Família Sarney tenta se aproximar do bolsonarismo em busca de sobrevivência política no Maranhão

Adriano usa palavras como “comunistas” para se referir aos adversários

Juliana Castro
O Globo

Um dos clãs mais longevos e notórios da política brasileira, os Sarney veem boa parte de seus aliados históricos flertando com o bolsonarismo no Maranhão, tendência que deve ficar mais evidente nas eleições deste ano. O alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro é a estratégia para aumentar a polarização com o governador Flávio Dino (PCdoB) e frear o crescimento político que ele teve nos últimos anos.

Pela primeira vez em anos, apenas um integrante da família Sarney tem mandato. Deputado estadual e filho do ex-ministro Sarney Filho, Adriano Sarney (PV) abandonou em público o sobrenome famoso, fato que teria causado certa decepção entre familiares — politicamente, usa apenas Adriano. Ele é um dos nomes cogitados para concorrer à prefeitura de São Luís, mas adversários dizem que uma derrota poderia colocar de vez uma pá de cal na carreira política da família.

ARTICULAÇÃO – Um dos nomes mais fortes do grupo é o do deputado federal Eduardo Braide (Pode-MA). A articulação é para que haja uma única candidatura de oposição ao cargo, para impedir a vitória de um político alinhado ao governador. O parlamentar avança na base bolsonarista e no segmento evangélico.

Um de seus principais aliados, o também deputado federal Pastor Gildenemyr (PL-MA), é um dos maiores apoiadores do presidente no estado.O alinhamento do grupo de Sarney com Bolsonaro começou com um gesto da própria família. Em 2018, Adriano e a ex-governadora Roseana Sarney apoiaram Bolsonaro no segundo turno. Adriano usa palavras comuns aos bolsonaristas, como “comunistas”, para se referir aos adversários, repetindo discurso já feito pela família para definir Dino.

No dia 7 de Setembro, postou uma imagem em que havia bandeira do Brasil com a hashtag #NordesteSemEsquerda.Os acenos na eleição de 2018 pouco lembram o passado em que a família apoiou as gestões petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff na Presidência. A relação era tão consolidada que Lula impôs ao PT o apoio a Roseana na briga pelo governo do estado em 2014, contra Dino, do PCdoB, aliado histórico dos petistas.

VOTOS NECESSÁRIOS –  Além disso, em 2009, após intervenção direta do Palácio do Planalto, os senadores petistas deram os votos necessários para arquivar todos os processos no Conselho de Ética contra Sarney, então presidente do Senado. Para um político maranhense, opositores do governador se aproximaram do bolsonarismo porque a figura de Dino se tornou muito forte.

Segundo esta análise, como o presidente não tem um representante no estado, os eleitores dele ficaram sem um direcionamento claro. “Sarneyzistas históricos passaram a tentar buscar este espaço. No interior, tiveram que aderir ao bolsonarismo para polarizar com Flávio Dino e com o ‘comunismo’”, avaliou.

Os adversários dizem que, embora os aliados de Sarney flertem com o bolsonarismo, procuram manter distância quando alguma atitude do presidente tem repercussão negativa. Sarney já criticou Bolsonaro quando, em nota, afirmou que “sem a vida humana nada se compra nem se vende”, numa referência à defesa do presidente da abertura do comércio em meio à pandemia de coronavírus. Atual secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal, Sarney Filho já disse que o governo federal facilita o desmatamento.

ALIADOS – Além de estarem espremidos entre o bolsonarismo e Dino, os Sarney perderam aliados que pularam para o lado do governador, como o ex-ministro Gastão Vieira. Dino foi eleito com uma aliança de 16 partidos e tem hoje a maioria dos prefeitos ao seu lado. Seu candidato ao comando da capital deve ser seu ex-secretário Rubens Junior (PCdoB).

Ainda que sem a força de antes, os membros da família seguem atuantes nos bastidores. Roseana tem atendido muitos partidos e pré-candidatos. Além da possibilidade de Adriano concorrer em São Luís, o DNA dos Sarney deve estar presente na disputa em duas cidades. Em Pinheiro, o sobrinho-neto e afilhado de batismo do patriarca, Filuca Mendes (MDB), que já governou a cidade, deve tentar um novo mandato.

Em Barreirinhas, o prefeito Albérico Filho, primo de José Sarney, concorrerá à reeleição. Em Imperatriz, segunda maior cidade do estado, o atual prefeito, Assis Ramos, tem o apoio dos Sarney para a reeleição. Diferentemente do que foi informado inicialmente, Sarney Filho não apoiou Bolsonaro no segundo turno. A informação foi corrigida.

10 thoughts on “Família Sarney tenta se aproximar do bolsonarismo em busca de sobrevivência política no Maranhão

  1. Basta se aproximar, oferecer apoio, votar com ele, ser dele um lacaio que tudo vai ficar mais melhor que bom. Pros Sarneys, nenhuma novidade a ver, visto que o que eles buscam na vida é o poder pelo poder.

  2. Sarney se aproxima de Jair Bolsonaro, e, por sua vez, o presidente da República se aproxima de Lula na baixada fluminense, bem como Jair Bolsonaro entrou no toma-lá, dá-cá do Centrão, conjunto de partidos afeitos à corrupção e muitos dos seus membros estão sendo processados na Justiça. Os partidos que compõem o Centrão, agora aliados a Jair Bolsonaro são : Progressistas (antigo PP), o PL (antigo PR) e o Solidariedade (partido do Paulinho da Força), o PTB, o PSD, o Republicanos (antigo PRB), o DEM, o MDB, o Podemos (antigo PTN), o Avante (antigo PTdoB), o Patriota (antigo PEN), e o Pros.

    Hoje, de acordo com consulta no site da Câmara dos Deputados, a maior bancada reunida sob uma liderança única (o Centrão) reúne 220 deputados, o que representa 43% da Casa, mais do que o necessário para impedir um processo de impeachment.

    O líder formal desta bancada, que tem PL, PP, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, Pros e Avante, é o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), um dos protagonistas nas negociações de aproximação com o governo Jair Bolsonaro. Se considerados Republicanos (32), Podemos (11), PSC (9) e Patriota (6), este número sobe para 281.
     
    Em outras palavras, os partidos acima descritos não merecem voto de brasileiros do bem, porque estão recheados de corruptos, indicam cargos para o governo Bolsonaro em troca de blindagem contra o impeachment, são homens e mulheres sem escrúpulos, e todos esses, mais agora o PT (que não pertence ao Centrão, mas tem histórico de desvios de dinheiro público em todas as suas esferas) são agora os aliados e próximos, prontos a votar, na Câmara, em favor de Jair Bolsonaro, na base de interesses escusos e do toma-lá, dá-cá.

    A aproximação de Jair Bolsonaro com Lula, forma uma aliança política que podemos chamar, como um novo bloco informal no Parlamento, de ABL (Aliança Bolso-Lula)

  3. A família Sarney é na verdade uma quadrilha criminosa que vem roubando os cofres do Maranhão há mais de 5 décadas, mantendo aquele Estado na MISÉRIA extrema. Mas meteu a mão em muita grana federal também. Agora não é de espantar que se aproxime da quadrilha bolsonarista.

    No barco infame de Jair Bolsonaro há lugar para todo tipo de pilantra, desde que não o atrapalhe em seu projeto de poder, corrupto e totalitário.

    E se amanhã até o criminoso condenado Lula embarcar nessa, quase ninguém ficará surpreso.

  4. Dino diz que Bolsonaro apenas entrega obras de Lula e Dilma: “Não há obras iniciadas por ele. Nenhum programa novo”
    Por: John Cutrim
    Data de publicação: 18/08/2020 – 10:15

    A pouco mais de dois anos do primeiro turno da próxima eleição presidencial, Jair Bolsonaro (sem partido) já vestiu o uniforme de candidato à reeleição e trocou a bolha das redes sociais pelo contato com o público em inaugurações de obras pelo país.

    Leia mais: https://jornalpequeno.blog.br/johncutrim/dino-diz-que-bolsonaro-apenas-entrega-obras-de-lula-e-dilma-nao-ha-obras-iniciadas-por-ele-nenhum-programa-novo/#ixzz6VUGebXsx

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