EUA precisam de um líder como Putin, diz analista americano

Sergey Guneev
Sputnik News

O analista político norte-americano Caleb Maupin afirma que os EUA precisam desesperadamente de um líder do calibre de Vladimir Putin e traçou um paralelo entre o russo e os ex-presidentes de seu país Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt. Caleb conta, em New Eastern Outlook, que o desmantelamento da URSS, no regime de Boris Yeltsin, teve conseqüências catastróficas para a Rússia e para os países vizinhos. Ele conta que ficaram oscilando à beira do caos econômico e político. “Este foi o momento em que Vladimir Putin apareceu para liderar o país.”

“Putin é absolutamente russo, e seu estilo de liderança lembra a história vibrante e original de seu país. No entanto, alguns aspectos-chaves de seu estilo de liderança não são estranhas para os EUA. Dois líderes, Abraham Lincoln e Franklin Delano Roosevelt, poderiam certamente serem descritos como ‘putinistas’, se tal coisa como o ‘Putinismo’ existe”, frisa Maupin.

Com efeito, durante os primeiros oito anos da administração Putin, a ordem foi completamente restaurada, o salário médio mais do que duplicou, o desemprego caiu drasticamente, enquanto a produção industrial aumentou em 125%.

Além disso, “entre 2007 e 2014, o Produto Interno Bruto da Rússia aumentou de US$ 764 bilhões para US$ 2,097 trilhões”, observou o analista, lembrando que, em grande parte, com o mesmo espírito, em meados de 1800, Abraham Lincoln mobilizou o país para lutar contra os senhores de escravos e restaurar a ordem econômica e política.

WALL STREET

“Tanto os oligarcas russos que se opõem a Putin e os senhores de escravos que se opuseram a Lincoln tinham um poderoso aliado: Wall Street”, comenta Caleb Maupin. Como o líder russo, explica o analista, Abraham Lincoln não era um marxista ou um socialista, mas um grande crítico dos capitalistas que se recusaram e não estavam dispostos a arcar com o ônus da responsabilidade social e financeira. Por outro lado, o estilo de gestão de Putin tem muito em comum com a de Franklin Delano Roosevelt, o presidente 32 dos EUA.

“Em 1933, Franklin Delano Roosevelt assumiu o cargo, bem como Putin, com o seu país em um estado de ruína econômica, o recuperando dos efeitos da quebra de 1929 do mercado de ações. Como Putin, Roosevelt mobilizou o setor governamental para resgatar a economia. Roosevelt aprovou a Lei Glass-Steagall, impedindo que os banqueiros jogassem com o dinheiro de outras pessoas. Roosevelt começou a tributar fortemente as pessoas mais ricas dos EUA, usando os fundos para contratar os desempregados”, enfatiza Maupin.

Assim como Roosevelt e Lincoln, Putin está sob fortes críticas da plutocracia ocidental, sendo ao mesmo tempo muito popular entre seu povo. Atualmente, o presidente russo está liderando a luta contra o Estado islâmico na Síria. No entanto, o envolvimento da Rússia no país árabe não é suportado pela elite política de Washington, que vem travando sua guerra “perpétua” contra o terror no Oriente Médio por décadas.

ESTADO ISLÂMICO

Segundo Maupin, a realidade é que a classe dominante dos EUA não tem interesse em derrotar o Estado Islâmico. “O verdadeiro objetivo da política norte-americana na Síria, desde muito antes de 2011, tem sido sempre o de derrubar a República Árabe da Síria, um país estável, anti-imperialista e com uma economia fortemente planejada.”

O Estado Islâmico surgiu como uma facção terrorista antigoverno que foi financiado pelos EUA e pelas monarquias do Golfo, explica o analista norte-americano. Os ataques aéreos de Washington contra o grupo jihadista foram “praticamente sem sentido” e completamente ineficazes, avalia Maupin. Além disso, eles foram lançados sem a permissão do governo sírio, o único representante legítimo do povo sírio.

Em contraste, a Rússia entrou em cena em resposta ao pedido oficial de Damasco e, portanto, o seu envolvimento nos assuntos sírios não pode ser chamado de “intervenção”. A Força Aérea da Rússia está ajudando o Exército sírio em batalhas contra terroristas estrangeiros, “importados para o seu país com a ajuda de Arábia Saudita, Jordânia, Turquia, Qatar, França, Grã-Bretanha e os EUA”, frisa o analista.

