Estratégia genial de Thomaz Bastos anula o processo do Mensalão. Ninguém será condenado.

Carlos Newton

O colunista Ibrahim Sued costumava dizer que “em sociedade tudo se sabe”. Na política, acontece a mesma coisa. De uma forma ou outra, as informações sempre acabam vazando. Às vezes até torrencialmente, como no caso do empresário-bicheiro Carlinhos Cachoeira – desculpem, mas o jogo de palavras é irresistível.

E agora, por inconfidência do próprio presidente do PT, Rui Falcão, sabe-se que a grande estratégia do PT é usar o escândalo de Cachoeira como uma das armas para retardar o julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal, que é a maior prioridade deste ano, mais importante do que as eleições municipais.

Reportagem de Catia Seabra, Felipe Seligman e Natuza Nery, da Folha de São Paulo, revela mais detalhes dessa operação-abafa do PT, ao informar que, além de pressões de políticos petistas, os ministros do Supremo também passaram, nos últimos meses, a receber outro tipo de pressão, desta vez jurídica, vinda de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula.

Contratado para defender um ex-diretor do Banco Rural que também é réu, Thomaz Bastos enviou ao Supremo uma questão de ordem para tentar mais uma vez desmembrar o processo e retardar de tal forma o julgamento, que a prescrição dos crimes será inevitável.

Aliás, como temos informado aqui no Blog da Tribuna, a prescrição já até começou a ocorrer. Em determinados crimes, os réus do Mensalão só poderão cumprir pena se a condenação for pela pena máxima, porque as penas menores já estão prescritas.

Se a estratégia de Thomaz Bastos for vitoriosa no Supremo, deixaria no tribunal apenas três réus e mandaria para a primeira instância todos aqueles réus que não têm foro privilegiado no Supremo, entre eles José Dirceu e José Genoino.

Detalhe importante: o Supremo rejeitou a tese em 2006, quando a denúncia ainda não havia sido aceita pelo tribunal e o desmembramento fora proposto pelos advogados do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, operador do Mensalão.

Mas agora Thomaz Bastos alega ter novos argumentos para defender a tese e já conseguiu convencer parte dos ministros do STF de que será preciso analisar a questão novamente antes do julgamento, vejam a que ponto vai a influência dele.

A reportagem da Folha especula também que, sob orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do processo.

Os repórteres dizem que o foco mais evidente do assédio petista é o ministro José Dias Toffoli, que foi assessor do PT e advogado-geral da União no governo Lula. Emissários do ex-presidente já fizeram chegar a Toffoli a preocupação com a possibilidade de ele se considerar sob suspeição durante o julgamento do mensalão.

“Responsável pela indicação de Toffoli, o próprio Lula passou a reclamar dele. Segundo petistas, o ministro estaria emitindo sinais trocados sobre o julgamento”, dizem os repórteres da Folha, acrescentando que Toffoli pode se declarar impedido para julgar o caso, por causa de seu envolvimento com o PT e o governo Lula, e porque sua namorada foi advogada do ex-deputado Professor Luizinho (SP), que também é réu no mensalão e hoje está afastado da política.

Bem, de tiver um mínimo de caráter e dignidade, Toffoli terá de se declarar suspeito. É o que se espera de um magistrado.

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