EXCLUSIVO – A verdade sobre a privatização das telecomunicações, vista pelo lado de dentro.

Luiz Cordioli

Sobre telecomunicações, dou aqui meu testemunho, porque trabalhei 20 anos para a Telebrás, fabricando e montando torres. Quando entregava duas delas, em 1995, ouvi de um engenheiro da Telebrasília que o Serjão Motta, enquanto alardeava a necessidade de privatizar a Telebrás, ao mesmo tempo, bloqueava sua atuação.

Exatamente naquela época, a Telebrasília havia pedido autorização (acreditem, era assim, pedia autorização para trabalhar!) para instalar 650 mil novas linhas ! Só que o arauto da incompetência da estatal autorizou somente 50 mil linha, ele, Sérgio Motta, o trator…

Este relato é de 1995, eu sou testemunha viva, ainda. Isto posto, peço àqueles que não viveram “por dentro” o lastimável crime de privatizar a Telebrás, que pelo menos saibam como funcionava a “incompetente” Telebrás:

Antes de me comprar uma torre vagabunda qualquer e instalar uns tantos telefones “autorizados”, a empresa tinha primeiro a obrigação de comprar o terreno, com escritura passada e tudo, depois construir as instalações, em seguida preparar as equipes, para só então poder fazer o seu trabalho de fundo: comprar a torre, as antenas, instalar tudo e disponibilizar telefones à população.

Hoje não, as privatizadas alugam topos de prédios, compartilham torres, alugam terrenos etc,, acelerando as coisas. Mas para a Telebrás, repito, isto era proibido!

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DIFICULDADES

Avaliem o custo prévio e o tempo para instalar uma torre completa. Era o governo que obrigava a ser assim, cobrava que fosse assim e impedia que se fizesse de outra forma. Resumindo, a Telebrás não tinha autonomia para empreender e inovar, mormente quando já se preparava a sua entrega “de grátis”, via privatização, a estrangeiros e ao irmão do privatizador Tasso Jereissati, a mando do Serra, de FHC e de tantos outros intere$$ado$.

Prova cabal de que a Telebrás não era este monstro de incompetência que alguns, em todo lugar, por ignorância, alegam a toda hora, inclusive aqui na Tribuna, é que ela era chamada a “Joia da Coroa”. E foi engraçado, muito engraçado mesmo, ver agora um anúncio da Anatel, preparando um plano básico único, a ser aplicado por todas as privatizadas operadoras.

Ora, não sejamos palhaços, isto é concorrência? Então, todo mundo, agora, a mando da Rainha, vai cobrar a mesma coisa, independente de tudo, inclusive da qualidade do péssimo serviço que nos oferecem?

Só para começar, onde está a concorrência alegada para justificar a maldita privatização?

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BANHO DE LOJA

Sem falar no “banho de loja” dado pelo governo antes da efetiva entrega da Joia da Coroa. Confirmo o valor dito pelo Francisco de Assis, constante no livro do saudoso Aloysio Biondi, “O Brasil privatizado”: investimentos do governo na Telebrás pré-privatização de R$ 21 bilhões (R$ 7,5 bilhões em 96, R$ 8,5 bilhões em 97 e R$ 5 bilhões em 98) e que não entraram no cálculo do preço de venda. Resultado da privatização da Telebrás: R$ 22,057 bilhões…

Outra coisa já colocada, mas que poucos querem ou conseguem entender, é o fato de que telefone naquela época era um ativo, de fato, declarado no imposto de renda e tudo, mas valia o que custava.

Só que as tarifas, por outro lado, eram baratas, ridículas, se comparadas com as de hoje, quando em 10 meses você paga em tarifas o preço de um telefone inteiro daquela época, que tinha valor garantido. Telefone era um ativo, hoje é um passivo.

“O que vale na telefonia nunca foi o aparelho. É o serviço, estúpido!”, nos diria ninguém menos que o Bill Clinton…

Não é à toa serem as operadoras as empresas contra quem mais se reclama neste País, conforme noticiário.

Quanto à Telebrás, eu afirmo e confirmo com vários outros analistas que houve exatamente isto colocado acima: foi sabotada, abafada, bloqueada, impedida internamente de ser eficiente, para justificar seu descarte, a preço vil.

Os trouxas – pensavam seus autores – vão acreditar. E estavam certos, pois até hoje tem gente que desconhece o ocorrido e guia-se pelas manchetes da época, todas compradas pelos mesmos intere$$ado$.

Quanto às outras estatais, concluo que houve o mesmo procedimento dos privatizadores, na esteira do que presenciei profissionalmente na Telebrás e do que tenho nos meus arquivos pessoais.

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