QUALIDADES AMERICANAS

“Putin é um líder que está reunindo o mundo em torno da batalha para melhorar a vida das pessoas, derrotar o terrorismo e levantar-se diante de tanto mal, a elite rica bancária global”, explica Maupin.

Essas qualidades de liderança demonstrada por Vladimir Putin “não são estrangeiras” para os EUA, observou o jornalista, acrescentando que ele espera que essas qualidades emerjam na América de alguma forma, mais uma vez. “Outro líder do calibre de Roosevelt, Lincoln e Putin é desesperadamente necessário nos EUA.”

(artigo enviado pelo comentarista Carlos Cazé)

17 thoughts on “EUA precisam de um líder como Putin, diz analista americano

  1. Incrível, que artigo esclarecedor. Sem a menor acusaçao possível de ser “comunista” desmascara os EUA. e ainda faz comparacões com dois bons presidentes americanos. Muito bom.

  2. Acordos’ ‘comerciais’ ‘Trans’
    19.10.2015

    ‘Acordos’ ‘comerciais’ ‘Trans’.

    “Todos os jornais nacionais britânicos são hoje de fato verdadeiros guardiões dessa mesma pequena aristocracia nacional (…), contra o interesse público. – Existem para proteger aquela aristocracia contra o interesse público (porque existem para enganar a opinião pública, como fazem colunistas como Polly Toynbee).”

    Recentemente, apareceu a questão dos lucros que passariam a fluir para empresas internacionais graças aos ‘acordos’ ‘comerciais’ propostos por Obama, que encorajam a privatização de serviços sociais hoje administrados pelo Estado, e a extinção dos sindicatos de trabalhadores. Infelizmente, a coisa foi apenas lembrada de passagem, por Polly Toynbee, colunista do Guardian. OK. Melhor que nada.

    A colunista é neta do famoso historiador britânico Arnold Toynbee. A perspectiva dela sobre o tema parece estar em perfeita harmonia com a das grandes empresas da Grã-Bretanha – sempre empenhadamente favoráveis à Parceria Transatlântica para Comércio e Investimento [ing.Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP) – a proposta de ‘acordo’ para comércio e investimentos que Obama apresentou à UE], e também a a Grã-Bretanha ser incluída na UE (e ao tal ‘acordo’ proposto por Obama).

    Na Grã-Bretanha, o número de famílias da aristocracia e que servem à aristocracia (o pessoal que administra as empresas internacionais e que trabalham para aquelas famílias), são poucos em números, de tal modo que os indivíduos que alcançam alguma voz pública (por exemplo, empregando-se como colunista no Guardian), tendem a ser bem avaliados pela aristocracia que, em termos gerais, é avessa a democracias.

    Na coluna mais recente, Toynbee critica os que se opõem à Parceira Transatlântica de Obama e a os britânicos se integrarem à UE, chamando-os de populistas “eurofóbicos”, gente que “desavergonhadamente” se opõe à UE e à tal ‘parceria’ de Obama.

    Em sua coluna, ela apresenta o interesse público como principal problema – interesse público, para ela, basicamente, são os interesses de gangues mafiosas controladas por demagogos -, e a aristocracia como a solução. A atitude dela ante a democracia (tudo que seja público) é idêntica à de Barack Obama, como ele a expressou privadamente dia 27/3/2009, a altos executivos de Wall Street reunidos na Casa Branca:”Meu governo é a única coisa entre vocês e a forca (…) Quero ajudar (…) Estou protegendo vocês” da tal “forca”. Também para Obama, democratas seriam em tudo iguais aos “desavergonhados eurofóbicos” de Toynbee. Nas duas versões, os operadores financeiros empresariais internacionais são os verdadeiros heróis; e o público que se oponha ao que eles fazem não passa de leva de idiotas perigosos que têm de ser controlados.

    Recente artigo de Toynbee, do dia 12 de outubro, sobre a integração entre europeus pró-adesão-à-UE e europeus pró-mega-empresas discute a resistência, na opinião pública, contra o mais recente esforço do deputado britânico Alan Johnson, pró-UE, para promover a tal ‘parceria’TTIP de Obama:

    “A Parceria Transatlântica para Comércio e Investimento (Transatlantic Trade and Investment Partnership, TTIP) é outra linha vermelha para alguns da esquerda. Johnson acaba de visitar Bruxelas e está convencido de que nunca haverá tribunais comerciais secretos, e de que outros países, com setores públicos maiores que o inglês [p. ex., França, Dinamarca, Suécia] jamais permitirão que os serviços públicos europeus sejam capturados por empresas dos EUA”.

