Eu também era contra a pena de morte

Francisco Vieira

Eu era contra a pena de morte.  Era… Até o dia em que, no Instituto Médico Legal de Brasília pude ver, sobre uma bandeja metálica, o que um ESTUPRADOR foi capaz de fazer com uma mulher usando UMA TRANCA DE VOLANTE, daquelas feita de vergalhão de aço e que prende o volante ao pedal do acelerador! Estuprar só não foi suficiente para ele!

Embora tenha passado vários anos, nunca pude esquecer a cena.

E duvido que nossos magistrados, mesmo com todos os erros da nossa Justiça, executem tantos inocentes quanto os bandidos estão executando atualmente! Das 50 mil execuções anuais, quantas são de inocentes? Quantas eram crianças e jovens com toda uma vida pela frente?

No Youtube tem a filmagem de um assalto em uma loja de conveniência, nos Estados Unidos, onde o assaltante empunha uma arma de fogo. Acontece que A VÍTIMA REAGE e se atraca com o bandido. Entretanto, este consegue se desvencilhar e, ao contrário do que faria na REPÚBLICA DA IMPUNIDADE, sai correndo com a arma na mão, pois sabe que o país onde ele mora é sério e que se ele matasse o comerciante pegaria a pena de morte ou a prisão perpétua… Sem direito a fazer sexo na cadeia.

Veja, ainda, parte de uma reportagem do Correio Brasiliense do ano passado:

“REINCIDENTES RESPONDEM POR 81% DOS HOMICÍDIOS REGISTRADOS NO DF
Entre 24 e 30/09/12, o número de homicídios se manteve estável em relação à média das últimas semanas – 16 assassinatos. De acordo com balanço da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) , em 88% das mortes, os suspeitos usaram armas de fogo e em 81% das ocorrências, as vítimas tinham antecedentes criminais.”

PS – Acho que foi Confúcio quem disse que “sob a forma humana, se escondem muitos animais!”

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9 thoughts on “Eu também era contra a pena de morte

  1. Se a pena capital, pena de morte, resolvesse o problema da criminalidade, os países que adotaram esta monstruosidade estariam livres dos crimes.
    A justiça falha, erros em processos judiciais pululam, e só os pobres e miseráveis seriam condenados.
    Os homens mudam, e criminosos hediondos podem recuperar, podem se converter ao bem. A história demonstra os meus argumentos.
    Pena de morte é um erro, uma falha moral.

  2. Senhores,

    Vejam esta reportagem da Agencia Efe, de 2012:

    “JAPÃO ENFORCA DOIS PRESOS CONDENADOS À MORTE POR ASSASSINATOS
    Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, ministro da Justiça do Japão, Makoto Taki, destacou a “atrocidade dos crimes”
    O Japão executou nesta quinta-feira dois presos condenados à morte, entre eles uma mulher. Com estas duas execuções, aumenta para sete o número de vezes que a pena capital foi aplicada no país em 2012, informou a agência Kyodo.
    No início de agosto, outros três prisioneiros foram executados no Japão, que junto com os Estados Unidos são os únicos dois países industrializados e democráticos que ainda aplicam a pena de morte.
    Sachiko Eto, uma curandeira de 65 anos da cidade de Fukushima, foi executada na forca em Sendai por ter batido em seis “pacientes” durante um ritual de exorcismo até eles morrerem. O segundo condenado foi Yukinori Matsuda, de 39 anos, enforcado em Fukuoka por roubar e matar a punhaladas um casal em outubro de 2003.
    Em entrevista coletiva concedida em Tóquio, o ministro da Justiça, Makoto Taki, destacou a “ATROCIDADE DOS CRIMES” e confirmou que atualmente estão no corredor da morte no Japão outros 131 réus.”
    Senhores,
    Quando se mata um lobo, se poupa a vida de dezenas de ovelhas, pois os lobos se alimentam destas!

    Vejam agora parte de um artigo do diplomata Alexandre Vidal Porto, publicado na folha de São Paulo, intitulado O Japão e o crime:

