seja impossível, que pensem Brasil. Nenhum deles, seja qual for a camisa que casuisticamente vistam. Suficiente considerar o absurdo da tão lastimável “maioria congressista “necessária” ao que se resolveu denominar “governabilidade” ferindo de morte a independência entre os poderes; quanto, a descarada e insolente COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA que faz de partidos, INTEIROS, único, TOTALITÁRIO.
    Não consigo me decidir, valendo-me de Nietzsche, a qualificação mais adequada a ser atribuída sem emoção a eles. Serão: mentirosos ou farsantes?
    “O fantasista nega a verdade diante de si próprio, o mentiroso somente diante dos outros – Nietzsche”
    O que aflige não é o passado ou o hoje, imutável; é o insondável amanhã. Se é verdade (como acredito) que – sem exclusividade – o econômico produz o social, o político, o moral, o jurídico, o religioso, enfim, o homem e a reprodução dele; não menos é que a certa vulnerabilidade do econômico centrado na escassez e na não arredável eclosão de eventos marcados pela incerteza, gera um clima de insegurança que se agiganta quando princípios e valores que amarram a sociedade e unem um povo são subestimados pelo discurso e práticas políticas.
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    O restabelecimento institucional, da verdade factual e moral, que concede equilíbrio à vida é uma necessidade política que não se consumará trocando seis por meia dúzia: Aécio, Serra, Campos, Lula, FHC ou a presidANTA; o problema não é o nome, é o Homem.
    Esse processo de ordem não é um interesse emocional, ocasional, ético, de opção entre o bem e o mal. O fato é que sem a ordem que se chama Estado, vige a anarquia.
    Os valores liberdade e igualdade que caracterizam a democracia são pratos da mesma balança chamada verdade.
    .
    “POR UM DEBATE SUJO PARA UM BRASIL PASSADO A LIMPO”

  2. ‘BOA’ ESSA DUPLA: AÉCIO NEVES X SERGIO CABRAL (DISPARADO, O MAIS CORRUPTO (DES)GOVERNADOR DOS ÚLTIMOS (INFELIZES) TEMPOS DO RJ! SEM CONTAR QUE JÁ FAZEM DUPLA HÁ TEMPOS, EM OUTROS ‘SETORES’ MENOS VISÍVEIS! POBRE brasil!

  3. O PSDB deve entender,desde logo,que por QUALQUER partido,que se candidate,a presidente Dilma já está reeleitíssima!E por favor onde está a queda de popularidade de Dilma.O que vejo nas ruas é justamente o contrário.Pessoas que não votaram nela em 2010 serão seus eleitores em 2014.

  4. Em Minas gerais, a imprensa local ainda não conseguiu encontrar ($) nenhum defeito em Aécio, desde 2002, quando eleito governador pela primeira vez. É só abrir os sites dos jornais, canais de televisão e rádios que o cidadão verá uma enxurrada de publicidades da COPASA, CEMIG, CODEMIG e da administração direta.
    TUDO AZEITADO!!!

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