Eu sonhei que tu estavas tão linda, numa festa de raro esplendor…

Francisco Mattoso, um compositor de raro talento

O advogado, pianista e compositor Francisco de Queirós Mattoso (1913-1941), nascido em Petrópolis (RJ), é autor de grandes clássicos da música popular brasileira, entre eles, a valsa “Eu sonhei que tu estavas tão linda”, feita em parceria com Lamartine Babo, gravada por Francisco Alves, em 1941, pela Odeon. A belíssima letra da valsa mostra os detalhes do sonho de um ansiado romance que jamais ocorreu.

EU SONHEI QUE TU ESTAVAS TÃO LINDA
Lamartine Babo e Francisco Mattoso

Eu sonhei que tu estavas tão linda
Numa festa de raro esplendor,
Teu vestido de baile lembro ainda:
Era branco, todo branco, meu amor ! . . .
A orquestra tocou umas valsas dolentes,
Tomei-te aos braços, fomos dançando, ambos silentes
E os pares que rodeavam entre nós,
Diziam coisas, trocavam juras a meia voz

Violinos enchiam o ar de emoções
E de desejos uma centena de corações
P’ra despertar teu ciúme, tentei flertar alguém,
Mas tu não flertaste ninguém ! . . .
Olhavas só para mim,
Vitórias de amor cantei,
Mas foi tudo um sonho, acordei! . . .

                 (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

6 thoughts on “Eu sonhei que tu estavas tão linda, numa festa de raro esplendor…

  1. 1) Eu gosto é desse tipo de música, que resgata a Memória Musical Brasileira.

    2) Ouvia diariamente a antiga Rádio Nacional.

    3) Letra selecionada belíssima. Cada canção faz lembrar uma História.

    4) Licença: em 3 de agosto de 1643 morre no Recife, o impressor Pieter Janszoon, deixando sem uso o prelo que Maurício de Nassau trouxe da Holanda. Portugal não queria imprimir livros na Colônia.

    5) Fonte: BN, Agenda, 1993.

  2. Dançar a dois era bom demais. No clube perto de casa havia bailinho no final de semana.

    Havia também os bailes de aniversário. Na minha casa, na casa da Ana Maria, e as festas de formatura.

    Meus pais afastavam os móveis do centro da sala e o Zé, que foi locutor de rádio quase a vida toda, tomava conta dos discos. Era tempo de cera no chão, os tacos ficavam todos arranhados no dia seguinte. Mas quem ligava?

    Zé foi locutor da Rádio Tamoio, fez aquele programa… ‘Músicas na Passarela’, em que se pedia a música pela cor. Música rosa, música azul…
    Zé não está mais entre nós. Tinha voz belíssima, um dom daqueles!

    Dançar foi uma das coisas boas da vida. Dançava-se em tudo que era festa. Do mesmo jeito dois pra lá dois pra cá de que nos fala Aldir Blanc em sua música.

    Não me lembro de ter dançado esta música do Lamartine em especial, que minha mãe cantarolava bastante e acho que o Brasil inteiro conhece de cor.

    Lamartine foi um fenômeno. Como podia passar de um valsa como esta aos ótimos hinos dos clubes de futebol? Creio que fez todos eles, até mesmo o do América (“Hei de torcer, torcer, torcer”…), time pelo qual, se não me engano, torcia o Chico Anísio. Mas aqui em casa só tocava o do Flamengo, time do meu ex e do meu filho.
    Lamartine tinha parentes importantes. Mas isto já é outra história.

    • “Dançar a dois era bom demais. No clube perto de casa havia bailinho no final de semana.
      Havia também os bailes de aniversário. Na minha casa, na casa da Ana Maria, e as festas de formatura.
      Meus pais afastavam os móveis do centro da sala e o Zé, que foi locutor de rádio quase a vida toda, tomava conta dos discos. Era tempo de cera no chão, os tacos ficavam todos arranhados no dia seguinte. Mas quem ligava?
      Zé foi locutor da Rádio Tamoio, fez aquele programa… ‘Músicas na Passarela’, em que se pedia a música pela cor. Música rosa, música azul…
      Zé não está mais entre nós. Tinha voz belíssima, um dom daqueles!
      Dançar foi uma das coisas boas da vida. Dançava-se em tudo que era festa. Do mesmo jeito dois pra lá dois pra cá de que nos fala Aldir Blanc em sua música.
      Não me lembro de ter dançado esta música do Lamartine em especial, que minha mãe cantarolava bastante e acho que o Brasil inteiro conhece de cor.
      Lamartine foi um fenômeno. Como podia passar de um valsa como esta aos ótimos hinos dos clubes de futebol? Creio que fez todos eles, até mesmo o do América (“Hei de torcer, torcer, torcer”…), time pelo qual, se não me engano, torcia o Chico Anísio. Mas aqui em casa só tocava o do Flamengo, time do meu ex e do meu filho.
      Lamartine tinha parentes importantes. Mas isto já é outra história.”
      Ofélia,
      Que beleza de texto.
      Cronica leve,em um tempo de tantas desgraças.
      Identifiquei plenamente nesta sua singela e bela narrativa.
      Me vi como participante dessa agradável reunião,provávelmente dos inesquecíveis anos 60.
      Como dizia o poeta:”Viver é uma saudade prévia!”
      Parabéns e escreva,SEMPRE,MAIS E MAIS,textos como este.
      E eu plagiando Fernando Pessoa,digo:
      Leveza é preciso!

      • Obrigada, Werneck, nós vamos sair das desgraças de que você fala.
        Hoje, ao ver jovens enrolados na bandeira verde e amarela, me arrependi de ter criticado o Paes.

        Está tudo tão bonito… Precisamos de festa à brasileira. De tudo à brasileira, bem do nosso jeito. Que o brasileiro é um povo e tanto.

  3. Uma das mais lindas valsas de Lamartine Babo que conheço. Penso eu, que a primeira gravação foi a de Carlos Galhardo – o Rei da Voz. Depois outros gravaram-na, como Altemar Dutra, Eduardo Dusek, Francisco Petrônio, Oswaldo Montenegro. Portanto, uma valsa eterna gravada pela velha guarda e por novos cantores. Lembro uma festa de Colégio em que havia uma barraca só de músicas que os rapazes ofereciam às meninas de um modo geral, porque podia também os moços serem distinguidos com música. Mas havia muitos sonhadores que se amarraram em “Sonhei que tu estavas tão linda” e em “Fascinação”, ambas com Galhardo. O casal de “Fascinação”, terminou a festa enamorados. Ao contrário de Ofélia, dancei muitissimo esta linda valsa.

    • Lá atrás, Carmen, você falou no seu coração oitentão. Eu ainda estou a caminho da porta dos 70, na qual vou bater em meados de setembro.

      Vem daí, dessa diferença, talvez, o fato de você ter dançado o que não dancei.

      Mas quer saber? A música não está nem aí pra isso.

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