Ex-ministro da AGU acusa Padilha de montar campanha difamatória contra ele

Resultado de imagem para medina osorio

Medina Osório diz ter cumprido sua obrigação

Beatriz Bulla e Rafael Moraes Moura
Estadão

O ex-advogado-geral da União Fábio Medina Osório disse em entrevista ao Estado que sofreu uma “tentativa de desconstrução pública” depois do ajuizamento de ação de improbidade contra empreiteiras envolvidas na Lava Jato. Demitido pelo presidente Michel Temer, Medina disse que não foi “subserviente” à Casa Civil e lançou dúvidas se a sua sucessora, Grace Mendonça, terá “autonomia” à frente da pasta.

“Ninguém que está no Poder tem cheque em branco para governar”, afirmou Medina, acrescentado que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, concentra tantos poderes a ponto de se tornar um superministro. “Um governo com superministro acaba mal”, disse Medina, em entrevista por e-mail.

O sr. credita à atuação da AGU na Lava Jato o seu desgaste com o governo. Os problemas começaram após o pedido de compartilhamento dos inquéritos sobre a Lava Jato que tramitam no STF?
Não pude aceitar uma tentativa de ingerência, especialmente do ministro Padilha, na minha atuação. Ele tem um ponto de vista distinto do meu e a divergência se tornou inconciliável. Reconheço que para ele também meu estilo se tornou perturbador. Não fui um AGU subserviente.

Mas o que efetivamente aconteceu?
Houve um processo de tentativa de desconstrução pública da imagem do AGU. A AGU ajuizou esta ação (de improbidade contra empreiteiras na Lava Jato) sem consultar a Casa Civil, e tal circunstância criou enorme desgaste interno no governo. Houve uma brutal investida da máquina governamental contra o AGU. Não tive acesso ao presidente Temer nesse período de gestão.

O sr. avisou o governo que pediria ao STF acesso aos inquéritos contra políticos para viabilizar ações de improbidade?
Não avisei o governo, pois entendi que era atribuição inserida na autonomia técnica do advogado-geral da União. Minha dúvida é se a nova AGU terá autonomia para acessar esse material ou protocolará uma petição de reconsideração.

O sr. fala que o governo quer abafar a Lava Jato. Quem no governo quer abafar a Lava Jato e por quê?
O ministro Padilha não quer a AGU atuando nessa área, pois entende que o Ministério Público já cumpre este papel. É uma visão política sobre o tema. Ele entende, certamente, que a AGU deve atuar mais ao lado do governo e menos na área de ataque àqueles que lesam o patrimônio público federal, pois existem outras instituições que já estariam a cumprir essa missão. No entanto, como expliquei ao ministro Padilha, a lei atribui à AGU esse papel.

Como analisa o empenho do atual governo no que diz respeito ao combate à corrupção e apoio à Lava Jato?
Não posso avaliar outra esfera senão a da AGU. O governo não quer, aparentemente, a atuação da AGU ajuizando ações de improbidade administrativa na Lava Jato. 

O sr. encaminhou relatórios defendendo a regularidade das chamadas “pedaladas fiscais” em 2015, base do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. No entanto, em maio, deu testemunho a favor do impeachment. Qual seu posicionamento com relação ao impeachment de Dilma?
Encaminhei esses relatórios produzidos por outros órgãos por força de um protocolo que assinamos com a ex-presidente Dilma para lhe garantir os direitos de defesa junto ao TCU. Meu posicionamento sobre impeachment é claro: teve base legal e constitucional, e no mérito foi o melhor caminho para o Brasil. Não houve golpe algum. E o STF não deverá modificar o julgamento do Senado, pois o próprio fatiamento envolve o mérito do julgamento. Porém, ninguém que está no Poder tem cheque em branco para governar. Se alguém – e qualquer um que seja – cometer um ilícito funcional, deverá responder por seus atos. Essa regra deve valer também para o atual governo. 

Recebeu alguma manifestação por parte do governo após as declarações à revista Veja?
Nenhuma manifestação. O presidente Temer não deve se pautar por fofocas nem alimentar intrigas palacianas. O fato de Padilha concentrar tantos poderes, como superministro, é certamente um equívoco. Um governo com superministro acaba mal. O cargo de AGU não é um ‘carguito’ e não pode ficar em posição subalterna no governo. 

