Falta um grande atacante

Tostão (O Tempo)

Na época em que Taffarel estava na seleção, mestre José Trajano dizia, com ironia e senso crítico, que poderiam colocar um balde no lugar do goleiro que, mesmo assim, a equipe não levaria gols, já que a bola raramente chegava à área brasileira. Isso ocorria porque a defesa era ótima, o Brasil dominava a partida, e o adversário tinha medo de atacar, para não deixar a defesa desprotegida. Isso mudou. O Brasil não impõe mais seu jogo, e os outros times não têm mais medo.

O atual estilo brasileiro é de contra-ataque, de lampejos, de lances isolados, de estocadas individuais e de esporádicas boas trocas de passes, como no segundo gol contra a Itália e o contra a Rússia.

O típico jogador formado hoje no Brasil, do meio para a frente, fora o centroavante, é o meia-atacante veloz, habilidoso, que corre com a bola e que tenta driblar até o gol. Os melhores, com essas características, estão na seleção. É essencial ter jogadores com esse estilo, desde que não haja tantos no mesmo time, como Neymar, Kaká, Oscar, Lucas e Hulk.

Todos os jogadores velozes e habilidosos costumam precisar de grandes espaços para brilhar. Esse foi o principal motivo das más atuações de Neymar, Kaká e Oscar, contra a Rússia. Hulk entrou, pela esquerda, e, junto com Marcelo, criou algumas situações de gol. Hulk pode jogar bem dez partidas seguidas, mas, quando atua mal, como no jogo contra a Itália, é chamado de grosso.

Continua a ilusão de que ter um centroavante pesado, estático, artilheiro, como Fred, o melhor da posição, é essencial à seleção. O centroavante fixo facilita a marcação de todo o ataque. Ele faz gol, e o ataque joga mal.

MOVIMENTAÇÃO

Falta ao Brasil um grande atacante que faça gols, que se movimente e que facilite para os outros também marcarem, como Rooney, Van Persie, Ibrahimovic, Suárez, Agüero e até Balotelli, que era reserva no Manchester City.

O Brasil trocou mais passes contra a Rússia porque o adversário recuou após o gol. Os volantes brasileiros jogaram livres. Mesmo assim, só deram passes curtos, para o lado. Contra defesas fechadas, é essencial que os volantes tenham um passe rápido, mais longo e para a frente, para os meias e atacantes receberem a bola em pequenos espaços, antes que cheguem os zagueiros. Não temos também esse volante.

Todas essas deficiências não significam que o Brasil não tenha excelentes jogadores, que esteja totalmente desatualizado na parte tática e que não tenha chances de ganhar a Copa. O Brasil possui também muitas virtudes. Em casa e em jogos de mata-mata, é um dos candidatos ao título. Felipão não é um inovador, um grande estrategista, mas é observador, intuitivo, capaz de criar fortes laços afetivos e de incendiar um time e uma torcida. Futebol é também emoção, mistério e acaso.

MINEIRÃO

Sei que o Independência é a casa do Atlético e que o time não perde no estádio. Mas é incompreensível que, depois da reconstrução do Mineirão, um estádio moderno, confortável, no nível dos maiores do mundo, o Atlético jogue grandes partidas no Independência. Em vez de 20 mil torcedores, poderia ter 60 mil. Além disso, pela qualidade do time, poderia ter os mesmos resultados que tem no Independência.

O Cruzeiro já tem uma equipe definida, uma maneira de jogar, com bons titulares e reservas, em quase todas as posições. Contra a Caldense, achei novamente que Dagoberto ficou muito preso à ponta esquerda. O jovem Vinícius Araújo ainda não tem condições de ser titular, no lugar de Borges ou de Anselmo Ramon. Repito, falta ao Cruzeiro uns dois jogadores especiais, para que o time tenha chances de ganhar um Brasileirão.

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