Ex-presidente da OAS diz ter provas da corrupção de assessor de Aécio Neves

Oswaldo Costa, assessor de Aécio, é colecionador de carros

Mario Cesar Carvalho e Bela Megale
Folha

O empreiteiro Léo Pinheiro, sócio e ex-presidente da OAS, vai relatar, com base em documentos, que pagou suborno a auxiliares do então governador de Minas Gerais, o hoje senador Aécio Neves (PSDB), durante a construção da Cidade Administrativa. Trata-se da mais cara obra do tucano nos oito anos em que permaneceu à frente do Estado, entre 2003 e 2010.

O relato de Pinheiro sobre o centro administrativo, um complexo inaugurado em 2010 para abrigar 20 mil funcionários públicos, faz parte do acordo de delação premiada que está sendo negociado com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato de Curitiba e Brasília. O acordo ainda não foi assinado.

Segundo Pinheiro, a OAS pagou 3% sobre o valor da obra a um dos principais auxiliares de Aécio, Oswaldo Borges da Costa Filho.

TESOUREIRO INFORMAL – Conhecido como Oswaldinho, ele é apontado por tucanos e opositores como o tesoureiro informal de seguidas campanhas de Aécio, entre 2002 e 2014.

Aécio nega com veemência que tenha recebido qualquer recurso ilícito e que tenha havido irregularidades na obra.

Ele não comentou, no entanto, os relatos de que Oswaldo teria sido seu tesoureiro informal.

Estimada em R$ 500 milhões, a obra da Cidade Administrativa foi orçada em R$ 949 milhões, mas acabou custando R$ 1,26 bilhão, segundo documentos do governo de Minas obtidos pela Folha, mas que a atual administração, do PT, não comenta.

Esse foi o custo das obras de engenharia; com mobiliário e outros itens, o gasto total alcança R$ 2,1 bilhões, ainda de acordo com os dados obtidos pela Folha.

EM CONSÓRCIO – Junto com Odebrecht e Queiroz Galvão, a OAS fez um dos três prédios do complexo, o Edifício Gerais. No consórcio, a Odebrecht era a líder, com 60% do valor do contrato. A OAS respondia por 25,71% e a Queiroz Galvão, por 14,25%.

Como a OAS recebeu R$ 102,1 milhões, os 3% da suposta propina seriam equivalentes a pouco mais de R$ 3 milhões.

Oswaldo é contraparente de Aécio: ele é casado com uma filha do padrasto do senador, o banqueiro Gilberto Faria (1922-2008). Tanto tucanos como opositores em Minas contam que o auxiliar atuou como tesoureiro informal das campanhas de Aécio para o governo de Minas, para o Senado e para a Presidência.

Após vencer a eleição para o governo em 2002, o tucano colocou-o para presidir a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, uma empresa pública dona de mineradoras, hotéis e fontes de água mineral.

LICITAÇÃO – Foi essa empresa, chamada Codemig, que fez a licitação em 2007 e cuidou da obra da Cidade Administrativa, o que foi considerado incomum, já que Oswaldo teve papel na arrecadação da primeira campanha de Aécio ao governo mineiro.

A família de Oswaldo também é proprietária de uma empresa de táxi-aéreo que é dona de um jatinho Learjet que foi usado por Aécio.

Ele tem uma coleção de carros raros, entre os quais um Rolls-Royce que Aécio costumava usar quando era governador. A joia da coleção, no entanto, é um Bugatti 1938.

HÁ PROVAS – Léo Pinheiro relatou a investigadores da Lava Jato que tem provas do caminho que o dinheiro percorreu até chegar ao assessor do tucano.

Oswaldo também é citado numa lista da Odebrecht na qual aparecem 316 políticos que teriam recebido propina, segundo a Polícia Federal. Ao lado do nome dele, aparece o nome de um diretor da Odebrecht em Minas e a mensagem de que o grupo viabilizaria uma doação de R$ 15 milhões para “Mineirinho”, codinome que a PF está investigando para saber quem é.

A anotação é de setembro de 2014, quando Aécio disputava a eleição presidencial que foi vencida por Dilma Rousseff (PT).

Os primeiros esboços da Cidade Administrativa foram apresentados por Oscar Niemeyer em 2004, mas a obra só foi iniciada em 2007.

INVESTIGAÇÕES – Quatro inquéritos foram abertos para apurar possíveis irregularidades na obra. Um deles investiga se houve conluio entre as nove empreiteiras que fizeram a obra.

O Ministério Público não soube informar o estágio atual das investigações ou se alguma das apurações já foi encerrada.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse em nota à Folha que desconhece os relatos feitos pelo empresário Léo Pinheiro sobre suposta propina em sua administração e que considera as declarações “falsas e absurdas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Os carros antigos de Oswaldo Borges da Costa Filho pertencem à família da mulher dele e foram herdados dos colecionadores Gilberto Faria e Clemente de Faria, que eram banqueiros. (C.N.)

13 thoughts on “Ex-presidente da OAS diz ter provas da corrupção de assessor de Aécio Neves

  1. E lá vamos “nóis” de novo com as milhares, senão milhões de delações contra o queridinho playboy do Rio de Janeiro e Candidato do Partido do Patê de Fígado de Caviar.

