Fake news! Bolsonaro inaugura obra hídrica que não funciona, porque ele vetou os recursos

Jair Bolsonaro durante passagem por Sertânia (PE) em fevereiro

Com a sanfona, Bolsonaro comanda uma “fake inauguration”

Camila Mattoso
Folha

O presidente Jair Bolsonaro protagonizou nesta quinta-feira (21) a cerimônia de inauguração do Ramal do Agreste na cidade de Sertânia, em Pernambuco. Marcado para as 13h40, o evento faz parte do que foi batizado de Jornada das Águas pelo governo federal, uma série de viagens do presidente e de ministros para anunciar ou inaugurar obras hídricas em dez estados.

No entanto, após a inauguração feita por Bolsonaro, o Ramal do Agreste não começará a cumprir a sua função de levar água às casas de mais de 2 milhões de pessoas em 68 cidades da região com mais escassez hídrica do estado.

OBRA PELA METADE – Para entrar em funcionamento, o Ramal depende da conclusão das obras da Adutora do Agreste, que, de acordo com o governo Paulo Câmara (PSB-PE), só não foram finalizadas porque o próprio presidente da República vetou, em abril, o envio de R$ 161 milhões previstos para isso.

Enquanto a conexão com o complexo da adutora não for concluída, o ramal inaugurado não cumprirá seu papel.

“Em todo o ano de 2021, nenhum único centavo foi repassado ao Governo de Pernambuco para o andamento das adutoras”, diz a administração estadual, em nota.

INCERTEZAS – “Deixando bem claro: em 2021, a União não realizou nenhuma transferência de recursos”, o que, segundo a nota do governo pernambucano, fez com que o ritmo das obras fosse reduzido, “por conta da incerteza na disponibilidade financeira por parte do Governo Federal e não por conta da ordem de execução dos trabalhos.”

O Ministério do Desenvolvimento Regional, de Rogério Marinho, critica a sequência de execução dos trechos da Adutora do Agreste escolhida pelo governo pernambucano. O ministro participará do evento em Sertânia.

Segundo alega a pasta, em nota, a administração estadual começou a obra física “do fim para o início”, priorizando outros trechos que não o Ipojuca-Mimoso. “Caso o governo do estado tivesse executado prioritariamente este trecho, com a conclusão do Ramal do Agreste, a água do Projeto São Francisco chegaria aos municípios contemplados nesta etapa da Adutora”, diz a pasta.

DESCULPAS DO GOVERNO – O ministério acrescenta que a Adutora do Agreste recebeu R$ 248,2 milhões do ministério nos anos de 2019 e 2020. “Em verificação realizada em agosto de 2021, a pasta apurou a existência de R$ 47 milhões repassados pela União, mas não executados, no caixa do Governo Estadual. Apesar disso, o MDR e o Ministério da Economia estão em tratativas para tentar viabilizar novos repasses.”

Em sua nota, a pasta não comentou o veto de Bolsonaro aos repasses em abril.

O ministério também acusa o governo estadual de omitir em suas divulgações que “90% dos recursos da Adutora do Agreste são repassados pelo governo federal.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, pode-se dizer, sem medo de errar, que o governo sempre se beneficiou de “fake news” (notícias falsas) e agora resolveu inovar criando também “fake inaugurations” (Inaugurações falsas). Como diria o cineasta italiano Sergio Leone, tudo por um punhado de votos. Só faltou convidarem o ator Clint Eastwood, que gosta de política e foi prefeito da cidade onde mora, Carmel-by-the-Sea, na Califórnia, (C.N.)

5 thoughts on “Fake news! Bolsonaro inaugura obra hídrica que não funciona, porque ele vetou os recursos

  1. O Paulo Câmara deve ter lido o livro “A Arte da Guerra” pois para garantir que não iriam deixar a obra antes do término, começou do fim para o início o que obriga a completar a obra em sua totalidade.
    PS: No livro fala de cortar todos os caminhos de volta do exército e assim, faze-lo lutar pela vida e ir em frente.

  2. Quando era na época da vagabundagem esquerdista; ninguém reclamava de inauguração pela metade.

    A vagabundagem esquerdista, fazia festa com a distribuição do dinheiro publico para os jornalistas, durante a:

    Festa da “pedra fundamental” do inicio da obra.

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