Excessiva tolerância da imprensa esportiva

Tostão (O Tempo)

Uma correção. A memória me deu um drible. Escrevi que, anos atrás, vi, por meio de DVDs, todos os jogos do Brasil na Copa de 1958. Assisti, na íntegra, apenas aos jogos da semifinal e da final. Nas outras partidas, vi somente os gols.

Na semana passada, mesmo em férias, em uma belíssima praia da Bahia, não resisti e assisti a alguns jogos da Copa dos Campeões da Europa e ao amistoso entre Brasil e Argentina, apenas com jogadores que atuam nos dois países. A Argentina leva desvantagem, por não ter um único titular na seleção principal.

Foi ótimo ver Oscar fazer dois belos gols pelo Chelsea contra a Juventus. Mas ainda é cedo para os apressados dizerem que ele já é uma estrela mundial.

No clássico entre Manchester City e Real Madrid, ficou claro que os técnicos europeus acertam e erram até mais que os do Brasil. Marcelo avançou umas quinhentas vezes pela esquerda, sem marcação. Fez um belo gol e poderia ter feito mais uns três. Enquanto isso, Aberloa, lateral-direito do Real, que não precisa ser marcado, tinha sempre um jogador rival à sua frente.

No domingo, assisti, na íntegra, aos jogos entre Atlético e Grêmio e São Paulo e Cruzeiro. Foram duas partidas ruins. Foi a pior do Atlético, no Independência, neste campeonato. O Cruzeiro sempre joga mal, mesmo quando vence. O time é um retrato do estilo atual de se jogar no Brasil. Não há troca de passes entre a defesa e o ataque nem futebol coletivo. Apenas jogadas individuais, isoladas, pois há bons jogadores, principalmente os veteranos.

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POUCOS CRAQUES

A presença de poucos craques é causa ou consequência do jeito feio e truncado de se atuar no Brasil? Uma coisa alimenta a outra. É um ciclo mais ativo que se perpetua.

A maioria das partidas do Brasileirão é truncada, como a entre Atlético e Grêmio, dois candidatos ao título, porque os árbitros marcam muitas faltas e também porque os jogadores se preocupam mais em dar trombadas, reclamar, discutir e simular do que jogar futebol.

É a união de hábitos ruins com a má educação dos jogadores e a conivência dos técnicos, que não têm nenhum compromisso com a qualidade do espetáculo. Soma-se a tudo isso a excessiva tolerância de parte da imprensa com a mediocridade e a violência nos gramados.

Em um dos programas do SporTV, três comentaristas elogiavam bastante o Grêmio e diziam que Luxemburgo é, disparado, o melhor treinador brasileiro. Parecia até que o Grêmio era líder e que possui apenas jogadores modestos. Os méritos seriam muito mais para o treinador. Se Celso Roth, tão criticado, tivesse os jogadores que tem o Grêmio, o Cruzeiro, provavelmente, estaria entre os primeiros.

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