Eu não vou fugir do Brasil, diz Dirceu à Folha de S. Paulo.

Em entrevista a Monica Bergamo, da Folha de São Paulo, o ex-deputado José Dirceu afirma que, seja qual for a decisão do Supremo Tribunal Federal, não vai fugir do Brasil. O julgamento entra na reta final. A condenação de Dirceu parece certa. Até seus interlocutores próximos admitem a possibilidade. As penas máximas para os crimes de que é acusado chegam a 15 anos. A Folha revelou que ele já conversou com o ex-presidente Lula sobre a hipótese de ser preso.

Os principais trechos de suas declarações são os seguintes:

* “Eu não estou deprimido. Eu não tenho razão para estar deprimido. Eu tenho objetivos, metas, sonhos. Eu acordo às seis da manhã todos os dias. Recebo o resumo das notícias que a equipe do meu blog envia. Eles já sabem o que me interessa. Estão comigo há cinco anos. Funcionamos por telepatia.”

* “Isso daí [resultado do julgamento] vai demorar dois meses para acontecer. Vou ser julgado por corrupção ativa no fim do mês ou no começo de outubro. Em mais quatro semanas, serei julgado por quadrilha. Por que vou sofrer por antecipação? Na hora em que acontecer, vou ver o que fazer.”

* “Eu fiz a contraprova. Eu sou inocente. Eu confio na Justiça.” Ele diz saber que, mesmo absolvido, “isso não vai acabar. Em sete anos [desde que estourou o escândalo], eu não tive a presunção da inocência. Por que vou ter a ilusão de que isso vai ocorrer, mesmo que eu seja considerado inocente pelo Supremo?”

* “A expectativa que eu tenho? Eu fui cassado pela Câmara dos Deputados [em 2005] sem provas. De lá para cá, eu sofri um linchamento como corrupto e quadrilheiro. Eu estou preparado para qualquer resultado.”

* “E não vou deixar de fazer o que sempre fiz, que é lutar. É ilusão achar que eu vou… não faz parte da minha personalidade eu me abater. Se alguém tem a ilusão de que, me condenando, cometendo essa violência contra mim, vai me derrubar, pode tirar o cavalinho da chuva.”

* “Essa história que inventam de que vou sair do Brasil não combina comigo. Saí [na década de 60] porque fui expulso do país. Cassaram a minha nacionalidade. Eu era um apátrida, não podia viajar. Quem me impedia de voltar era a ditadura militar. E mesmo assim eu voltei para o Brasil, duas vezes, colocando a minha própria vida em risco. Eu iria embora agora?”

* “O PT tem defeitos. Mas se tem algo que não conhecemos no PT é a palavra covardia. A chance de eu fugir do Brasil é nenhuma. Zero.”

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