Ex-ministro Wagner Rossi (Agricultura) e seus cúmplices prestam depoimento à Polícia Federal esta semana.

Carlos Newton

Reconheçamos, a Polícia Federal vem cumprindo seu dever. Agora, por exemplo, dá seguimento às apurações das irregularidades e da corrupção no Ministério da Agricultura e pede o indiciamento do ex-ministro Wagner Rossi, de seu ex-chefe de gabinete Milton Ortolan e do lobista Júlio Fróes, que despachava dentro da sede do ministério, onde tinha sala, mesa, ramal telefônico próprio e tudo o mais.

O ex-ministro Rossi, Ortolan e Fróes estão sendo intimados para prestar depoimento esta semana. O inquérito da Polícia Federal atribui a Rossi (PMDB) os crimes de peculato, formação de quadrilha e fraude em licitações.

Diversas acusações levaram à queda de Rossi em agosto, apesar da oposição do ex-presidente Lula, que tem interferido seguidamente no atual governo para evitar a demissão de ministros suspeitos de irregularidades.

Uma das denúncias, da Folha de S. Paulo, revelava que o nome da Fundação Getúlio Vargas fora usado indevidamente para fraudar licitação no Ministério da Agricultura, que levou à vitória da Fundasp (Fundação São Paulo). O contrato era de R$ 9,1 milhões. Agora, a Polícia Federal confirma que um documento da FGV usado na licitação era “falso”.

O episódio contribuiu para a queda de Rossi, pois o lobista Júlio Fróes, que tinha livre acesso ao ministério na gestão do ex-ministro, foi acusado de distribuir propina a funcionários após assegurar o contrato para a Fundasp. A Fundação, é claro, nega que o lobista a representasse.

A Polícia Federal não quer dar mais detalhes sobre a investigação, anunciando apenas que, ao todo, serão indiciadas nove pessoas, entre servidores e ex-funcionários do Ministério da Agricultura e das empresas envolvidas.

Ficam faltando agora os resultados dos inquéritos contra outros três ministros demitidos por corrupção: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Pedro Novais (Turismo). Sem falar em Erenice Guerra, a ex-ministra que, ao que parece, jamais será punida, apesar da abundância de provas contra ela.

Quanto a Orlando Silva (Esporte),  é até difícil acreditar que ainda continuasse ministro. Os inquéritos contra ele já existiam, com provas e mais provas, e agora tramitam no Supremo Tribunal Federal. Qualquer hora dessas, ele iria cair de maduro.

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