Falta de sintonia entre Dilma e o PMDB

Carlos Chagas

É aguardado com cautela o pronunciamento  da presidente Dilma Rousseff na abertura do Forum Nacional do PMDB, hoje, aqui em Brasília. Menos porque ela certamente evoluirá sobre o óbvio, ou seja, a importância do apoio do partido ao seu governo, diante da emissão do ministro do Turismo, Pedro Novais. 

Não há sintonia entre o PMDB e a presidente. Enquanto Dilma cumpre a obrigação de engolir as indicações do tipo Pedro Novais, lembrando-se também do episódio Wagner Rossi, de semanas atrás, o PMDB fornece evidências de importar-se muito pouco com as qualidades de probidade e competência que deveriam embasar suas indicações.   Não apenas na Agricultura,  antes, e no Turismo, hoje, fica clara a preocupação maior do partido  de ocupar fatias da administração federal para satisfazer seus caciques regionais, interessando-se menos pela performance de seus ministros.

Não chegará a bom resultado esse distanciamento entre as metas da presidente, de eficiência no governo,  e os objetivos do PMDB, de tirar vantagem do  respaldo dado ao Executivo no Congresso. Um dia a corda arrebenta.�

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MORTE DAS ROSAS

É sempre oportuno recordar o passado, que não nos diz o que fazer no futuro, mas sempre alerta para o que deve ser evitado. 

“Podem matar uma rosa. Duas rosas. Três  rosas. Mas não evitarão a chegada da primavera!”

Quem pronunciou esse desabafo? Ora, o Lula, quando em 1982 candidatou-se ao governo de São Paulo. Suas palavras não foram apenas para o regime militar, que ainda se valia de casuísmos e truculências para não perder o poder. A agressão do líder operário foi dirigida até com maior intensidade  contra o PMDB, naqueles idos pretendendo suprimir outras candidaturas das oposições para centralizar  os votos de protesto em Franco Montoro, afinal o vencedor. O Lula insurgia-se contra a tentativa de sufocar o  recém-criado PT, chamando o PMDB de linha auxiliar do regime, partido  burguês  sem a menor preocupação com os trabalhadores.

Pois é. O tempo passou, a primavera chegou e as rosas floresceram. Só que o PMDB continua onde sempre esteve, mesmo nos governos do PT.

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REAÇÃO

Cresce no Pará  a reação do povo de Belém e arredores contra a divisão do estado em três. Caso criados os novos estados de Tapajós e Carajás, sobrará o “Parazinho”, reduzido em território mas contendo ainda a maior população.  É  essa que parece mobilizar-se para evitar a retaliação, desejada por grupos econômicos e por grileiros.  Como o plebiscito será decidido pela totalidade dos  eleitores paraenses, são razoáveis as chances de continuar tudo como está.

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RESSURREIÇÃO

Na famigerada  Lei de Segurança Nacional,  vigente no regime militar, havia um artigo que ultrapassava   os limites  do ridículo.  Estabelecia que, mesmo verdadeira,  qualquer denúncia contra os presidentes da República,  da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal não poderia ser apresentada na Justiça. Quer dizer, o denunciante já estava obrigatoriamente condenado, ainda que dispusesse de provas, documentos  e testemunhas de algum crime praticado pelos detentores daquelas presidências.

A argumentação,  abominável, era de que a majestade dos  cargos referidos precisava ser preservada, senão qualquer maluco poderia acusá-los, levando-os a perder tempo precioso e a ter sua  imagem prejudicada pelo simples ato de defender-se.  Coisa igual só se viu na Constituição de 1824, que considerava o Imperador inimputável, não podendo ser responsabilizado por coisa alguma, ficando sua figura acima e além da lei.

Pois não é que estão pensando em restabelecer esse princípio? Chefes dos Poderes da União ficariam preservados de tudo e, mais,  quem os denunciasse iria diretamente para a cadeia.   Onde se pensa  assim? No  PT e no PMDB…

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