Fatores clima e distância vão influenciar na Copa

Chico Maia (O Tempo)

No fim da prorrogação, a cabeça quase totalmente careca do técnico da Espanha, Vicente Del Bosque, parecia uma tampa de marmita quente, de tanta suadeira. Da cabeleira e da barba do italiano Pirlo desciam cachoeiras de suor, deixando a camisa do grande jogador completamente ensopada. O calor de Fortaleza atingiu diretamente as duas ótimas seleções na semifinal e assim vai ser na Copa do Mundo no ano que vem. No frigir dos ovos, parece que tudo vai terminar bem neste ensaio geral que é a Copa das Confederações. E, muito provavelmente, com mais uma conquista brasileira. Não que o time do Felipão seja melhor que o da Espanha, no momento, mas pelas circunstâncias.

Não é fácil para os europeus disputar uma Copa em nosso país. As distâncias e as diferenças climáticas pesam muito. Diferentemente deles, não temos as estações do ano bem-definidas. Lá, inverno é inverno, aqui, inverno costuma parecer verão. O clima de Porto Alegre costuma ser totalmente diferente, no mesmo dia, do de Fortaleza, Manaus, Salvador ou Belo Horizonte.

Além do mais, a Espanha vem de uma semifinal cansativa, nervosa e emocionante com a Itália, decidida nos pênaltis. Isso na quinta-feira, com o Brasil, que jogou na quarta, assistindo, de camarote, já no Rio, palco da final. Só ontem os espanhóis se deslocaram da distante capital cearense para a carioca.

Revoltante

As cenas de vandalismo mostradas pelas TVs na manhã de quinta-feira mostram a realidade vivida em todo o Brasil nos últimos anos: a bandidagem tomando conta. Ladrões de todo porte e marginais que querem “apenas” barbarizar, quebrando e botando fogo. Ideologia política, nenhuma. Gente que não quer construir nada, apenas destruir, porque certamente não vê nenhum sentido na vida. Como os protestos cívicos nessa intensidade são uma novidade para todos nós no Brasil, esses sujeitos também são novidade e estão criando um movimento à parte.

Acostumados

Na França, o país mais democrático do mundo, protestos são comuns há quase um século, mas, como raramente há vandalismo, só as comunidades diretamente envolvidas têm notícia deles. E resolvem a maioria das questões. Quando há vandalismo, também ganham as manchetes mundiais.

Os franceses e, principalmente, as autoridades da segurança têm um grande know-how no assunto. Sabem como se antecipar aos marginais ou contê-los antes que provoquem estragos demais. Mesmo assim, constantemente, a violência explode.

Outros tempos

As polícias no Brasil têm mais esse aprendizado para assimilar, rápido. Na ditadura era só descer a borracha, atirar com balas letais e contar os mortos. Na democracia é diferente. Na quarta-feira, a Polícia Militar estava preparada para uma guerra, mas a ordem era evitar um “estouro de boiada” no qual as conseqüências são as piores possíveis, para todos. Massacres históricos começam assim.

Prudência

Para a PM, chegar aos bandidos com a rapidez que o momento exigia teria que passar por cima de uma multidão que estava lá pacificamente. Para dar um tiro, ainda que com bala de borracha, num vagabundo desses, poderia acertar alguém que não tinha nada a ver com a criminalidade. Aí, até chegar, o estrago estava feito. Pelo que as TVs mostraram, são gangues muito parecidas com aquelas que infernizam os jogos de Atlético e Cruzeiro, que só deram um tempo nos últimos tempos, porque alguns foram condenados e estão cumprindo pena, dos dois lados.

Impunidade

Mais de cem foram presos, mas já devem estar soltos, porque a lei diz que crimes de “menor porte” como esses não devem ser punidos com detenção além do flagrante; só com autorização judicial, o que raramente acontece. Resta aos comerciantes acionar judicialmente o Estado, responsável pela segurança de todos nós, que terá de ressarcir os danos. Ou seja: pra variar, os cidadãos de bem, que pagam impostos, vão pagar pelo que estes marginais aprontaram.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *