Ex-presidente da Sete Brasil acusa Barusco e Vaccari de armar a corrupção

Barusco e Vaccari comandaram a corrupção na Sete Brasil

Deu no Correio Braziliense

Em seu primeiro depoimento ao juiz Sérgio Moro, realizado terça-feira (19/7) o ex-presidente da Sete Brasil João Carlos de Medeiros Ferraz contou em detalhes como o esquema de corrupção na Petrobras foi replicado na empresa criada para a produção de sondas de exploração do pré-sal. Ferraz fechou um acordo de colaboração com a Lava-Jato e revelou a Moro que teve a ajuda de um banqueiro suíço para abrir duas offshores (empresas em paraíso fiscal) no final de 2011 e que foram utilizadas para ele receber cerca de US$ 1,7 milhão em propinas de um dos estaleiros contratados pela Sete Brasil no período em que ocupou a presidência da companhia, entre 2011 e 2014.

Ele depôs ao juiz da Lava-Jato na ação penal em que o Ministério Público Federal aponta o pagamentos de propinas de R$ 185 milhões referentes ao contrato da Sete com a Keppel Fels (responsável pelo estaleiro BrasFels) para a produção de quatro sondas de exploração de pré-sal. Ferraz responde, junto com outros oito réus pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

NA SUÍÇA – As contas da empresa, chamada Firaza, foram abertas pelo banco Kramer e ficavam na instituição financeira no país europeu. O processo de abertura, segundo revelou o executivo, ocorreu durante uma viagem de Ferraz e do ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco à Itália para ver o Grande Prêmio de Fórmula 1 no circuito de Monza, tudo a convite da Petrobras.

“Na oportunidade nós encontramos um banqueiro do banco Kramer. Esse banqueiro me explicou como era toda a estrutura, como que seria feita a abertura da conta. A abertura dessa conta estava associada a criação de uma empresa offshore”, contou. “Uma seria em Luxemburgo e outra seria no Caribe, e essa estrutura, segundo o banqueiro, daria mais solidez, maior segurança”, seguiu o executivo. De acordo com ele, foi o próprio banco que montou a estrutura para a lavagem de dinheiro de propina.

ESQUEMA DE CORRUPÇÃO – Um dos idealizadores do projeto da Sete Brasil – a principal aposta dos governos Lula e Dilma para incentivar a produção naval nacional e o pré-sal -, junto com Barusco, João Ferraz veio de uma trajetória técnica na área de Finanças da Petrobras e disse que só teve contato com esquemas de corrupção ao chegar na Sete. Foi o próprio Barusco, que também foi diretor na Sete Brasil e recebia propinas na Petrobras desde 1997, quem lhe revelou o esquema.

“Esse esquema foi implantado pelo próprio Barusco, e pelo que ele me informou, em conjunto com o João Vaccari (ex-tesoureiro do PT). Os dois negociaram com os estaleiros o pagamento de comissão de 0,9% sobre o valor total de cada contrato”, contou.

Dessa percentagem, dois terços ficavam com o PT, por meio de João Vaccari Neto e o restante era dividido igualmente entre o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e funcionários da Sete, incluindo Ferraz.

COM BARUSCO – Ele disse ainda que nunca tratou destes acertos com os estaleiros. “Na verdade, nunca conversei com nenhuma pessoa jurídica ou física a respeito destes pagamentos (de propina), a única pessoa que conversei a respeito deste assunto foi com o Barusco, que se encarregou em fazer a centralização de tudo”, disse.

Ao todo, a Sete Brasil chegou a firmar contratos com cinco estaleiros para a produção de 29 sondas. Além disso, a empresa fez sociedade com seis grandes companhias que iriam atuar como operadoras das sondas. A Lava Jato aponta, com base nas delações premiadas e nas investigações dos contratos da Sete e das empresas de operadores de propina no exterior, que haveria um esquema de corrupção nos mesmos moldes do que foi instalado na Petrobras e que parte das comissões destinadas ao PT no esquema teriam abastecido contas do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura – que atuaram nas campanhas eleitorais de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014).

DEFESAS – João Santana e Mônica Moura negam envolvimento nas irregularidades apontadas pelo MPF. O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende Vaccari, afirmou que as acusações feitas contra seu cliente não procedem.

“O que tem acontecido ao longo da operação é que existem algumas palavras de delatores, mas essas não têm se confirmado. Não tem prova nenhuma disso”, afirmou.

9 thoughts on “Ex-presidente da Sete Brasil acusa Barusco e Vaccari de armar a corrupção

  1. “Procurador é barrado em inspeção de estaleiro nuclear

    Brasil 20.07.16 22:00 (O Antagonista)

    O procurador Ivan Marx foi impedido de participar de inspeção no estaleiro Itaguai, da Odebrecht, onde será montado o submarino de propulsão nuclear comprado da França.

    O MPF suspeita de irregularidades na escolha da empreiteira para erguer o estaleiro e no custo da obra de R$ 28 bilhões.

    A Câmara de Coordenação e Revisão e Combate à Corrupção do MPF em Brasília não autorizou a viagem de Ivan para o Rio de Janeiro. A inspeção acabou sendo feita apenas por procuradores militares.

    Para contornar o problema, Marx solicitou à PGR a constituição de uma força-tarefa para investigar o contrato.”

  2. Em breve nos cinemas:
    Datafolha – eu não pergunto e você responde….kkkk
    Vou dormir senão o meu médico pode imaginar que estou com insônia…
    Ta ruim mas tá divertido….

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