Estratégia não substitui conteudo da candidatura

Pedro do Coutto

Reportagem de Letícia Sander, Folha de São Paulo de 18 de setembro, revela que a estratégia da campanha de Barack Obama na Internet, Bem Self, proprietário da empresa Blue Digital, esteve há poucos dias em Brasília encontrando-se com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e dirigentes do partido. Objetivo: traçar um esquema semelhante ao de Obama para a campanha de Dilma Roussef à presidência da república. A caminhada da ministra ainda não ganhou intensidade, como demonstraram as pesquisas do Datafolha, Ibope e Sensus e o propósito, é claro, é o de fazer que ganhe altitude rapidamente. O encontro em Brasília, acentua o texto do FSP, foi articulado pelo publicitário João Santana, encarregado do marketing do governo Lula. Marketing não faz milagre e esta advertência foi colocada pelo próprio Sem Self, quando disse não acreditar numa pura e simples transferência de um plano estratégico ou tático de um país para outro. Tem que haver adaptação. Pois o sistema que funcionou num não necessariamente funciona de modo automático no outro. O tema e o diálogo levam a interpretações.

Em primeiro lugar tem que ser colocado o aspecto da empatia e simpatia da candidata, no caso. Ou do candidato, de modo geral. Obama não venceu a convenção Democrata e não foi vitorioso nas urnas de novembro por causa do marketing     incluindo a estratégia. Tornou-se vencedor em função –acredito eu- de dois aspectos essenciais. Seu desempenho pessoal, motivador, convincente e arrebatador: a superação e o esgotamento da era George Bush. O eleitorado americano cansou da administração Republicana e de sua repetição. Votou pela mudança. Obama foi o candidato antiBush e, como ele próprio afirmou, pós questão racial.Alcançou pleno êxito. Venceu e convenceu.

No Brasil, em 2002, houve um fenômeno bastante semelhante. A superação e o esgotamento da administração Fernando Henrique. Os eleitores cansaram de seu governo. O impulso para desfechar um corte político no quadro foi maior do que a importância do marketing instituído por Duda Mendonça em favor de Luis Inácio da Silva. Não que não tenha sido importante a então nova imagem do candidato. Pesou bastante. Porém pesou mais a rejeição a FHC. Aliás, como as ruas estavam sinalizando. José Serra absorveu a reação contrária que se verificou.

De uns tempos para cá, o marketing tornou-se uma expressão mágica. Pouco lógica, mas com muita magia. Influi para realçar as qualidades e os pontos fortes de uma candidatura. Mas não é capaz de substituir o conteudo concreto dela. Se fosse assim, quem tivesse mais recursos financeiros venceria. Não acontece isso. No panorama visto da ponte, hoje, não foi o governador Jose Serra que cresceu. Ele está no patamar (38% das intenções de voto) que alcançou em 2002. Foi a chefe da Casa Civil que ainda não decolou e não conseguiu captar em torno de seu nome o impulso esperado pela enorme popularidade do presidente Lula. Isso acontece. São muitos os exemplos no Brasil e em vários países. Por que ocorre?

Porque cada pessoa é uma só. Não é um produto comercial. Tem vida, tem alma, tem emoção. Possui expressão na face e nos olhos. Movimenta-se. Ri e chora, excita-se e exalta-se.Um outro universo.Estamos falando de seres humanos.Não de automóveis, cigarros, bebidas. De bancos ou lojas comerciais. O mundo possui atualmente 6 bilhões e 500 milhões de habitantes. São 6 bilhões e 500 milhões de emoções e reações diferentes. Não há um igual a outro. O ser humano, velho conhecido nosso, como dizia Nelson Rodrigues, ama e sofre. Um produto, mesmo os mais sofisticados como as estratégias para vendê-los, não tem nervos. Isso diz tudo.

ESTRATÉGIA NÃO SUBSTITUI CONTEUDO DA CANDIDATURA

Reportagem de Letícia Sander, Folha de São Paulo de 18 de setembro, revela que a estratégia da campanha de Barack Obama na Internet, Bem Self, proprietário da empresa Blue Digital, esteve há poucos dias em Brasília encontrando-se com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e dirigentes do partido. Objetivo: traçar um esquema semelhante ao de Obama para a campanha de Dilma Roussef à presidência da república. A caminhada da ministra ainda não ganhou intensidade, como demonstraram as pesquisas do Datafolha, Ibope e Sensus e o propósito, é claro, é o de fazer que ganhe altitude rapidamente. O encontro em Brasília, acentua o texto do FSP, foi articulado pelo publicitário João Santana, encarregado do marketing do governo Lula. Marketing não faz milagre e esta advertência foi colocada pelo próprio Sem Self, quando disse não acreditar numa pura e simples transferência de um plano estratégico ou tático de um país para outro. Tem que haver adaptação. Pois o sistema que funcionou num não necessariamente funciona de modo automático no outro. O tema e o diálogo levam a interpretações.

Em primeiro lugar tem que ser colocado o aspecto da empatia e simpatia da candidata, no caso. Ou do candidato, de modo geral. Obama não venceu a convenção Democrata e não foi vitorioso nas urnas de novembro por causa do marketing incluindo a estratégia. Tornou-se vencedor em função –acredito eu- de dois aspectos essenciais. Seu desempenho pessoal, motivador, convincente e arrebatador: a superação e o esgotamento da era George Bush. O eleitorado americano cansou da administração Republicana e de sua repetição. Votou pela mudança. Obama foi o candidato antiBush e, como ele próprio afirmou, pós questão racial.Alcançou pleno êxito. Venceu e convenceu.

No Brasil, em 2002, houve um fenômeno bastante semelhante. A superação e o esgotamento da administração Fernando Henrique. Os eleitores cansaram de seu governo. O impulso para desfechar um corte político no quadro foi maior do que a importância do marketing instituído por Duda Mendonça em favor de Luis Inácio da Silva. Não que não tenha sido importante a então nova imagem do candidato. Pesou bastante. Porém pesou mais a rejeição a FHC. Aliás, como as ruas estavam sinalizando. José Serra absorveu a reação contrária que se verificou.

De uns tempos para cá, o marketing tornou-se uma expressão mágica. Pouco lógica, mas com muita magia. Influi para realçar as qualidades e os pontos fortes de uma candidatura. Mas não é capaz de substituir o conteudo concreto dela. Se fosse assim, quem tivesse mais recursos financeiros venceria. Não acontece isso. No panorama visto da ponte, hoje, não foi o governador Jose Serra que cresceu. Ele está no patamar (38% das intenções de voto) que alcançou em 2002. Foi a chefe da Casa Civil que ainda não decolou e não conseguiu captar em torno de seu nome o impulso esperado pela enorme popularidade do presidente Lula. Isso acontece. São muitos os exemplos no Brasil e em vários países. Por que ocorre?

Porque cada pessoa é uma só. Não é um produto comercial. Tem vida, tem alma, tem emoção. Possui expressão na face e nos olhos. Movimenta-se. Ri e chora, excita-se e exalta-se.Um outro universo.Estamos falando de seres humanos.Não de automóveis, cigarros, bebidas. De bancos ou lojas comerciais. O mundo possui atualmente 6 bilhões e 500 milhões de habitantes. São 6 bilhões e 500 milhões de emoções e reações diferentes. Não há um igual a outro. O ser humano, velho conhecido nosso, como dizia Nelson Rodrigues, ama e sofre. Um produto, mesmo os mais sofisticados como as estratégias para vendê-los, não tem nervos. Isso diz tudo.

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