Falta o projeto de nação, a ser discutido pelos candidatos na campanha de 2018

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

João Domingos
Estadão

Faltando praticamente um ano para o primeiro turno da eleição, a impressão que fica é a de que há um atraso generalizado sobre a definição de partidos, nomes e plataformas de campanha para a sucessão do presidente Michel Temer. E, principalmente, um projeto de nação. Mesmo o ex-presidente Lula, o ex-ministro Ciro Gomes e o deputado Jair Bolsonaro, que já se lançaram candidatos a presidente, devem ao eleitor um detalhezinho que seja de seus programas de governo.

Lula não convencerá o eleitor dizendo que fará um repeteco de seus dois mandatos, caso se livre dos problemas que tem com a Justiça, se candidate e vença a eleição. A política econômica dele foi tocada por Antonio Palocci, hoje preso e na boca para fazer um acordo de delação premiada cujo principal alvo é justamente Lula. Bolsonaro não disse ainda nada do que pretende fazer. O mesmo acontece com Ciro Gomes.

VOTO CONSERVADOR – Cientistas políticos afirmam que o voto deverá ser mais conservador na próxima eleição. E que o eleitor será mais exigente. Só dizer que vai prender e arrebentar, para lembrar uma expressão do ex-presidente João Figueiredo, o último general-presidente do regime militar, não resolve.

O eleitor quer ouvir do candidato o que ele fará com o dinheiro do imposto recolhido dos cidadãos, diz Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que desde a Constituinte de 1987/88 acompanha o Congresso. Por exemplo: tem proposta viável para melhorar o transporte coletivo, a educação, a saúde, a segurança pública, o emprego, a renda, o serviço público, impedir que a corrupção nasça e cresça? De cada candidato será cobrado mais do que eles prometeram nas eleições anteriores, diz Queiroz.

LULA “PERSEGUIDO” – Em relação aos nomes já anunciados como pré-candidatos, e sobre os quais existe a expectativa de que venham a disputar a eleição, Lula parece ter transformado sua candidatura numa tentativa de se proteger da Justiça. Caso venha a ser condenado em segundo instância pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, tornando-se ficha suja. Dirá que se tornou um perseguido político.

Essa estratégia pode ser boa para a figura do ex-presidente. Não é boa para seu partido, hoje obrigado a dizer que tem apenas o plano A, e que esse plano é Lula. Porque, em caso de condenação de Lula, quando o PT perceber que é preciso sim ter o plano B, seja para lançar um candidato próprio, seja para apoiar um de outro partido, talvez Ciro Gomes, poderá ser muito tarde.

Bolsonaro deverá deixar o PSC para se filiar ao PEN, que trocará o nome para Patriotas. Dependerá da força do nome, porque o partido não tem nenhuma condição de lhe garantir nada. Mesmo assim, corre o risco de sumir caso o general Antonio Hamilton Martins Mourão se candidate depois de deixar a ativa, como se especula. O general esteve e ainda está no centro de uma polêmica sobre intervenção das Forças Armadas nas instituições democráticas. Não foi punido. Mas deu um recado justamente para os eleitores de Bolsonaro.

TUCANOS NO MURO – Quanto aos candidatos do centro político, Alckmin tem razão. Não dá para esperar até o fim do primeiro semestre do ano que vem para a definição do nome do PSDB. Está mais do que na hora de se fazer a escolha. E também de divulgar alguns detalhes da plataforma de campanha e do programa de governo.

Já o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) encontra-se numa situação bastante confortável. Ele não precisa dizer que é pré-candidato. Outros dizem por ele. Quanto ao programa de governo, se a economia crescer como é a expectativa, e o emprego voltar, Meirelles poderá dizer ao eleitor que o responsável por tudo é ele. O maior problema para Meirelles talvez seja o fato de que estará com 73 anos na eleição.

8 thoughts on “Falta o projeto de nação, a ser discutido pelos candidatos na campanha de 2018

  1. infelizmente não há um projeto futuro de governo, lembro-me o que era escola pública, onde formavam cidadãos, hoje temos um ensino precário, a escola pública que estudei, tinha quadras de esportes, a didática era diferente do que é hoje, a ditadura militar, transformou as escolas públicas, as escolas da minha época, tinham dentistas, médicos, tudo para atender aos alunos, hoje não temos mais um ensino que faça o aluno pensar, temos um ensino como a música de Zé Ramalho, por isto este país coloca nos poderes pessoas despreparadas, sem o mínimo de patriotismo, espero que o próximo governante tenha esta preocupação, caso haja eleições diretas, vejam que a maioria das crianças de ensino público, não sabem interpretar um texto, porquê, o ensino público atual não forma cidadãos para o país, mas para votar de acordo com interesses escusos. pobre Brasil, sofre nas mãos de incompetentes e corruptos.

