Fase “zen” de Bolsonaro confunde e leva ao desespero a chamada ala ideológica

Jorge Braga - 5 de maio de 2020

Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

Bernardo Mello, Gustavo Maia e Natália Portinari
O Globo

Após uma série de gestos de aproximação do Palácio do Planalto em direção ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes da ala ideológica do governo e parlamentares alinhados ao grupo passaram a admitir a perda de espaço e a reclamar da falta de apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Na terça-feira, o assessor especial Filipe Martins escreveu em uma rede social que o governo tem permitido “que o discurso político-ideológico que lhe dá sustentação seja enfraquecido” e substituído por “uma forma de neutralismo tecnocrático”, em referência ao atual protagonismo dos militares. No início do ano, Martins passou a ser subordinado ao almirante Flávio Augusto Viana Rocha, titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

“ACABOU, PORRA!” – Na semana anterior, o youtuber Allan dos Santos, alvo do inquérito das fake news no Supremo, havia recuperado uma frase dita por Bolsonaro em maio para também questionar um suposto abandono à ala ideológica.

“O ‘acabou, porra’ era para parar os conservadores e deixar que eles fossem criminalizados?”, escreveu Allan.

O recuo na retórica presidencial coincidiu com a prisão, há um mês, de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Operações determinadas pelo STF no inquérito das fake news e na apuração dos atos antidemocráticos também avançaram sobre integrantes do grupo ideológico, incluindo parlamentares.

MAIS PROBLEMAS – Em um aceno ao Supremo, o governo tirou os deputados Otoni de Paula (PSC-RJ) e Daniel Silveira (PSL-RJ) de cargos de vice-liderança na Câmara. Ambos são alvos de inquéritos do STF. No mesmo dia, Silveira foi às redes sociais para culpar o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, pela articulação.

“Acabo de saber que minha retirada da vice-liderança de governo foi pedido do general Ramos para alocar deputados do centrão. Estranha essa relação de homens tão próximos manobrarem enfraquecimento da base do presidente”, criticou Silveira.

Um deputado bolsonarista ouvido pelo GLOBO avaliou que as trocas ajudam a “distensionar” o clima entre os Poderes, mas simbolizam a perda de força da ala ideológica. Segundo este deputado, “os militares blindam o presidente para não deixar que cheguemos perto dele”.

DISPUTA NAS REDES – Na quinta-feira, Bolsonaro rebateu as críticas de excesso de militarização: “Votaram numa chapa que tinha um capitão como presidente e, como vice, um general. É proibido militar assumir funções de ministro no nosso governo? Não” — afirmou Bolsonaro.

Para outro parlamentar, a dúvida na ala ideológica é se o “jogo afinado” para o afastamento do grupo passa pelo crivo do próprio Bolsonaro. A perda de espaço se acentuou com a demissão de Abraham Weintraub do Ministério da Educação. O novo ministro, Milton Ribeiro, é o primeiro no MEC a não ser referendado pelo grupo mais próximo ao ideólogo Olavo de Carvalho, que ameaçou um rompimento, em vídeo, caso o presidente seguisse “covarde”.

NÚCLEO OLAVISTA – O tom e o protagonismo nas cobranças ao governo também são alvos de disputas no núcleo olavista. Influenciadores bolsonaristas têm criticado a atuação de perfis anônimos que cobram ações do próprio Bolsonaro em defesa da ala ideológica. O youtuber Italo Lorenzon, parceiro do canal de Allan dos Santos, disse não levar a sério anônimos em comparação a “quem dá a cara a tapa”.

Um dos alvos de críticas é o perfil identificado apenas como “Lets_Dex”, com mais de 100 mil seguidores. O autor cobrou uma mobilização para “frear o STF” e incentivou divisões no bolsonarismo “porque um núcleo fiscaliza o outro, enquanto alguns se aproximam demais de políticos”.

Em meio aos sinais de enfraquecimento, Bolsonaro fez dois “afagos” ao grupo na última semana: divulgou um documentário que critica as políticas de isolamento social na pandemia e afirmou nas redes sociais que a esquerda pretende “descriminalizar a pedofilia”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, a linha ideológica dos adoradores do governo é uma mixórdia maluca, sem pé nem cabeça, que mais parece uma Piada do Ano, embora não tenha a menor graça. (C.N.)