Pretende tomar alguma atitude em relação a essa demissão?
Esse assunto é página virada do ponto de vista pessoal. Espero sinceramente que o governo Temer tire o Brasil da crise que se encontra e que a nova AGU consiga exercer na plenitude suas atribuições legais e constitucionais.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA campanha difamatória montada pela Casa Civil contra Medina Osório realmente existiu e foi impressionante. Já levantamos muitos dados a respeito e vamos voltar ao assunto, inclusive citando importantes jornalistas que inadvertidamente foram usados pela equipe de Padilha. (C.N.)

19 thoughts on “Ex-ministro da AGU acusa Padilha de montar campanha difamatória contra ele

  1. Fico pensando com meus botões para entender como que partidários do PMDB são denominados de “caciques” sem mandato popular!

    Eliseu Padilha, por exemplo, transitou como ministro dos Transportes e depois sem pasta de FHC, na condição de seu principal “negociador” com os parlamentares e não pertencia ao PSDB, portanto, já demonstrava a sua força política naquela ocasião.

    Durante o governo de Dilma, PT, foi ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, também sem mandato popular.

    Agora, na administração(?!) Temer, Padilha ressurge como um dos principais nomes da equipe escolhida pelo presidente, e já demonstrou a sua autoridade demitindo o AGU, que decidiu botar a boca no trombone e denunciar as manobras feitas no sentido de Padilha e compadres abafarem a Operação Lava-Jato!

    Ou se trata de amizade muito íntima com Temer ou Padilha pelo tempo que desfila em Brasília e nos bastidores da política, conhece como poucos os podres de cada parlamentar, de modo que esteja sempre ao lado do poder mandando e desmandando de uma certa forma ILEGÍTIMA, pois não se trata de um técnico, não se trata de um funcionário público de carreira, não se trata de um deputado ou senador, então estamos falando de alguém sorrateiro, hábil em saber a respeito dos labirintos do poder, espertalhão no sentido de se aproveitar de segredos guardados e falcatruas praticadas pelos seus pares para obter cargos importantes em qualquer governo e de partidos diferentes!

    Padilha é um camaleão político, sem ideologia, sem idealismo, e sem partido – o PMDB é apenas fachada – porém agindo permanentemente com um objetivo na sua mente de jogador político, o poder, esteja este nas mãos de quem estiver!

    Nós, do RS, o conhecemos muito bem pelas formas como se apresenta a cada mudança de governo, certamente oferecendo seus conhecimentos antirrepublicanos para obter vantagens e apoio político a governadores ou presidentes da República e, assim, permanecer no primeiro escalão mesmo sem a chancela do povo, nessas alturas absolutamente dispensável, aliás, exatamente como somos tratados pelos últimos governos, simplesmente uma população descartável!

    • Amigo Bendl
      São caciques “biônicos”. Aprenderam faz tempo!
      Não precisam mais de mandatos. Agora mandam por suas histórias, pelos segredos que mantem arquivados e que podem ser utilizados a qualquer momento.
      A carreira de Padilha é sinuosa e escrita com muitas mãos. Dos empreendimentos até a casa civil são muitos anos de politicagem.
      Acredite:só quem conhece os partidos, os políticos e as práticas pela maioria, deles adotadas ao longo dos últimos 100 anos, entende como é possível alguém pular para lados tão opostos, em tão pequenos períodos de tempo.
      Quando falta convicção, seriedade, ética e moral, o vale tudo é o escorregador dos ensaboados.
      Que Deus te dê muita saúde e luz.
      Abraço fraterno amigo.
      Fallavena

  2. Um fantasma paira a casa civil de TEMER

    Um “gênio da raça”?

    Um “cérebro doentio”?

    Com a palavra o jornalista Augusto Nunes, em reportagem especial de 14/04/2014:

    “Golbery do Couto e Silva teve papel destacado no governo dos generais que gostavam dele — Castello e Geisel — e abandonou o de João Figueiredo, em 1981, por discordar da decisão do presidente de acobertar os terroristas de farda que se explodiram acidentalmente em um Puma no estacionamento do Riocentro, aonde foram com o objetivo de amedrontar a audiência de um show de música popular brasileira. Golbery ajudou a montar a estratégia de devolução do poder aos civis de forma “lenta e gradual”, e os chefes militares dos desastrados do Puma tentavam boicotar o processo de volta à normalidade. Figueiredo, autor da promessa “prendo, arrebento” quem for contra a abertura, cedeu aos radicais.

