Exemplo do Uruguai na liberação da maconha

Heron Guimarães

O Uruguai deu um grande passo rumo à legalização do consumo e do controle da produção de Cannabis sativa em seu território. A Câmara de Deputados aprovou o projeto de iniciativa governamental que permite aos vizinhos a importação, o plantio, o cultivo, a colheita, a aquisição, a armazenagem e a comercialização da planta e de seus derivados, enfim, a cadeia produtiva estaria, em tese, nas mãos dos governantes, como é feito hoje com o cigarro de tabaco e com as bebidas alcoólicas.

Se o projeto passar pelo crivo do Senado, esse pequeno país ao sul do Brasil, que já se notabilizou por criar leis modernas de proteção das relações homoafetivas, será o primeiro do mundo a transformar teoria em prática, mesmo sob risco – calculado, segundo o presidente – de corroborar argumentos conservadores de que a legalização tende a aumentar o consumo e as consequências maléficas do vício, como o aumento da violência e dos males à saúde pública.
Embora pesem sobre a legalização da maconha todas as dúvidas sobre o aumento do consumo – o que não deixa de ser uma constatação óbvia – e de seus efeitos colaterais na sociedade, a iniciativa do presidente José Mujica é para ser enaltecida. Ele pode até estar errado, mas está fazendo algo diferente, saindo da zona de conforto e se abrindo para críticas. Dando a mão à palmatória. Pode pecar pelo equívoco da tentativa, mas não pela covardia da omissão, o que é raro em sociedades tão impregnadas pelo politicamente correto.
Com as suas características peculiares, descartando cerimônias cansativas e falatório desnecessário, o presidente deixa claro que o Uruguai pode estar dando ao mundo, sobretudo aos países da América Latina, o direcionamento para o enfrentamento às drogas. O argumento de que a maconha é a porta de entrada pode até ser correto – apesar das controvérsias –, mas qual diferença existe em ela ser legalizada ou não? Já estamos cansados de saber que o acesso à maconha não depende de decreto.
VOLTAR ATRÁS
Deixando claro que se trata de uma “experiência”, Mujica diz que não seria nem um pouco desconfortável para ele e para o Uruguai ter que voltar atrás. O presidente está correto. Objetivamente, qual o problema que se tem de voltar a proibir a Cannabis se os indicadores de segurança e saúde pública que têm relação exclusiva com a droga se tornarem piores?
Os riscos em uma medida progressista existem, mas a possibilidade de uma política dessas dar certo também é real. O presidente uruguaio, ao mesmo tempo em que defende o controle do consumo, da venda e da produção da maconha pelo Estado, aponta para medidas restritivas contra o tabaco e o álcool. Mais uma vez, há coerência nessas medidas, apesar da cara feia dos conservadores.
No fundo, o Uruguai, através de seu presidente, está apenas oficializando o que já está nas ruas. Dificilmente, algum dos atuais mandatários da América do Sul não provou um baseado, assim como qualquer adolescente tem, na hora em que quiser, uma porção de Cannabis à disposição. O Brasil, apesar de suas mazelas e seus políticos nem tanto corajosos, não é o Uruguai, mas terá a cômoda situação de aguardar pelo exemplo do vizinho. (transcrito de O Tempo)

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11 thoughts on “Exemplo do Uruguai na liberação da maconha

  1. Se der errado, e tem tudo para dar errado, será difícil voltar atrás. Ninguém vai obedecer à revogação dessa permissão. Quem libera o uso de drogas só pode estar sob inspiração diabólica. Notícias do Além dão conta da existência do Vale das Drogas, dominado pelas Trevas e destinado à expiação de quem se vinculou a essa sintonia com as drogas. O bom senso diz que liberar o uso de drogas não pode estar correto. O resto é conversa fiada.

  2. João Diniz, eu não quis contribuir para o debate, já que parece que a insanidade tomou conta da maioria. Meu objetivo é exercer o meu direito de opinar. O que citei trata-se de convicção que tenho. As notícias, independentemente de que se trata, sempre existirão, basta querer buscá-las. Aí já é problema de cada um.

  3. uau:
    este senhor considera libera a maconha “um progressismo”????
    e ainda ataca os “conservadores” pelo que ouvi a maioria da populaçao uruguaia é contra o projeto. agora me explica essa adjetivaçao de progressista: o regime cubano é revolucionario, igual ao da coreia do norte , do norte eles sao o que? aquilo é formol puro ou nao? liberar as drogas somente contribui para diminuir o ja pequeno juizo da juventude nao vê que é manter alienados os jovens, obstruir o senso crítico onde fica o seu tal progressismo?

  4. Só sei que depois dessa notícia, as atrações turísticas daquele país se tornarão bem “atraentes” – vai ter congestionamento perene nas vias aéreas e terrestres para sempre! Duvido que o Presidente Mujica revogue a lei!

  5. Levar o Uruguai a sério? Só lembrando que lá fizeram dois plebicitos para manter a anistia. Após os dois plebicitos que aprovaram a manutenção da anistia, por apenas 16 votos a anistia foi revogada. O Brasil tem seus problemas, mas tomar o Uruguai como exemplo é tragi-cômico.
    Esta lei é como jogar barro numa parede: se colar, colou, se não colar, era barro mesmo!

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