    A JUSTIÇA PENAL SEVERA É DETERMINANTE PARA A BAIXA CRIMINALIDADE NO JAPÃO, ONDE NÃO SE TOLERA O CRIME
    Os índices de criminalidade no Japão são dos mais baixos entre os países desenvolvidos. Segundo relatório divulgado pelo Ministério da Justiça local, o total de crimes cometidos no país apresenta queda pelo nono ano consecutivo.
    Em termos de qualidade de vida, isso faz diferença. NA NOITE EM QUE COMEÇARAM A QUEIMAR ÔNIBUS EM FLORIANÓPOLIS, EU SAÍ PARA JANTAR COM AMIGOS EM TÓQUIO.
    Enquanto, no Brasil, pessoas se trancavam em casa com medo da violência, eu caminhava sozinho, na madrugada, por um dos maiores parques da cidade. CRUZEI COM ATLETAS NOTURNOS E CASAIS NAMORANDO NOS BANCOS. TODOS TRANQUILOS.
    Percebi que, NAQUELA NOITE, EXPERIMENTAVA UM PRAZER QUE OS BRASILEIROS DE MINHA GERAÇÃO NÃO TINHAM MAIS. No Japão, a Justiça penal severa é fator determinante para a baixa criminalidade. Mais de 90% dos processos criminais iniciados acabam em condenação.
    Tal severidade é criticada por organizações de direitos humanos. Mas a noção de que o criminoso tem uma dívida com a sociedade e deve pagá-la é arraigada. A população japonesa é intolerante com o crime.
    Cerca de 85% são a favor da pena de morte. Neste ano, até o momento, sete pessoas foram executadas pela Justiça do país.
    As condições nos presídios são consideradas dignas. Não há problema de superlotação.
    Porém o regime disciplinar é draconiano. Existem regras sobre a utilização de banheiros e a arrumação das celas. Todos os horários dos presos são cronometrados. Visitas de familiares e comunicação com o mundo exterior são limitadas e monitoradas. Violações são punidas com rigor.”
    Índice de homicídios no “País Monstro, Bárbaro e Atrasado”: 0,4/100.000; Índice de homicídios no Brasil, país “Evoluido”: 21/100.000.

    ENQUANTO ISSO, NO BRASIL:
    Em maio de 2006 uma onda de ataques ordenada pelos líderes do PCC deixaram quase 500 civis e 50 servidores mortos.
    ORA, se os líderes (todos sabidamente assassinos) dessa FACÇÃO TERRORISTA (peço, de antemão, perdão para os representantes dos direitos humanos por usar essas palavras fortes!) tivessem sido executados depois da prisão, teriam sido poupadas pelo menos quinhentas vidas! Ao contrário do que se apregoa, A PENA DE MORTE SALVA VIDAS!

    Mas, não!
    É PRECISO RECUPERÁ-LOS TODOS, mesmo que, para isso tenham que morrer milhares de homens, mulheres e crianças inocentes!
    Posteriormente, em 2012, mais de 90 policiais militares, da ativa e da reserva, foram assassinados e, segundo apurou a BBC Brasil na época, os assassinatos se deram por ordem da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), seguidos de outras mortes na mesma região dos ataques, sinalizaram sinais de uma onda de crimes de vingança contra os policiais, a maioria dos policiais sofreu emboscadas durante seus horários de folga. A ordem era, segundo divulgado na época, matar os policias na frente da família!

    Vejam esta outra reportagem do jornal Zero Hora:
    JORNAL ZERO HORA, 2012
    Humberto Trezzi | São Paulo
    Policiais paulistas estão sendo assassinados por quantias ínfimas. Meros R$ 600 ou R$ 850, devidos por alguma quadrilha ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminal dos presídios brasileiros. Isso não é teoria, mas realidade, comprovada em investigações.
    A possibilidade de que dívidas na compra de drogas ou armas sejam anistiadas pela facção, mediante o assassinato de policiais, foi flagrada por promotores de Justiça do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
    Em telefonemas desde uma penitenciária do oeste daquele Estado, grampeado pelo Ministério Público, bandidos lembram a quadrilheiros a necessidade de pagar a mensalidade do Partido do Crime (como é chamado o PCC). Uma das formas, para os que estão na rua, é matar policiais.
    É por isso que DROGADOS EM DÍVIDA podem estar por trás da onda de assassinatos que já ceifou a vida de 90 PMs, três agentes penitenciários e dois policiais civis este ano. Grande parte das mortes é encomenda do PCC, apontam investigações.
    Um dos que ordenaram a morte de seis policiais militares é Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, que passou a outros presidiários bilhetes encomendando o assassinato de integrantes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da PM paulista.
    Tiriça, que está trancafiado em cela isolada em Presidente Bernardes, em presídio a mais de 600 quilômetros da capital paulista, quer vingança por duas matanças cometidas por policiais da Rota este ano. A primeira, em agosto, quando seis assaltantes foram metralhados ao tentarem explodir caixas-eletrônicos em um supermercado. A outra, em setembro, quando a tropa de elite matou nove criminosos que se preparavam para “julgar” um suspeito de estupro, em Várzea Paulista (Grande São Paulo).
    A grande prova material contra os atentados praticados pelo PCC veio em 30 de outubro, quando a PM localizou o que chamou de “central de espionagem” do Partido do Crime em Paraisópolis, uma das maiores favelas paulistanas. Foi localizada uma mala com anotações feitas pelo bando de Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, um dos líderes do PCC. Ela estava recheada com cadernos nos quais havia nomes, endereços e hábitos de policiais civis e militares.
    Ficou comprovado, pelos manuscritos, que os policiais eram seguidos por criminosos, que sabiam o percurso dos agentes e até seus hábitos, como jogo de futebol e sinuca. A motivação para os assassinatos é diversificada. Alguns policiais seriam eliminados por atrapalhar, no serviço, ações do PCC. Outros, por estarem envolvidos na morte de integrantes da facção. E, conforme investigações, alguns por cobrarem suborno em área controlada pelo Partido do Crime. Um quarto grupo é composto de policiais de rua, que seriam eliminados por serem alvos fáceis e como retaliação, aleatória, contra outros agentes que prejudicaram o PCC.
    A apreensão da lista só aconteceu porque a comunidade foi tomada pelos policiais militares, num cerco denominado Operação Saturação. Ela ocorre em quatro regiões da periferia da Capital e Grande São Paulo.