  2. Os atuais candidatos à presidência em 2018 não têm projeto de nação porque o país e o povo é o que menos interessa!

    A ambição, objetivo, intenção, meta, resumem-se apenas em obter o poder, o comando político, e roubar o erário, assim como explorar o povo, para que aproveitem a chance de enriquecimento, exatamente como os antecessores fizeram.

    O tal Ciro Gomes, cuja verborragia pode impressionar, pelo menos deveria ser o principal divulgador do programa educacional do PDT, a escola em tempo integral. No entanto, nenhuma palavra a respeito, sinal que a educação que foi o sonho de Brizola e Darcy Ribeiro não faz parte da invisível plataforma do partido, que ainda está atrelado à Dilma, surpreendentemente;

    Lula seria a continuação dos roubos;

    Dória não tem a menor ideia por onde começar, se vencer;

    Marina representa o retorno à Idade Média, e o Brasil perdendo metade do seu território para demarcações de terras indígenas e desestimulação do agronegócio;

    Meirelles só levaria em conta o caixa, deixando de lado os problemas nacionais e aflições do povo;

    Bolsonaro, mesmo obtendo a esperança em diminuir a corrupção e desonestidade instituídas, enfrentaria a carência de material humano no seu staff, além de enfrentar um congresso onde seria minoritário, obrigando-o a acordos que retornariam o Estado às fases que mais repelimos e queremos liquidar, a submissão ao parlamento.

    Não vejo nada específico e dirigido especialmente para o desenvolvimento, e imediato, urgente, de modo a minimizar assim que o novo mandatário assumisse, o desemprego e a inadimplência, E SERIA MUITO FÁCIL ESTA RETOMADA DO PROGRESSO!!!

    Eu mesmo já escrevi neste espaço democrático a forma como resolveríamos o desemprego e a inadimplência, estratégia que não li nos candidatos, logo esse pessoal quer apenas o Planalto, o poder, o dinheiro sendo manipulado e conduzido para onde querem e para quem desejarem.

    Apesar da mediocridade de Bolsonaro – teríamos outra Dilma, agora homem, pois o deputado com a sua falta de cultura e dificuldade com o vernáculo, certamente nos divertirá com expressões que nos lembrarão muito a corrupta, incompetente e permissiva ex-presidente -, pelo menos não tem um passado como ladrão ou aproveitador da máquina administrativa governamental.

    Leva o meu voto, por enquanto.

    • Não é possível que qualquer candidato tenha projeto de país viável porque simplesmente não haverá recursos para realizá-lo. Como ficam então a PEC que limita os gastos públicos nos próximos vinte anos e o pagamento dos encargos da dívida pública federal? Dentre outras coisas, apenas essas duas que citei inviabilizarão todos os governos nas próximas décadas. A não ser que a PEC dos Gastos seja revogada ou descumprida e haja um calote no pagamento dos encargos da dívida. É interessante que haja um artigo sobre isso aqui na Tribuna da Internet, que inclusive já citou o problema dos encargos da dívida pública federal.

  3. É Francisco Bendl tens razão em relação ao Bolsonaro, mas uma perguntinha:
    Qual candidato não estaria nas mãos deste congressinho podre e corrupto?!!!
    Algo precisa acontecer e Urgente.
    Esta é minha visão.
    Abraço.

    • Pereira, meu prezado,

      Comentei o tema postado, tão somente.

      A respeito desse “congresso”, sabemos que os atuais moradores são a nata do que temos de corrupção e desonestidade.

      Agora, se continuar esta falsa democracia e, principalmente, o processo eleitoral à base de urnas eletrônicas, sinônimo de fraude e manipulação, nem Bolsonaro, Ciro, Marina, Dória … vence Lula, e no primeiro turno!

      Volto a escrever:
      Lula depende do resultado da 4ª Região Federal, em Porto Alegre, RS, que, ou ratifica a sentença de Moro, de modo que Lula seja impedido de concorrer porque a sua ficha ficará suja ou o inocenta, liberando-o à disputa.

      Penso que somente depois desta sentença é que poderemos debater melhor os candidatos e suas ausentes plataformas pois, até lá, teremos apenas especulações e elucubrações sobre quem obterá a preferência do eleitorado.

      Um abraço, Pereira Filho.
      Saúde e paz.

  4. Nação? Que Nação?
    Primeiramente precisamos ser descobertos e depois pensar num projeto.
    Uma coisa de cada vez!
    Simples assim.
    Atenciosamente.

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