Faro de artilheiro

Tostão (Jornal O Tempo)

Com frequência, citam o Barcelona e a seleção brasileira de 1970 como exemplos de equipes que não têm centroavante.

Não é bem assim. Joguei de centroavante no Mundial. Era o mais avançado e atuava pelo centro. Apenas jogava diferente do que fazia no Cruzeiro, onde era um ponta de lança, meia-atacante, e nas Eliminatórias para a Copa de 1970, quando eu e Pelé nos revezávamos. Um voltava para receber a bola, e o outro ficava na frente.

Messi não é um falso centroavante, como tanto falam. Ele é o atacante mais adiantado do Barcelona e joga mais pelo centro. É um centroavante. Toda equipe precisa ter pelo menos um jogador mais à frente, o que não significa que ele tenha de ser, obrigatoriamente, grandalhão, forte e que não saia de perto da área. O Grêmio tem uma dupla de ataque, Kleber e Marcelo Moreno, o que é cada vez menos frequente no futebol brasileiro e mundial.

Quando uma equipe possui meias e jogadores pelos lados, agressivos, que entram na área para fazer gols, prefiro um centroavante mais técnico, habilidoso, que se movimenta bastante, que faça gols e que dê bons passes, a um apenas para finalizar, mesmo que seja um grande artilheiro. Um time não pode depender apenas de um jogador para fazer gols.

Uma característica importante de todo atacante, seja um típico centroavante ou não, é saber o momento exato de partir para receber a bola livre, na frente, sem entrar em impedimento. É uma deficiência frequente em nossos atacantes. Como os técnicos treinam demais jogadas aéreas, não sobra tempo para esse e outros treinamentos. O Brasil é o país dos chuveirinhos. Tomou o lugar dos ingleses.

Se um time não tem um típico centroavante e perde, mesmo com inúmeras outras deficiências, a culpa é sempre da falta desse jogador, como ocorre no Botafogo. Quando ganha, esquecem do centroavante.

Por falar em Botafogo, foi excepcional a atuação de Seedorf, contra o Cruzeiro. Ele e outros veteranos, como Juninho, Deco, Ronaldinho (nem tão veterano) e Zé Roberto, dão aula de como se joga no meio-campo.

Quando um atacante faz um gol, dizem que é “o faro do artilheiro”, e que “a bola procura o artilheiro”. Existem também os que fazem muitos gols em uma temporada, tornam-se famosos, e nunca mais marcam tanto. A fama continua. Há sempre um clube para contratá-lo, com a esperança de que ele volte a ser um grande artilheiro.

Uma das coisas que mais me incomodam é a excessiva valorização que dão aos artilheiros, mesmo que ele não tenha nenhuma outra qualidade. Romário, Ronaldo, Reinaldo, Coutinho, Careca e outros não foram excepcionais somente porque fizeram muitos gols. Não dá para medir os encantos de um craque.

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IRREGULARIDADE
Dizem que o Cruzeiro tem sido muito irregular. Não vejo assim. O time tem sido regular na maneira de jogar e na qualidade técnica. Corre e marca muito. O resultado é mais circunstancial, por detalhes, ou pela atuação do adversário, como a de Seedorf, no último jogo. Após a partida, um repórter disse que Seedorf jogou como se fosse brasileiro, ou algo parecido. Esse é um lugar-comum, uma prepotência de achar que só existem craques no Brasil.

No empate entre Atlético e Bahia, foi diferente. Nitidamente, os vários desfalques fizeram falta, especialmente o de Ronaldinho. O empate teve sabor de derrota, pelo momento na tabela e porque o Atlético, no segundo tempo, teve chances de ganhar. Com a entrada de Berola, na direita, e a ida de Guilherme para o lugar de Leonardo, o time melhorou.

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