13 thoughts on “Fase “zen” de Bolsonaro confunde e leva ao desespero a chamada ala ideológica

  1. mixórdia, na minha ignorância tive de pesquisar pra saber o que é, e me lembrei das mais de mil faces da incontáveis correntes canhotas que perfilam as mentes degeneradas dos progressistas celerados deste bananal.

  2. O Planalto se parece com “casa de tolerância” comandada por gay. Tudo sempre acaba em barraco. Atualmente qq país sulamericano tem governo melhor organizado q o nosso.

  3. “Casa Civil autoriza contratar filha de Braga Netto com salário de R$ 13 mil na ANS.

    Isabela Braga Netto está cotada para assumir a Gerência de Análise Setorial e Contratualização com Prestadores.

    A indicação de Isabela Oassé de Moraes Ancora Braga Netto para um cargo de gerência numa diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) provoca reações de contrariedade e desconforto no órgão.” (Veja)

    É a nova política do seu Jair.

  4. O velho tuxaua da política nacional, José Sarney, costuma dizer que a política só tem uma porta; a de entrar.
    Muitas vezes, uma liderança política se torna refém de um determinado grupo de interesses. Um dos métodos para manter o líder cativo é convertê-lo em um “burro de anteolhos”. Como se processa a manipulação do fraco contra o forte? Primeiro, o grupo faz o cobiçado acreditar que somente a compliance dele (do grupo) é capaz de levá-lo a conquistar os elementos necessários a sua estabilidade, bem como torná-lo apto à vitórias ascendentes.
    Paripasso a esse trabalho de apropriação, o grupo mantém uma permanente ação estratégica, visando a deixar afastadas as correntes da disputa interna, fazendo uso de: futricas, sabotagens e até
    o “aprisionamento” da liderança com crendices e magias.
    Quando o objeto da disputa tirar a venda dos olhos, então vai perceber que ele não estava sendo ajudado por uma irmandade solidária, mas usurpado por uma corja de obdesiantes, que puseram seus interesses egoistas acima das possibilidades de a liderança galgar posições, através da qual viesse ser útil ao coletivo sem amarras.

  5. Os críticos de Bolsonaro são cínicos. Seus argumentos são falácia pura. desmascará-los portanto, é obrigação de toda pessoa de bom senso.
    Se você for como eu, tem uma vontade incontrolável de responder a altura quando ouve ou lê certos absurdos, como os que eles têm escrito ou falado. O problema, é que, muitas vezes, essa resposta não vem. A gente sente que tem algo errado, mas não consegue identificar na hora o que é.
    Por exemplo, quando CN solta o seu famigerado “linha ideológica dos adoradores do governo é uma mixórdia maluca, sem pé nem cabeça, que mais parece uma Piada do Ano, embora não tenha a menor graça.” – no mesmo instante, qualquer pessoa, minimamente inteligente, percebe que tem algo que não se encaixa nessa frase.
    O problema é que, na hora, antes de vir a resposta, vem a indignação, e os argumentos contra o que foi escrito ou dito parece que ficam entalados na garganta.
    Por isso, quando você se depara com uma falácia desse tipo, é importante tomar algumas medidas, que lhe ajudarão a não ficar paralisado diante do absurdo. São medidas que lhe darão certo traquejo, colaborando com que você responda à altura as idiotices que se lê ou ouve por aí.
    A primeira coisa que você precisa saber é que desmascarar um argumento falacioso não é algo tão complicado. Falhamos nisso, muitas vezes, porque nos deixamos levar pelo sentimento. Às vezes, o argumento é tão sem vergonha, tão claramente cínico, que paramos de raciocinar, deixando a raiva dominar. Uma pessoa tomada por ela sai do modo racional para entrar no modo instintivo. Neste momento, o raciocínio não funciona direito e a única vontade que temos é de revidar, com os instrumentos mais primitivos, aquilo que detectamos como uma afronta.
    Portanto, mantenha a calma, sempre. Mesmo quando do outro lado tenha um mau brasileiro que usa a retórica apenas para nos irritar. Autocontrole, neste caso, é essencial.
    O que é uma falácia senão a mera aparência de verdade? Como ela não pode convencer pela veracidade do que diz, aposta na ilusão, causando uma impressão de realidade.
    No entanto, infelizmente, muita gente não percebe isso. Mas nós, que temos um compromisso com a verdade, com a inteligência e com a justiça, temos a obrigação de perceber.
    Sendo assim, preparar-se para enfrentar essas falácias é nosso dever brasileiros de bem.

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