Janene morreu, mas passa bem, segundo o “declarante” Youssef

imageMatheus Pichonelli
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Não é difícil lembrar de algum escândalo do qual José Janene, deputado do PP morto em 2010, tenha figurado entre os envolvidos. Difícil é lembrar algum projeto do então deputado que tenha servido ao leitor.

Em vida, Janene era uma espécie de Forrest Gump de Brasília. Esteve em todas as confusões de seu tempo – por uma questão de timing os acordos sobre capitanias hereditárias não passaram por seu gabinete.

O deputado é peça-chave das investigações em curso sobre os desvios na Petrobras, onde seu partido, o mesmo de Paulo Maluf, tinha sua própria capitania. Só não apareceu algemado porque, por sorte, morreu antes. Ou não.

Em sessão aberta da CPI da Petrobras, o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da comissão, levantou a hipótese de que o ex-colega esteja vivo. Janene morreu (ao menos oficialmente) de ataque cardíaco e seu caixão, segundo Motta, foi lacrado para o velório. Como ninguém viu o corpo, ganhou força, na CPI, a hipótese de que Janene havia simulado a própria morte para viver em paz na América Central.

REALISMO FANTÁSTICO

A história da exumação do corpo, definiu meu amigo Felipe Corazza, é o Brasil dando troco na Argentina de Jorge Luís Borges e seu realismo fantástico. Nosso Quincas Berro D’Água, personagem de Jorge Amado que morreu duas vezes antes de ser enterrado, não faria frente à imaginação do autor de Ficções. Nem a investigadores ou investigados da CPI.

Esteja onde estiver, o morto (ou vivo) não pode defender. Se ressurgir, será a maior homenagem a outro gênio do surrealismo latino: Roberto Bolaños – o pai do Chaves, não o chileno. Entrará para a história como o deputado que preferiu morrer do que perder a (boa) vida.

Vivo ou morto, o jornalismo local tem a chance de fazer frente à dura concorrência do Sensacionalista, o site de noticias absurdas inspirados no absurdo da vida real. Difícil seria escolher um título. “O morto segue morto”. Ou “Morreu, mas passa bem”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Com a divulgação do atestado de óbito de Janene pelo blog O Antagonista, a coisa se complica. No atestado, quem aparece declarando a morte do ex-deputado é justamente o doleiro Alberto Youssef, e não é preciso dizer mais nada. Exumação, já! (C.N.)

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