Estudo do IPEA denuncia que alta do preço dos imóveis é irrealista e insustentável

Carlos Newton

Até que enfim os analistas decidiram acordar para a gravidade da questão imobiliária. Um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que a alta dos preços de casas, terrenos e apartamentos nos últimos anos está resultando em valores irrealistas, incompatíveis com os movimentos de oferta e procura do mercado e, portanto, insustentáveis.

Os economistas Mário Jorge Mendonça e Adolfo Sachsida calculam que os preços tiveram alta de 165% na cidade do Rio de Janeiro e de 132% em São Paulo entre janeiro de 2008 e fevereiro deste ano, contra uma inflação de 25% no período. Com intervalos de tempo menores, em razão da indisponibilidade de dados mais antigos, também se constataram aumentos bem superiores à inflação em capitais como Recife, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza.

Os pesquisadores constataram a possibilidade concreta de existência de uma bolha no mercado de imóveis no Brasil, que pode estourar com a possível elevação futura dos juros. Bolhas especulativas acontecem, pela definição mais usual, quando os preços sobem simplesmente porque os investidores e compradores acreditam que os preços subirão ainda mais no futuro.

Reportagem de Gustavo Patu, na Folha, mostra que não é simples determinar se uma disparada de preços é uma bolha ou se está amparada em transformações da economia ou da sociedade. Na verdade, as bolhas só podem ser determinadas com certeza quando estouram. E é aí que mora o perigo. No caso dos imóveis brasileiros, realmente não existe justificativa para uma alta tão absurda.

Bem, este é um estudo do IPEA na gestão de Márcio Pochmann. Agora, sob comando de Marcelo Neri, o economista que inventou a tal classe média com renda familiar de R$ 1,2 mil, tudo pode piorar.

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