    -50.000 execuções anuais feitas pelas mãos dos bandidos. Se fossem feitas pelas mãos do Estado, por mais corrupta, falha, errada e ineficiente que fosse a nossa justiça, pelo menos seriam poupadas as crianças!

    Abraços.

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  4. Os números apresentados são eloquentes, mas com a justiça e infraestrutura policial investigatória existente no Brasil, é inviável ter pena de morte. Não haveria qualquer garantia de que réus condenados a morte fossem realmente culpados dos crimes a eles imputados.

    O código penal é brando sem dúvida, mas muito pior é termos um sistema judiciário corrupto, inepto, inapto e subserviente aos interesses dos poderosos.

  5. Sou a favor da pena de morte para corrupção. qualificá-la como crime hediondo é pouco. Uma caneta na mão de um político corrupto mata mais do que arma de fogo. Mata nos hospitais; mata nas rodovias esburacadas; mata na falta de verbas para polícia; mata de desgosto um pai de família que não vê seu filho tendo uma educação de qualidade; etc.

  6. Uma vida nao tem preco e quem tira a vida de outro por motivos futeis deve pagar com a sua. O problema eh que no Brasil as leis alem de brandas nao sao aplicadas com o rigor e a celeridade que a sociedade espera.
    Se a Justica fosse atuante muitos criminosos em potencial desistiriam de cometer o delito temendo a punicao que necessariamente nao seria a Pena Capital. A vigencia de um sentimento de abrandamento de pena e impunidade atua como uma especie de tolerancia com a criminalidade.

  7. A pena de morte não é medida de redução da criminalidade, a pena de morte é uma punição para retirar o criminoso do convívio social. O nome já diz, pena máxima, isso é didaticamente uma maneira encontrada para resolver não os males do mundo, mas o dano causado pelo agente infrator que não tem condições de conviver em sociedade. As sentenças dadas aos criminosos são para inibi-los de cometerem novos crimes, existe porém crimes que a única reparação ou é a prisão perpétua ou a execução.
    No Brasil, todas as medidas feitas para a redução da criminalidade são ações inócuas que acabam incentivando a barbárie. São feitas para dar proteção ao criminoso, e não punição. A combinação dessa formula, reflete por tabela nas ações delituosas praticadas pelos criminosos do colarinho branco, congressistas e políticos afins, num vale tudo sem ordem e sem leis coercitivas para inibir a reincidência delitiva.

  8. Outro dia vi na TV de SP. um bandido esfaquear uma mulher e matá-la, ele se entregou na delegacia 24 hs. após o fato junto com um advogado, e ele foi solto por não apresentar ameaça?? Mas tinha uma câmara de vídeo que filmou ele esfaqueando pelas costas??
    Não acho que devamos ter pena de morte, temos que mudar este código penal, um aspecto a ser mudado, é que se a pessoa não for presa em flagrante, possa ser liberada.
    A pessoa tem que ser presa por ter cometido um ato infracional e por isso deve pagar uma pena, um castigo. E não ser solta por não apresentar ameaça ao andamento do processo. Aí o processo leva anos para ser efetivado…

  9. Nunca fui contra a pena de morte. Menos ainda ao longo do tempo. E menos ainda agora, quando matar atrozmente parece virou moda entre os bandidos. Mas sou favorável a que os bandidos ficassem numa espécie de corredor da morte como banco de órgãos.
    Quando os hospitais e clínicas conveniadas precisarem de um órgão humano, lá estariam à disposição dos necessitados partes dos ex-bandidos, agora convertidos em salvadores. Seria uma forma de dar utilidade prática ao assassínio estatal.
    Mas, é claro: para ser executada a pena capital seria necessária a certeza absoluta da prática delituosa e das circunstâncias em que cometido o crime.

    Hoje em dia, com câmeras espalhadas pelas cidades, o ritual processualístico penal cheira a mofo. São previsões legais de um tempo em que a máquina de escrever era a última das invenções. Tempo em que os crimes causavam comoção. Hoje, assistimos diariamente a um desfilar de maldades que não se justificam sequer pela fome ou pela miséria. São atrocidades incogitáveis de serem praticadas pelos chamados animais irracionais. Que esperar de uma pessoa (?) capaz de estuprar a própria filha, de 2 ou 3 anos, que esperar de um imbecil que atira num garoto, em pleno assalto, só porque chorou?

    É verdade que nem todo assassinato é bárbaro. Por vezes, é um mero crime. O afligido, o humilhado, que um dia, muitas vezes contra sua própria índole, é tomado de violenta emoção, não se compara a esses praticantes de crimes que temos visto.

    Nem todo assassinato é bárbaro. Menos ainda o estatal.

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