    “Sempre é melhor ser descendente dos senhores de engenho do que ser descendente de escravos.”

    Que o diga o dono daquela cremalheira novinha em folha, de saída dos melhores dentistas deste Páis de desdentados.
    A propósito, perguntar não ofende, mas essa cremalheira bem branquinha que brilha quando dá entrevistas e desculpas esfarrapadas aos jornalistas amestrados foi paga com recursos do Estado Grandão ou com recursos do Estado Mínimo (empreiteiras-amigas)…

    Dona janaina, where are you……??

  2. “Estimada em R$ 500 milhões, a obra da Cidade Administrativa foi orçada em R$ 949 milhões, mas acabou custando R$ 1,26 bilhão, segundo documentos do governo de Minas obtidos pela Folha, mas que a atual administração, do PT, não comenta.”

    Caramba, igualzinho a todas as obras do ex governador Sergio Cabral aqui no RJ, começavam num valor e os aditivos mais que a duplicavam. Aliás, Aécio e Cabral são amicíssimos e rola até algum laço familiar, a única vantagem que Cabral levava é que ele e Lulla eram unha e carne…

  3. Informações do PSDB-MG
    “Foto de PSDB MG.
    PSDB MG
    6 h

    Confira nota do PSDB de Minas sobre falsas denúncias envolvendo o senador Aécio Neves

    1 – O senador Aécio Neves desconhece as afirmações publicadas atribuídas ao sr. Leo Pinheiro e as considera falsas e absurdas.

    2 – O sr. Oswaldo Costa é empresário conhecido e respeitado em Minas Gerais muito antes de ocupar funções de governo e, como inúmeros companheiros, atuou, de forma pública e transparente no apoio às campanhas do PSDB.

    3 – As obras da Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais foram executadas com absoluta transparência e permanente acompanhamento pelos órgãos de controle.

    4 – A correção dos procedimentos de execução da obra foi atestada por empresa de gerenciamento e auditoria externa contratada por meio de processo de licitação e pelos órgãos de controle do Estado.

    5 – Os editais foram submetidos para avaliação prévia do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), antes da abertura do processo de licitação.

    6 – As obras foram licitadas em março de 2007, tiveram contratos assinados em 5 dezembro de 2007 e foram concluídas em março de 2010.

    7 – O valor inicial da obra foi de R$ 949 milhões. O valor dos aditivos foi de cerca de 10% do total apenas, muito abaixo dos percentuais praticados em obras públicas. Com os aditivos, a obra ficou em R$ 1.050.182.771,92.

    8 – O valor de R$ 1,26 bilhão divulgado pela Folha de S.Paulo inclui correção monetária obrigatória aplicada a todas as obras públicas realizadas no país e o valor de um túnel de acesso, licitado posteriormente para garantir segurança de tráfego aos servidores e que não fazia parte da construção do complexo anteriormente orçado.

    9 – Como forma de baratear os custos de execução e abrir espaço para participação de mais empresas, as obras foram divididas em três lotes distintos. O consórcio do qual fez parte a OAS respondeu pela execução de um deles.

    10 – O valor de participação da OAS no lote licitado foi menos da metade do informado pelo jornal. A participação da OAS foi de cerca de R$ 50 milhões. A participação de cada empresa nesse lote foi de 60% (Odebrecht), 25,71% (Queiroz Galvão) e 14,29% (OAS).

    11 – Ao final das obras, o consórcio da OAS apresentou solicitação de aumento nos valores a serem pagos. O pleito não foi aceito pelo Estado

    12 – Não é verdadeira a afirmação de que o nome do sr. Oswaldo Costa tenha sido citado em lista de políticos que teriam recebido propina da Odebrecht.

    13 – A Odebrecht doou à campanha nacional do PSDB, em 2014, cerca de R$ 15 milhões como devidamente declarado junto ao TSE.

    14 – Não é também verdadeira a informação publicada de que o então governador Aécio Neves “costumava usar” um Rolls Royce de propriedade de Oswaldo Costa. O empresário é conhecido colecionador de carros antigos há mais de quarenta anos e cedeu veículos apenas para a cerimônia de posse dos governadores Aécio Neves e Antonio Anastasia no governo de Minas. Um deles inclusive utilizado pelo então governador Juscelino Kubitschek na década de 50. O carro jamais foi usado pelo então governador em qualquer outra ocasião como sugere a matéria.

    15 – Ressalte-se que as contribuições feitas pela OAS ao PSDB de Minas e Nacional nesse período encontram-se registradas na contabilidade do Partido

    16 – Acusações da gravidade das publicadas precisam vir acompanhadas de provas, sob o risco de servirem a interesses outros que não os da verdade.

    17 – Registramos ainda que causa estranheza a insistência com que esse trecho da suposta delação do sr. Leo Pinheiro vem sendo vazado de forma reiterada a veículos de imprensa nas últimas semanas.

    18 – O senador Aécio Neves reafirma sua confiança de que, ao final, a verdade prevalecerá e a correção da atuação dos auxiliares do então governador restará constatada.”

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