    Johnson é ex-membro do Gabinete do governo do primeiro-ministro Tony Blair – de fato, foi secretário da Saúde e também secretário da Educação; é pois sujeito que sabe de muitas coisas sobre o vastíssimo patrimônio a ser privatizado, se e quando, por exemplo, o Serviço Nacional de Saúde Pública da Grã-Bretanha vier a ser destripado e vendido em liquidação a empresas transnacionais. – Agora, Johnson dedica-se a argumentar que, sabe-se lá como, o presidente dos EUA só assinará essa ‘parceria’ TTIP porque o cérebro e o coração da coisa (que estão congelados dentro do corpo, e só voltarão a funcionar depois que se impuserem regulações democráticas às empresas internacionais)foram arrancados; e a coisa só tem braços e pernas (com uma bexiga legal associada). Para Toynbee,

    “[Mas] há alarme no ar entre pró-europeus de todos os tipos. Longe vão as pressuposições complacentes de que o status quosempre vence referendos, de que o medo do desconhecido supera a novidade, ou de que o dinheiro sempre derrota os ideais. O vento parece estar soprando para mar alto, com claras mudanças nas tendências de opinião. Por mais que tentem esconder o óbvio, o crescimento hoje de um novo modelo conservador, que é simultaneamente contra a parceria TTIP e contra a União Europeia, é o retrato de um establishment que reage contra qualquer mudança. Aí estão o Big business, as grandes lojas, easyJet, as universidades e a polícia. O prospecto da Escócia separada ou a situação no Norte da Irlanda com certeza fazem, de sair da UE, a opção de mais alto risco. E quanto à Rússia? Será que a autopreservação e o bom-senso econômico farão prevalecer o establishment?”

    Se a verborragia da moça vem tão carregada de pressupostos, que nem sobra espaço para demonstrar a validade de qualquer deles (por exemplo, o pressuposto de que a ‘parceria’ TTIP seria basicamente benigna, e de que a UE não foi concebida por fascistas), é porque os pressupostos dela são falsos, e porque competência não é requisito básico para o sucesso, na cultura na qual ela opera.

    Na Grã-Bretanha, o número de famílias na aristocracia e que servem à aristocracia é suficientemente pequeno para que qualquer pessoa que chegue a ser colunista nos grandes veículos da imprensa-empresa seja logo bem vista pela aristocracia; e tudo que os aristocratas exigem é que a tal pessoa apoie a agenda da aristocracia.

    Polly Toynbee é neta do famoso historiador britânico Arnold Toynbee. A perspectiva dela no assunto das ‘parcerias’ de Obama parece estar exatamente de acordo com a das grandes empresas britânicas. É o que basta para que ela ganhe uma coluna no Guardian.

    Todos os jornais nacionais britânicos são hoje de fato verdadeiros guardiões dessa mesma pequena aristocracia nacional – ou, no mínimo, de alguma de suas facções, as quais, todas, se unem às demais contra o interesse público -, e existem para proteger aquela aristocracia contra o interesse público (porque existem para enganar a opinião pública, como fazem colunistas como Polly Toynbee).

    Assim sendo, ela lida apenas muito superficialmente das objeções, (“Johnson acaba de visitar Bruxelas e está convencido de que nunca haverá tribunais comerciais secretos, e de que outros países, com setores públicos maiores que o inglês [p. ex., França, Dinamarca, Suécia] jamais permitirão que os serviços públicos europeus sejam capturados por empresas dos EUA”, como escreveu no Guardian). Mas… como ela sabe disso? Ora, ela não sabe, nem está interessada em saber. E todos esses problemas reais são simplesmente varridos para longe, para que ela possa manifestar a esperança de que “o fogo divino incendeie aqueles que [como Alan Johnson] tentam convencer o próprio lado”.

    Afinal o público tem de ser comandado. Essa gentinha é tãoindisciplinada, tsc-tsc!!*****

    [1] Historiador e jornalista, Eric Zuesse é autor, recentemente, de They’re Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, e deCHRIST’S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.

  3. O confronto OTAN-Rússia na Síria
    09.10.2015

    O confronto OTAN-Rússia na Síria.

    Um Su-30 entra uns poucos metros no espaço aéreo turco, por apenas dois minutos sobre a província Hatay, e volta ao espaço aéreo sírio logo que foi alertado por dois F-16s turcos.

    A OTAN, como se podia prever, veio com todas suas armas retóricas engatilhadas. A Rússia está causando “perigo extremo” e deve parar imediatamente de bombardear aqueles ‘rebeldes moderados’ bonzinhos que a coalizão dos oportunistas safados tanto se esforça para não bombardear.

    Mas, calma! A OTAN está atualmente ocupada demais para ir à guerra. A prioridade até pelo menos novembro é a épica operação Trident Juncture 2015; 36 mil soldados de 30 estados, mais de 60 navios de guerra, cerca de 200 aviões, todos treinando seriamente como defender-se do proverbial “Os Russos Estão Chegando!”

    Mesmo assim, o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu – aquele, o da antiga doutrina de “zero problemas com os nossos vizinhos” – realmente “alertou” Moscou de que, na próxima, Ancara responderá “militarmente”.

    Até, claro, que retrocedeu: “O que recebemos da Rússia (…) é que foi um erro e que eles respeitam as fronteiras turcas e aquele erro não se repetirá.”

    O incidente teria sido facilmente contornado – pelos canais de comunicação militar-militar – sem a encenação que se viu.

    Mas Ancara – flanco leste da OTAN – está sofrendo pressão descomunal do ‘Excepcionalistão’. Não por acaso, o El Supremo do Pentágono e neoconservador conhecido, Ash Carter, “manteve conversações” com Ancara sobre o incidente. Carter, claro, é o astro que mais aplicadamente pratica o diktat do governo dos EUA: “Ao empreender ação militar na Síria contra grupos moderados, a Rússia escalou a guerra civil.”

    Na sequência, o ‘Sultão’ Erdogan, diretamente de Estrasburgo (não, não, não estava em campanha para o Parlamento Europeu) repicou: “Assad cometeu terrorismo de estado e, infortunadamente, vê-se a Rússia e o Irã a defendê-lo”.

    E nem assim o ‘Sultão’ Erdogan conseguirá passar à história como o catalisador da muito desejada Guerra Quente 2.0 OTAN-Rússia. Não, pelo menos, por enquanto.

    Só bombardeie quando nós mandarmos

    Entra o Dr. Zbigniew “Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski, rugindo em coluna para o Financial Times que Washington deve “retaliar”, se Moscou não parar de atacar “ativos dos EUA” na Síria. “Ativos dos EUA” significa terroristas “moderados” treinados pela CIA. E afinal, está em jogo a “credibilidade norte-americana”.

    Dr. Zbig – principal mentor de Obama para política externa – insiste que bombardear “rebeldes” treinados pela CIA é prova da “incompetência militar russa”. E o contra-ataque norte-americano deve visar a “desarmar” a “presença naval e aérea russa.” E assim, qualquer um consegue uma Guerra Quente 2.0 OTAN-Rússia.

    Dr. Zbig admitidamente considera que “o caos regional pode facilmente se espalhar para nordeste” e então “ambas, Rússia e China, podem ser adversamente afetadas.” Mas… e quem se preocupa? A única coisa que conta é que “interesses norte-americanos e amigos dos EUA… também sofreriam.”

    Eis o que se faz passar por análise geopolítica que preste, no ‘Império do Caos’.

    O ‘sultão’ Erdogan, por sua vez, não sossega. Moscou já reduziu a pó o sonho tão ansiado, de três anos, de Erdogan, de conseguir uma zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria. Há é uma zona aérea de exclusão verdadeira, sobre toda a Síria. Mas quem manda nela é a Rússia.

    E isso explica por quê reina a mais completa histeria de pleno espectro e só se fala de mais sanções do Congresso dos EUA contra a Rússia. Como alguém conseguirá impor sua própria zona aérea de exclusão sobre a Síria… se a Rússia chegou primeiro?

    E estava tudo andando tão bem para o ‘Sultão’! Ancara – dada da forte insistência de Washington – afinal abriu suas bases aéreas para a luta contraISIS/ISIL/Daesh, mas só porque a operação foi parte de uma operação para mudança de regime em Damasco. E então, sim, Ancara conseguiria sua zona de exclusão aérea.

    É quando entra em cena o pesadelo recorrente do ‘Sultão’: o Partido da União Democrática Curda (PYD) e sua organização irmã, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

    ‘O Sultão’ simplesmente não pode aceitar o avanço do PYD para a margem ocidental do Eufrates para ajudar na luta contra ISIS/ISIL/Daesh. ‘O Sultão’ quer “conter” o PYD em Kobani.

    O problema é que o PYD – apoiado pelo PKK – é o único aliado confiável do ‘Império do Caos’ na Síria. Mas ‘O Sultão’ não conseguiu se impedir de entrar em guerra – outra vez – contra o PKK. Washington não ficou exatamente muito contente.

    E então há também o corredor chave do ponto de passagem de fronteira em Bab al-Salam até Aleppo – controlado por esquadrões de doidos apoiados por Ancara. É a ponte de Ancara para Aleppo; sem ela, nem a mínima chance de mudança de regime, nunca. O falso “Califato” ameaçava tomar o corredor. Tornou-se imperativo agir.

    A espetacular entrada da Rússia no teatro de guerra desmontou todos esses elaborados planos. Imagine uma liberação completa do nordeste da Síria, tão logo oPYD – com auxílio dos combatentes do PKK – esteja suficientemente armado para dar cabo dos doidos do ISIS/ISIL/Daesh. E imagine a Força Aérea Russa dando cobertura a tal operação, com coordenação extra pela central Rússia-Síria-Iraque-Irã em Bagdá.

    ‘O Sultão’, em desespero, teria de manobrar seus F-16s contra essa ofensiva. E assim poderíamos realmente ter um cenário cinco-minutos-antes-da-meia-noite OTAN-Rússia – com consequências aterrorizantes. ‘O Sultão’ pisca primeiro. E a OTAN mergulha na ignomínia da qual nunca emergiu – de volta àqueles elaborados exercício “a Rússia está invadindo”.

    Dê bom-dia à minha ferramenta geopolítica jihadi

    Passos seguintes para a campanha russa é dar atenção concentrada à estrada que liga a capital de ISIS/ISIL/Daesh, Al-Raqqah, em torno da qual os jihadiscombatem pelo controle do petróleo e do gás em Sha’ir e Jazal. E há os bolsões a leste de Homs e Hama, e em al-Qaryatayn. Moscou – lentamente, metodicamente, sem erros – está chegando lá.

    O que a campanha aérea dos russos já expôs perfeitamente claro é todo o mito central apodrecido da nova Jihad International.

    ISIS/ISIL/Daesh, Frente al-Nusra e sortimento variado de esquadrões de doidos salafistas jihadistas são mantidos ativos e operantes por um massivo “esforço” financeiro/logístico/de armamento – que inclui todos os tipos de nodos chaves, de fábricas de armas na Bulgária e Croácia, até as rotas de transporte via Turquia e Jordânia.

    Quanto àqueles “rebeldes moderados” sírios – e a maioria dos quais sequer são sírios, são mercenários – cada seixo rolado nas revoltas areias Sykes-Picot do deserto sabe que são treinados pela CIA na Jordânia. Os seixos do deserto também sabem muito bem que os doidos do ISIS/ISIL/Daesh foram infiltrados dentro da Síria, vindos na Turquia – mais uma vez através da província Hatay; e vastas porções do Exército e da polícia d'”O Sultão” estão no jogo.

    Quanto a quem paga as contas daquela fartura de armas, fale com os “ricos pios doadores” – incitados pelos próprios clérigos – no CCG, o braço petrodólar da OTAN. Nenhum desses esquadrões de doidos poderia viver por tanto tempo sem “apoio” pleno, multidisciplinar dos suspeitos de sempre.

    Daí a raiva histérica/apoplética/paroxística que toma conta do “Império do Caos” manifesta o absoluto fracasso, mais uma vez, da mesma velha “política” (lembrem-se do Afeganistão) de usar jihadistas como ferramentas geopolíticas. Falso “Califato” ou “rebeldes”, são todos paus mandados do CCG-OTAN.

    Para acrescentar insulto à injúria, um muito frustrado “Sultão” foi também forçado a anexar-se a uma posição ligeiramente modificada de Washington – que agora manda que “Assad tem de sair”, sim, mas pode demorar um pouco, como parte de uma “transição” ainda a ser definida.

    ‘O Sultão’ continuará uma pilha de nervos. Não dá nenhuma importância ao ISIS/ISIL/Daesh. Agora, Washington assumiu – digamos assim. Quem esmagar o PYDe o PKK. Para Washington, o PYD é aliado útil. Para Moscou, melhor ‘O Sultão’ olhar bem onde mete seu pé neo-otomano.

    “O Sultão” simplesmente não pode antagonizar “O Urso”. Gazprom vai expandir seu gasoduto Blue Stream até a Turquia. Seriam 3 bilhões de metros cúbicos; em vez disso, serão 1 bilhão de metros cúbicos. Segundo o ministro Alexander Novak, de Energia da Rússia, é por causa de capacidades técnicas.

    Mas Ancara que se comporte, porque até essa extensão reduzida pode evaporar, se não houver acordo sobre os termos comerciais do TurkStream, ex-Turkish Stream. Ancara está sob tremenda pressão do governo Obama. E “O Sultão” sabe muito bem que sem a Rússia e todo seu elaborado plano para pôr a Turquia como nodo chave para o trânsito da energia do Leste para Oeste, tudo evanescerá no mato rasteiro da Anatólia. No fim, pode sobrar ‘mudança de regime’ até para ele mesmo.

    7/10/2015, Pepe Escobar, RT

  4. O Presidente VLADIMIR PUTIN da Rússia é um NACIONALISTA que reconstruiu seu País depois do colapso da URSS, e que se defende muito bem. Atacado interna e externamente pelo Poder Hegemônico EUA-NATO, na Thetchênia, nos Países Bálticos, na Geórgia, na Ucrânia, etc, conseguiu reduzir em muito o prejuízo. Agora na Síria, onde tem uma base nava em Tartous, e um acordo Defensivo com o Governo de BASHAR AL-ASSAD, onde uma Guerra civil de 4 anos, fomentada por EUA-NATO ia derrubando o Governo, passou para a ofensiva trazendo para a Síria contingentes de sua Força Aérea, Exército e Marinha de Guerra, bombardeou com Mísseis Cruzeiros do Mar Negro a +- 1.500 Km de distância, etc, e praticamente frente aos hegemônicos EUA-NATO garantiu permanentemente o Governo combalido de BASHAR AL-ASSAD. Qualquer País gostaria de ter um Presidente assim, até os EUA. Abrs.

  5. Causa-me perplexidade ler artigos e comentários que enaltecem Putin como um governante que os americanos estariam precisando, se não fosse o líder russo um extremista, alheio à diplomacia, francamente favorável aos conflitos bélicos.
    Sem usar de reportagens escritas por jornalistas que, assim como a nossa imprensa, possuem suas tendências, portanto, avessos à verdade, à isenção, o meu questionamento se baseia nas razões pelas quais russos e americanos combatem o Estado Islâmico, com a alegação de que Putin quer a continuidade do governo ditatorial de Al Assad e, os americanos, a sua queda.
    Eu já escrevi, mediante observações e leituras de jornais os mais diferentes em posicionamentos políticos neste particular, que as duas potências querem destruir a Síria, através do pretexto de combater a radicalização deste movimento árabe de cunho SUNITA, que representa simplesmente 90% da população muçulmana, com exceção do Iraque e Irã, onde são minoria.
    Então leio comentários que tergiversam a essência desse conflito de interesses russos e americanos, menos de livrar os xiitas da violência dos sunitas, considerados infiéis e que devem ser mortos.
    E causa-me espécie que não sejam abordadas as rejeições da Europa com relação aos refugiados desta guerra entre o urso e a águia, tendo como palco, como teatro de operações, a Síria, e não o seu povo.
    Ora, os americanos e russos estão fazendo o serviço que a Europa não tem coragem de desempenhar, que é aniquilar com os árabes, ameaça preocupante com relação ao seu modo de vida, religiosidade, usos e costumes, para um continente que sempre primou pela exclusividade, xenofobia, cresceu e se desenvolveu explorando suas colônias para depois abandoná-las à própria sorte, exatamente como França e Inglaterra fizeram com o Oriente Médio, Ásia Central e África, após as duas Guerras Mundiais.
    Evidente que a Rússia e Estados Unidos estão se lixando para os europeus do Sul e Centro, a questão entre eles é energética, em princípio, e depois o comando da região de alto valor estratégico como aumento do poderio de um ou de outro para, em caso de eventual enfrentamento, combater a CHINA em melhores condições.
    Eis a grande ameaça a russos e americanos, os chineses, que se desenvolveram infinitamente mais que a soma da Rússia e do Tio Sam juntos nos últimos vinte anos!
    O Estado Islâmico é uma cortina de fumaça às legítimas intenções de Putin, um encrenqueiro até pela sua biografia e chefe que foi da KGB, e o fraco Obama, que está em fim de governo, portanto, sem a força política quando eleito pela primeira vez.
    O resto, que me perdoem os colegas, é secundário, principalmente o enaltecimento de Putin, à espreita permanente de instabilidades políticas, econômicas, sociais e, agora, religiosas, para se aproveitar da situação e expandir a Rússia, depois que a União Soviética foi extinta, e que deixou seus efeitos colaterais nos sentimentos russos outrora a maior potência do mundo, denominada de Cortina de Ferro e suas 17 Repúblicas, que lhe formavam um extraordinário território e altamente armado e preparado para qualquer combate.
    O jogo de xadrez da política internacional não é tão claro quanto parece, pois os membros do Estado Islâmico são as peças manipuladas e, o tabuleiro, a Síria.
    Caberá ao vencedor entre Rússia e Estados Unidos, determinar a política energética para o mundo, e aliar-se principalmente ao Irã, e formarem uma força praticamente invencível no caso de os chineses quererem alçar voos além de seu também vasto território, e acomodar os israelenses em seu pequeno país, tirando-lhes a influência no mundo ocidental, entenda-se junto aos Estados Unidos, com a possível derrota dos americanos na Síria, ao lado de Israel.

    • Bendl, como sempre você aparece “salvando a lavoura” em meio a essa safra de comentários enaltecendo um déspota, unicamente por ele aparentemente estar em uma posição antagônica à do “grande satã”, os EUA.

      O antiamericanismo pueril dessa gente é de dar dó.

      • Froes, meu amigo,
        A questão entre americanos e russos não está limitada à extinção do Estado Islâmico, mas quem dos dois tomará a Síria!
        O movimento radical dos árabes é apenas um pretexto para que as duas potências intervenham naquela região e, se antes, os americanos foram acusados de bombardear um hospital com dezenas de mortos, o mesmo aconteceu ontem com a Rússia, que matou mais de quarenta civis porque erro o alvo!
        A questão é aniquilar com a resistência árabe, no caso de uma invasão direta americana ou russa.
        E ela não se deu ainda, Froes, em razão das péssimas lembranças do Vietnã e Afeganistão para os Estados Unidos e Rússia, respectivamente, e cujos soldados já anunciaram que não participariam de outra invasão nos moldes daquelas.
        Então, dê-lhe bomba no lombo dos árabes, tanto dos “maravilhosos” russos, quanto dos “detestáveis” americanos!
        Não consigo entender a diferença de terrorismo praticado pelo urso e pela águia, nessas alturas, e explicações ou razões que defendam as mortes provocadas pelos vermelhos em detrimento das produzidas pelo Tio Sam, diante das dúvidas que me assaltam quanto às análises feitas por “especialistas” neste conflito.
        Ora, se os russos matam e são aplaudidos e, os americanos fazem o mesmo, porém são criticados, algo não está certo nesta equação, a incógnita está errada!
        O resto é o resto.
        Um abraço, Froes.

        • Outro abraço, Bendl.

          Aliás, esqueci de dizer que tampouco Obama me agrada. Guardadas as devidas proporções, ele faz um governo meio “dilmático”, mais perdido que cego em tiroteio. A diferença é que nos EUA as instituições são sólidas e não se desmancham no ar e seguram o pepino.

  6. Carlos,
    Estou “putin” com ambos, Obama e o russo!
    Ambos querem aniquilar com os árabes, então inventaram ou defender Al Assad ou derrubá-lo que, no frigir dos ovos dá na mesma, a morte por atacado de sírios.

  7. EUA está precisando de alguém mais conservador; Rússia copiou os EUA de outros tempos por isso parece tem dado certo.
    Este conflito na Síria não é coisa fácil de entender. Os árabes não são nenhuns santos. Uns malucos pelo poder. Comparo a Síria atual à Colômbia aqui pertinho. Quem entende a Colômbia? Obeservo aqui nos comentários a tentação de querer dualizar o conflito para assim facilitar a compreensão. Acontece que o conflito sírio não é um lado contra o outro. São dezenas e dezenas de grupos querendo o poder. Todos armados até os dentes. Então, o mínimo é a se fazer é as nações assegurarem o ditado Assad no poder. Caso contrário vira caos

  8. Após a independência de Israel em 1948, sucederam-se várias guerras deflagradas contra Israel principalmente pelos seus vizinhos Árabes, Egito, Jordânia e Síria. Todas terminaram em grandes e rápidas vitórias de Israel, exceto a Guerra do Yom Kippur contra o Egito, 1973, que terminou empatada, e na qual o Egito de ANWAR EL SADAT lavou a honra dos Árabes e recuperou toda a península do Sinai. Terminado esse ciclo, se fez uma forte PAZ com o Egito e a Jordânia. A Síria que perdeu para Israel em 1967 as estratégicas Colinas de Golã, permanece em Armistício.
    O Iran, desde a Revolução do Muçulmano Xiita Ayatollah KHOMEINI de 1979, cada vez mais vem se tornando o inimigo mais perigoso do Estado de Israel. O Iran inteligentemente escolheu como forma de combate a Israel a guerra de guerrilhas via uma Milícia Xiita. Por enquanto uma guerra indireta assimétrica contra Israel, sabedor que os Israelenses dispõem de +- 400 Cargas Nucleares das mais eficientes. Buscam enquanto isso aceleradamente fazer suas próprias Bombas Atômicas para neutralizar o Arsenal Atômico de Israel.
    Assim, com paciência, os Iranianos no Sul do Líbano fronteira Norte de Israel, região montanhosa e de População predominante Xiita, formaram a Milícia Hesbollah ( Partido de Deus ), cujo Chefe é o Sheik HASSAN NASRALLAH e artilharam aquelas colinas pedregosas com potentes Mísseis escondidos dentro de casamatas de concreto reforçado.
    Desde que os Americanos se retiraram do Iraque, que a grande rota desse potente e sofisticado Armamento vem por terra do Iran, Sul do Iraque (Zona predominante Xiita ), Síria, e aqui entra a SÍRIA de BASHAR AL ASSAD, até o Sul do Libano Hesbollah. A Síria queria então formar o seu Hesbollah na região fronteira das Colinas de Golã nos mesmos moldes que o Hesbollah Libanês. Formou-se o Eixo Iran-Iraque Xiita- Síria- Hesbollah Libanês.
    Em 2006, o Iran fez um grande teste. Mandou o Hesbollah Libanês atacar de noite uma guarnição Israelense de Tanques avançados que disseram invadiram o Líbano, destruíram alguns tanques e fizeram 3 prisioneiros Israelenses. Começou a Guerra do Sul do Líbano de 2006. Israel lançou sua poderosíssima e bem treinada Força Aérea para destruir os Mísseis nas Colinas, amaciar o Terreno, e o Hisbollah bombardeava com Mísseis o Norte de Israel. A Força Aérea Israelense não conseguiu silenciar os Mísseis e depois de duas semanas Israel mandou avançar suas bem treinadas e experientes Divisões Blindadas para no Terreno, liquidar o Inimigo. Tiveram grande surpresa e se depararam com forte barragem de Mísseis anti-Tanques. Depois de mais duas semanas e perdas de +- 300 Tanques, 120 Militares Israelenses mortos em combate, +- 1200 Feridos, acharam por bem se retirar do Sul do Líbano e o Sheik HASSAN NASRALLAH cantou vitória, pois as poderosas Forças Armadas de Israel, depois de mais de um mês de combates não conseguiram vencer/desalojar a Milícia Hesbollah, que perdeu muitos Combatentes, +- 600, mais 1.200 Civis Libaneses mortos, mas permaneceram no terreno.
    Israel ficou apavorado. O Mossad até hoje não conseguiu “neutralizar” o Sheik NASRALLAH”, e o Hisbollah continua se reforçando e se artilhando ainda mais no Sul do Líbano.
    Era preciso “mudar o Governo da Síria” e interromper a rota terrestre dos Mísseis que vem do Iran. Também evitar um novo Hesbollah Sírio ao lado das Colinas de Golã.
    Aí então, entram EUA-NATO e RÚSSIA. Mas a Rússia mantendo o Governo BASHAR AL-ASSAD, manterá a Síria sob seu controle, não permitirá mais a passagem do poderoso e sofisticado armamento que vem do Iran para o Hisbollah, muito menos permitirá a formação de um Hisbollah Sírio, e em troca obterá certas grandes vantagens que Israel mandará os EUA-NATO fornecerem a Rússia.
    Mais ou menos assim funciona a geo-Política Internacional. O POVO coitado, tem que tentar por todos os meios se afastar dos bombardeios. Abrs.

    • Estimado Sr. Flávio José Bortolotto … muito interessante sua análise geopolítica medioriental … no lugar do tradicional EUA amigo de Israel (duvidoso após o acordo nuclear com o Irã) entra a Rússia – será mesmo??? ??? ??? vejo mais a Rússia entrando para manter Assad (tradicional amigo URSS-Rússia) e criando dificuldades para um possível ataque de Israel ao Irã (outro tradicional amigo da Rússia)
      Ora, são quase 1.000.000 de judeus russos em Israel!!! abrs.

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