Fabio Wajngarten deverá deixar o comando da Secom e almirante Flávio Rocha é cotado para o cargo

Bolsonaro já vinha demonstrando descontentamento com empresário

Gustavo Uribe, Daniel Carvalho e Ricardo Della Coletta
Folha

O presidente Jair Bolsonaro decidiu nesta quinta-feira, dia 25, alterar o comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República, hoje chefiada pelo empresário Fabio Wajngarten. A ideia do presidente é colocar a estrutura de comunicação sob o comando do atual chefe da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), almirante Flávio Rocha, que deve acumular as duas funções.

Com a alteração, o presidente pretende nomear Wajngarten para um posto de assessor especial da Presidência da República, provavelmente em São Paulo, para onde o secretário costuma viajar com frequência, um dos motivos de seu desgaste no governo.

SUBORDINAÇÃO – A tendência é a de que a Secom, pelo menos por enquanto, siga subordinada ao Ministério das Comunicações, de Fábio Faria. O almirante e o ministro são próximos e, no início do mês, viajaram juntos em missão diplomática para Ásia e Europa.

Segundo três pessoas ligadas ao presidente, Faria foi o responsável por articular a ida do almirante para a Secom e, por isso, a troca não significa uma militarização da comunicação do governo, apesar de Rocha ainda estar na ativa.

DESCONTENTAMENTO – A saída de Wajngarten ocorre após um histórico de desentendimentos do empresário não só com a imprensa, com sua própria equipe e com Fábio Faria, como também com o gabinete da Presidência da República, sobretudo envolvendo a política de comunicação durante a pandemia do coronavírus. As críticas chegavam a Bolsonaro, que já vinha demonstrando descontentamento com o empresário.

Segundo relatos feitos à Folha, a cúpula militar reclamou mais de uma vez com o presidente sobre notas à imprensa divulgadas pela Secom que, na avaliação dela, deveriam ter sido produzidas pelo Ministério da Saúde, responsável pela resposta à crise sanitária.

Diante do agravamento da crise sanitária, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, chegou a contratar um marqueteiro para comandar a comunicação da pasta, na tentativa de centralizar na Saúde as respostas à pandemia.

DESCONFIANÇA – No Palácio do Planalto, porém, sempre houve desconfiança sobre Marcos Eraldo Arnoud, mais conhecido como Markinho Show. Auxiliares do presidente dizem, sempre sob reserva, que ele tentava conquistar o posto de Wajngarten. Além das quedas de braço sobre a pandemia, no final do ano passado, Wajngarten e Faria tiveram um desentendimento em relação à estratégia de comunicação do governo federal. Segundo assessores presidenciais, os dois fizeram as pazes em janeiro, mas o episódio irritou Bolsonaro.

No entanto, Faria esvaziou o cargo de Wajngarten, tomando para ele as principais atribuições da Secom. Mais recentemente, o ministro mudou-se para o Palácio do Planalto para despachar um andar abaixo do gabinete do presidente.

A ideia é que, no posto de assessor especial, Wajngarten continue contribuindo na relação do governo com emissoras de comunicação. Ele tem proximidade, por exemplo, com dirigentes do SBT e da Bandeirantes.

INEFICIÊNCIA – A comunicação do governo é alvo de críticas internas e externas desde o ano passado. Somada à dificuldade que Bolsonaro tem de se expressar, como ficou provada no episódio da Petrobras, a comunicação do governo se mostrou ineficiente em momentos de crise.

No ano passado, a Folha revelou que Wajngarten recebia, por meio de uma empresa da qual é sócio, dinheiro de emissoras de televisão e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo federal.

Homem de confiança de Bolsonaro, Rocha já comandou a comunicação da Marinha. No início do mês, ao lado de Faria, participou de negociações com a China sobre o leilão da rede 5G no Brasil.

CULTO E VERSÁTIL – Tido no Palácio do Planalto como culto e versátil, o almirante sempre foi lembrado como opção em momentos de vacância de cargos. Foi assim quando o ministro Jorge Oliveira foi escolhido para vaga no TCU (Tribunal de Contas da União), deixando sem titular a Secretaria-Geral.

O nome do almirante surgiu novamente no início do ano como possível substituto do chanceler Ernesto Araújo, quando o chefe do Ministério das Relações Exteriores sofreu desgaste por causa da dificuldade na importação de vacinas da Índia e insumos farmacêuticos para a produção de imunizantes da China.

Nas últimas semanas, a Secom vem passando por uma devassa. Já houve 15 demissões que, segundo assessores palacianos, aconteceram a pedido de assessores do gabinete de Bolsonaro. Os funcionários afastados, em sua maioria, atuaram em gestões passadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCoitado do almirante… Terá de fingir que conduz uma nau que está sob comando real de um grumete chamado Carluxo Bolsonaro. O papel do almirante será apenas simbólico. Nada fará de positivo, salvo passar no caixa todo final de mês. (C.N.)

7 thoughts on “Fabio Wajngarten deverá deixar o comando da Secom e almirante Flávio Rocha é cotado para o cargo

  1. PADRES CIENTISTAS E INVENTORES: Roberto Landell de Moura (gauchíssimo), Bartolomeu de Gusmão (paulista), Nicolau Copérnico, Gregor Mendel (monge), Ruder Bascovich, George Lamaître,
    Nunca li, em tempo nenhum da história da civilização, um projeto de altíssima complexidade – daqueles que exigem genialidade, tocado por militares – que atigisse o objetivo, em sua plenitude.
    No projeto Manhattan, por exemplo, o único militar de destaque era o gen. “araponga”, Leslie Groves, responsável por monitorar os passos dos técnicos e cientistas civis: Norris Bradbury, John Manley, Enrico Fermi (meu favorito), J. M. B. Kellogg. Robert Oppenheimer e outros.
    -Será se aqueles gestos catatônicos, brados monótonos histéricos, como se estivessem a treinar um animal afalado, sem direito a questionar: isso vai atrofiando os cérebros dos milicos? -Ou seria por que a palavra MILITAR é anagrama (tem letras iguais) de LIMITAR?

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