Então, por que saiu?

Carlos Chagas

Certas coisas, só no Brasil, onde tudo pode acontecer, segundo mestre Gilberto Freire, para quem o Carnaval ainda acabaria caindo numa Sexta-Feira Santa. Espantou-se quem assistiu a solenidade de posse de Aldo Rebelo e, depois, a transmissão do cargo por Orlando Silva. Tanto no palácio do Planalto quanto no ministério dos Esportes, o ex-ministro foi a figura central.
A presidente Dilma Rousseff, discursando, lamentou a saída e disse perder um colaborador excepcional. Aldo Rebelo foi adiante, acentuando ser o antecessor uma vítima inocente. Renato Rabelo falou em campanha sórdida. Funcionários lembraram ser o ex-ministro um cidadão maravilhoso e espetacular. Ora bolas, então por que Orlando Silva saiu?

Ele mesmo, nas duas solenidades, exaltou a própria inocência. Recebeu emocionado abraço de Dilma, cumprimentos efusivos do sucessor e calorosos apertos de mão de todos os ministros presentes. Não teria sido mais lógico que permanecesse, acrescendo que até o seu partido, o PCdoB, mereceu loas generalizadas da presidente e dos demais presentes? São fenômenos que a vã filosofia não explica.

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UM BOM COMEÇO

Noticiou-se que 2.670 ONGs tiveram suspensos seus contratos com o governo, devendo suas atividades passar por rigorosa investigação. O valor total dos convênios agora interrompidos chega a 2 bilhões e 400 milhões. Os serviços prestados pelas entidades são variados, voltados para a juventude, uns, para o ensino, outros, mas muitos apenas de fachada, criados por partidos e grupos políticos na esfera de diversos ministérios, apenas para irrigar as contas bancárias de seus dirigentes e das legendas a que pertencem.

Não escapa um partido, sequer, da base parlamentar do governo. Assim como nos tempos de Fernando Henrique quem mamava nas tetas do tesouro nacional eram o PSDB, o DEM e afins. Vale repetir, melhor oportunidade não há para uma revisão completa da mecânica das ONGs. Porque se elas se intitulam não governamentais, deveriam buscar recursos na iniciativa privada, jamais no governo.

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OS SETE

Falta agora a presidente Dilma nomear os sete integrantes da Comissão da Verdade que durante dois anos investigarão os crimes e abusos praticados contra os direitos humanos durante o regime militar. Não será fácil a seleção, partindo-se do princípio da exclusão óbvia de pessoas ligadas aos dois lados da questão: nem aqueles vinculados aos governos militares, nem os que de forma ostensiva extrapolaram na luta contra os então detentores do poder. Pode ser que o palácio do Planalto venha a se voltar para entidades da sociedade civil, tipo OAB e ABI, pedindo-lhes a indicação de representantes.

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FERIADOS DO MEIO DE SEMANA

Senão perdida, a semana em curso fica esvaziada por conta do feriado de hoje. Menos deputados e menos senadores no Congresso, assim como ministros nos tribunais superiores.O problema é que na próxima semana teremos um repeteco. Dia 15 comemora-se a proclamação da República. Outra desculpa para Brasília funcionar a meia carga. Nos tempos do presidente José Sarney aplicou-se o dispositivo legal que permite ao governo alterar as datas dos feriados, aproximando-os do começo ou do fim da semana. Motivos religiosos fizeram a prática cair em desuso nos governos seguintes, mas nada impede que no próximo ano ela possa ser aplicada. Marcar os dias de ócio para segunda ou sexta-feira pouparia a capital e o país para uma semana de trabalho quase completa, sem prejuízo das comemorações.

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