Fechando a torneira

Carlos Chagas

Até que enfim algo digno de louvor no ministério do Turismo, agora sob nova direção.  O ministro Gastão Vieira assinou portaria, ontem, suspendendo o pagamento de todos os convênios celebrados com Organizações Não Governamentais para prestação de serviços de promoção de eventos e de cursos de treinamento de qualificação profissional.                                       

Interrompe-se, assim, a lambança que vinha de diversas  administrações anteriores, quando ONGs fajutas, que nem sede tinham, mamavam nas tetas do governo. Eram e são dirigidas por amigos, correligionários políticos e até bandidos ligados aos detentores do poder. Até agora não escapa ninguém, porque as ONGs já foram em grande parte criadas pelo PMDB, no governo José Sarney, pelo PRN, no governo Fernando Collor, só não fazendo sua festa no governo Itamar  Franco, mas multiplicadas pelo PSDB, no período de Fernando Henrique, e pelo PT, na administração do Lula.

Elas se intitulam não governamentais e deveriam, assim,  buscar recursos na iniciativa privada, mas fora as exceções de sempre, valem-se dos cofres públicos e dos governantes da época. Esse primeiro exemplo do ministro do Turismo, fechando a torneira, é digno de ser seguido pelos demais  ministérios, porque não há um, sequer, que não esteja infestado de ONGs.

Gastão Vieira pediu o auxílio do Tribunal de Contas da União, que promoverá ampla auditoria nos contratos celebrados pelo ministério do Turismo, em gestões anteriores, com entidades que nenhum serviço prestavam, senão à conta bancária de seus diretores.

Já que se fala de uma iniciativa elogiável, fica no ar a pergunta: não estaria na hora, também, de o governo começar a passar a vassoura nas chamadas terceirizações, tão a  gosto do neoliberalismo, mas outro antro de roubalheiras e explorações dos recursos públicos? Empresas de prestação de serviços de segurança, limpeza, promoções, jornalismo, exploração de rodovias e ferrovias, pedágios e até acompanhamento psicológico existem aos  montes,  sugando o tesouro nacional e remunerando miseravelmente seus servidores, sem quaisquer garantias trabalhistas. Se a hora é da faxina, que tal limpar também o porão? 

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QUEREM O LUGAR DELA  

Vale começar com  outra historinha. No final da II Guerra Mundial o comandante dos exércitos inglêses, general Alan Brooke, queixou-se ao rei George VI de que o general Bernard Montgomery, grande vencedor dos alemães, queria o lugar dele. Com toda fleugma, o rei respondeu: “Ele quer o seu lugar? Pensei que fosse o meu…”

Deve cuidar-se a presidente Dilma, apesar de haver reagido bem às  tentativas de atropelar suas atribuições. Primeiro foi Antônio Palocci, logo catapultado. Depois, Nelson Jobim, igualmente  mandado para o espaço. Agora, as investidas vem de fora do ministério.  José Dirceu?  José Sarney? E quem sabe… (cala-te boca!)

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A TENTAÇÃO DE MARTA

Vamos ver se a senadora Marta Suplicy resiste às tentações. Perdeu todas as chances de sair candidata pelo PT à prefeitura de São Paulo. O lançamento de  Fernando Haddad pelo ex-presidente Lula, mais a adesão do grupo majoritário no partido ao ministro da Educação,  o Construindo Um Novo Brasil, inviabilizam qualquer sonho da ex-prefeita de retornar ao Ibirapuera. Só que ela insiste na realização de previas no âmbito dos companheiros menos comprometidos com as cúpulas. 

Caso saia vitoriosa, ou ao menos com boa votação, fará o quê? Pela lógica, deve submeter-se à decisão  dos dirigentes, mas abre-se outra alternativa: sair do PT e candidatar-se por uma  legenda menor. Já existem duas que andam atrás dela, porque condições, certamente teria de bater Fernando Haddad, Gabriel Chalita e penduricalhos. Vamos ver até onde ela resiste. 

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A CHUVA E O APAGÃO 

Depois de 110 dias, choveu em Brasília, na madrugada e na manhã de ontem. Um refrigério, porque a umidade relativa do ar passou dos 10% de mais de três meses para 80 ou 90%,  índices compatíveis com a civilização. Como  nenhuma graça, nem da natureza, vem sozinha, o reverso da medalha: sem mais aquela, pela manhã, a Capital Federal apagou. No centro comercial, nas movimentadas avenidas, como a W-3,  e no Lago Sul, faltou energia.

O trânsito, que já era, ainda mais  ficou um caos, com os semáforos apagados.  Quem trabalhava em computadores menos sofisticados, perdeu tudo. Nos elevadores, grupos compensavam a prisão com análises sobre a performance do governador Agnelo Queirós, cada vez mais perdido nas profundezas.  A explicação para o apagão? A chuva…

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