Ex-marqueteiro de Trump se ligou a bilionário chinês anticomunista investigado pelo FBI

Steve Bannon - EUA

Steve Bannon é uma das “referências” da família Bolsonaro

Deu no The Washington Post
(Estadão)

Quando agentes federais prenderam o ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, na costa de Connecticut em 20 de agosto, ele estava relaxando em um iate de 150 pés pertencente a um bilionário chinês espalhafatoso cujos esforços para obter asilo nos Estados Unidos dividiram a cúpula de aliados do presidente Donald Trump.

A maior parte da atenção após a prisão de Steve Bannon recaiu sobre as acusações federais que ele enfrenta por supostamente fraudar doadores para arrecadar fundos de um grupo sem fins lucrativos que afirmava estar construindo um muro privado na fronteira EUA-México.

INVESTIGAÇÃO DO FBI – Mas foi a parceria de Bannon com o empresário chinês Guo Wengui, em cujo iate Bannon disse a amigos que morou nos últimos meses, que passou a dominar sua carreira pós-Casa Branca – uma parceria que agora também está sob escrutínio. Uma empresa ligada a ambos é o foco de uma investigação federal, segundo várias pessoas familiarizadas com a investigação afirmaram ao The Washington Post.

Guo, que fugiu da China depois de ser acusado de suborno e outros crimes, forjou um relacionamento com Bannon depois que ele deixou a Casa Branca em 2017. Quase ao mesmo tempo, Guo começou uma campanha violenta atacando a corrupção em Pequim e o que ele diz ser uma acusação politicamente motivada contra ele.

Nos últimos anos, uma empresa ligada ao bilionário, que também atende pelos nomes de Miles Kwok e Miles Guo, fechou um contrato de consultoria com Bannon. Guo também prometeu publicamente doar US$ 100 milhões para uma instituição de caridade liderada por Bannon. Mais recentemente, um mês antes da prisão de Bannon, Guo anunciou que Bannon serviria como presidente de uma nova empresa de mídia social que estava lançando.

DERRUBAR O PC CHINÊS – Bannon, por sua vez, emergiu como um dos maiores defensores de Guo, que se apresenta como um dissidente anticomunista em dezenas de vídeos postados online.

Mesmo que outros críticos do governo chinês tenham ficado céticos em relação às alegações de Guo de que ele é uma vítima política de Pequim, Bannon disse que Guo tem informações privilegiadas valiosas que poderiam ajudar a derrubar o Partido Comunista da China, ou PCC, e diz que ele previu a repressão da China a Hong Kong e seu tratamento do novo coronavírus.

“Miles Guo tem sido o oponente chinês mais difícil que o PCC já encontrou”, disse Bannon em uma declaração ao The Washington Post. “Ele tem sido o líder mundial na luta contra o Partido expondo as mentiras, a infiltração e a malevolência do PCC da China.”

DÍVIDA DE GRATIDÃO – Bannon acrescentou que acha que os Estados Unidos devem a Guo “uma dívida de gratidão por sua missão implacável contra o Partido Comunista Chinês – a ameaça existencial contra os Estados Unidos”.

Mas agora há sinais de que os investigadores federais estão examinando as atividades financeiras de Guo nos Estados Unidos e o GTV Media Group, uma empresa de mídia social que Guo disse ter levantado US$ 300 milhões de investidores.

Alguns desses investidores dizem que foram enganados pela empresa e foram ouvidos repetidamente pelo FBI nos últimos meses. O Wall Street Journal relatou pela primeira vez a existência da investigação. O FBI não quis comentar.

“MOTIVAÇÃO POLÍTICA” – Em um comunicado, Guo disse que a empresa seguiu as leis de valores mobiliários dos EUA e foi orientada por um advogado ao levantar dinheiro. Ele disse que a “esmagadora maioria dos investidores está totalmente satisfeita” e alegou que o PCC da China tinha “procuradores se infiltrando na oferta e registrando queixas com motivação política”.

Bannon, que até sua prisão atuava como diretor da empresa, se recusou a comentar a investigação. Uma pessoa próxima a ele, falando sob condição de anonimato por causa da investigação, disse que ele também vê as acusações contra o GTV como sendo dirigidas pelo governo chinês, que ele acredita ver a empresa de mídia independente como uma ameaça.