    Criador do Serviço Nacional de Informações (SNI), temido como polícia política (que não era) e por bisbilhotar a vida de adversários e aliados (o que fazia), Golbery foi o mais admirado e odiado personagem do regime militar. Os estudantes o chamavam de Golbery do “Colt” e Silva.

    Ele fez muito antes. Nada no dia 31 de março. Passara para a reserva havia dois anos e meio, limitando-se a fazer companhia a Ernesto Geisel, que participava de um grupo volante sempre ao alcance de um telefone. No governo Jânio Quadros presidiu o Conselho de Segurança Nacional, ao qual se subordinava o Serviço Federal de Informações e Contrainformações (SFICI). Ali, no edifício onde havia uma loja da Casa da Borracha, tomou gosto por enxergar tudo pela ótica de “reservado”, “secreto” e “ultrassecreto”. Golbery carimbou “secreto” no bilhetinho em que Jânio, dois dias antes da renúncia, em 25 de agosto de 1961, pedia relatos sobre sua obsessão: anexar as Guianas.

    A partir de janeiro de 1962 foi para o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipês), sob a ótica de hoje uma ONG mantida por empresários temerosos do caos e das apropriações do governo Jango, que enxergavam como a preparação para a implantação do comunismo no Brasil.

    Golbery era um tipo raro que pensava com clareza e escrevia com ambiguidade. Para ele, a democracia era participativa, com diversos diques institucionais a separar o poder da vontade popular — não para sabotá-la, mas para servi-la sem solavancos e ameaças à “segurança nacional”. Desconfiava do capital estrangeiro e do livre mercado. Ao Estado caberia dirigir a economia e, para evitar o totalitarismo, seria preciso exercitar o “planejamento democrático”.

    Glauber Rocha o considerava “gênio da raça”. Mourão Filho descreveu-o como um “cérebro doentio”.

    Colaboradores: André Petry, Augusto Nunes, Carlos Graieb, Diogo Schelp, Duda Teixeira, Eurípedes Alcântara, Fábio Altman, Giuliano Guandalini, Jerônimo Teixeira, Juliana Linhares, Leslie Lestão, Otávio Cabral, Pedro Dias, Rinaldo Gama, Thaís Oyama e Vilma Gryzinski.”

  3. Medina amoleceu, Newton? Acho que o povo esperava mais. A meu juizo Padilha nada faria sem sem que Temer desse aval. Ou então Temer está submetido a Padilha. Sem esquecer que são parceiros há muito tempo em jogadas nas Docas de Santos.

  4. Prezados,
    que situação delicada!!
    Medina Osório precisa ter cuidado porque esse tipo de poderoso não brinca em serviço. O ataque à reputação é orquestrado com requinte e sofisticação. É um sujeito que possui muito poder e com certeza não hesita em atacar quem quer que seja quando sente seu poderio ameaçado! Também não acredito que Temer seja isento.
    O excelente texto de Bendl comprova que é preciso cuidado quando se trata de um “político” com a biografia de Padilha!
    Aterrorizante!

  5. Silvia,

    Deves te lembrar que o falecido “Toninho Malvadeza” operava à base de dossiês, que elaborava contra seus opositores políticos e que amedrontava a maioria porque qualquer parlamentar tem o seu rabo preso, AFIRMO!

    Mesmo que nada existisse, mas a lembrança que fatos escusos viessem à tona, Antônio Carlos Magalhães se tornou um político poderoso, que causava medo entre seus pares.

    Padilha, sem o respaldo de “Toninho”, pois jamais foi governador ou senador, age do mesmo modo, enaltecendo esta relação abjeta, prostituída, de uma política abjeta e deplorável, entretanto, de resultados para o governo!

    Um abraço.
    Saúde e Paz!

  6. E será que Medina, homem experiente, escolado e gaúcho, não sabia das histórias “padilheiras”?
    Se não sabia, ficou sabendo da pior forma.
    Quem não sabe como a política é desenvolvida em nosso país, que não se meta.
    Agora, alem de “!por tudo para fora”, deve buscar a responsabilização dos que tentam atacá-lo, ofender sua honra.
    Tem a facilidade de ser advogado e de possuir todas as portas necessárias já abertas.
    Vamos ver seus próximos passos.
    Só espero que não pare. Se fizer isto, bem …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *