Estrangeiros questionam competência dos governantes brasileiros após desabamentos no Rio

Reportagem de Josie Jerônimo, no Correio Braziliense, mostra que o desabamento dos três prédios no Rio de Janeiro provoca preocupação em outros países, que passaram a olhar com atenção o dia a dia da cidade que sediará jogos da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A tragédia levantou, de antemão, a discussão sobre a competência dos governos estaduais e federal em estruturar suas cidades.

Grandes jornais dos Estados Unidos e da Inglaterra deram destaque aos desabamentos, relacionando a tragédia aos eventos esportivos que o Brasil vai abrigar. Representante do governo municipal do Rio de Janeiro reagiu e chamou as análises de “estapafúrdias”.

O sociólogo Cezar Honorato, diretor do Observatório Urbano da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), pontua que o desabamento dos prédios foi um episódio “atípico”, mas defende uma resposta institucional à altura para limpar a imagem do Brasil no exterior e construir um legado antecipado da Copa e das Olimpíadas para os cidadãos fluminenses. “Toda tragédia repercute internacionalmente. Há órgãos dizendo que nossa engenharia é ruim. Não é o caso. Nossa engenharia segue padrões internacionais. Mas fica um pouco essa mácula.”

O diretor do Observatório Urbano da Uerj, no entanto, reconhece que outros episódios recentes mancharam a imagem da cidade. Em agosto passado, houve o descarrilamento de um bonde no bairro de Santa Teresa, onde seis pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. Nos seis primeiros meses de 2011, ainda ocorreu uma sequência de explosões em bueiros e, em outubro, uma tragédia no Restaurante Filé Carioca, no Centro, resultantes do vazamento de gás.

“A prefeitura deveria, da mesma forma que fez com os bueiros, criar uma equipe, em parceria com o Conselho Regional de Engenharia, para vistoriar cada um dos prédios mais antigos, porque eles foram construídos em uma outra realidade da cidade. Essa vistoria deveria ser feita pelo menos na parte histórica, esse é o momento. São muito mais bueiros do que prédios”, sugere Honorato.

De acordo com o especialista, em Nova York (Estados Unidos), a prefeitura tem uma rígida política de vistoria de instalações. De cinco em cinco anos, um pente-fino é realizado em todos os imóveis. Honorato afirma que os problemas estruturais das nossas cidades têm mais de 200 anos, e que dificilmente o Brasil conseguirá corrigir esse histórico de má gestão nos próximos dois anos, a tempo da Copa do Mundo.

O sociólogo aponta ainda as deficiências no transporte público e na rede de atendimento médico como preocupações imediatas para que o país não passe vergonha ao receber turistas durante a realização de jogos internacionais.

“Esses eventos têm que ser oportunidades para grandes intervenções urbanas, para a resolução de grandes problemas da cidade. Há questões históricas, como o transporte e a circulação de pessoas. A cidade já vive um colapso, mas a gente se acostumou ao colapso. É impensável no mundo contemporâneo levar duas horas da sua casa ao local de trabalho.”

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