Separadamente, Bannon se declarou inocente das acusações relacionadas à fraude e desvio de dinheiro da construção do muro. A pessoa próxima a ele disse que o trabalho de Bannon com Guo não tinha nenhuma conexão com esse esforço.

MAIS INVESTIGAÇÕES – Enquanto isso, outra investigação federal de longa data envolvendo Guo está ganhando força. O bilionário foi descrito como alvo de uma tentativa fracassada de pressionar o governo Trump para extraditá-lo para a China, uma campanha complexa que supostamente envolveu dois importantes arrecadadores de fundos do Partido Republicano, um ex-membro do grupo de hip-hop Fugees e um financista malaio fugitivo.

No final do mês passado, um consultor se declarou culpado de ajudar e incitar um agente para a China como parte do caso. Os promotores também estão preparados para apresentar acusações contra o investidor Elliott Broidy, um ex-grande arrecadador de fundos para o Comitê Nacional Republicano, por supostamente ter participado do esforço.  Mas também podem chegar a um acordo judicial com ele.

Um advogado de Broidy não quis comentar. Broidy já havia chamado as afirmações sobre seu papel de “uma invenção”. Os casos paralelos destacam como figuras do círculo do presidente têm procurado influenciar as políticas do governo da China em nome dos interesses estrangeiros.

VISÕES SEMELHANTES – A aliança de Bannon com Guo confunde-se com sua mensagem nacionalista e visões agressivas sobre a China. Mas pessoas familiarizadas com seu relacionamento com o bilionário disseram que também chegaram a pensar que Bannon era movido pelos aspectos lucrativos da parceria.

“Bannon não se importava com roupas ou aparência – mas isso é pouco dinheiro”, disse Sasha Gong, uma escritora e jornalista sino-americana que serviu brevemente no conselho de uma instituição de caridade anticomunista lançada em 2018 por Bannon e Guo. Mas acrescentou: “se você quer mudar o mundo, esse tipo de dinheiro, você tem necessidades infinitas”.

Bannon, que disse que se afastou de Sasha Gong depois de perder a confiança nela, disse que sua parceria com Guo é motivada por uma forte crença de que seu trabalho é essencial.

OS NEGÓCIOS DE GUO – Incorporador e investidor imobiliário, Guo prosperou por um tempo na China comunista, chegando a ser classificado como a 73ª pessoa mais rica do país. Ele construiu um dos principais arranha-céus de Pequim, próximo ao estádio Ninho do Pássaro, entretendo a elite política e empresarial da cidade.

A queda de Guo veio logo depois que a campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping em 2014 atraiu um dos aliados próximos de Guo, o oficial de inteligência Ma Jian, que em um vídeo de 20 minutos divulgado pelo governo confessou ter recebido milhões em subornos do desenvolvedor e descreveu uma “aliança de interesses comuns” com ele.

Guo negou as acusações e fugiu da China, ressurgindo dramaticamente em 2017 em Nova York, instalando-se em uma cobertura de US$ 67 milhões no hotel Sherry-Netherland com vista para o Central Park.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O americano Steve Bannon e chinês Guo Wengui são como irmãos xifópagos, ligados para sempre pelo Deus Dinheiro. Apenas isso. O marqueteiro e mutreteiro Bannon é um dos ídolos da família Bolsonaro, com prestígio equivalente ao do guru terraplanista Olavo de Carvalho. Como dizia Carlos Drummond de Andrade, ”mundo, mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução”. (C.N.)

2 thoughts on “Ex-marqueteiro de Trump se ligou a bilionário chinês anticomunista investigado pelo FBI

  1. A imprensa ocidental narcoprogressista, totalmente desacreditada e decadente, está comendo jabá do PCC. Como dizia Ibrahim Sued: “em sociedade, tudo se sabe”.

    • Certo CarlosSp.

      Trump cometeu o erro da escolha desse farsante,mas corrigiu a tempo,demitindo-o.

      A tua frase:”A imprensa ocidental narcoprogressista,totlamente desacreditada e decadente,está comendo jabá do PCC.”, vale por um artigo.

      Aplausos pelo teu senso de realidade.

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