Fernando Pimentel acende uma vela e agradece pelo escândalo ter trocado de ministério.

Carlos Newton

Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, não é baiano, mas tem santo forte. Estava submetido a um tiroteio infernal, denunciado por ter feito tráfico de influência em consultorias-fantasmas, mas de repente saiu da linha de fogo e entrou numa calmaria impressionante.

A imprensa parece ter esquecido inteiramente as irregularidades cometidas por Pimentel, no intervalo entre sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte e sua posse no Ministério do Desenvolvimento. Como se sabe, o ministro jamais conseguiu explicar ou justificar as tais “consultorias” que supostamente teria feito, pois delas só conseguiu exibir as notas fiscais, sem dispor de nenhum relatório para apresentar.

A presidente Dilma Rousseff, sua companheira desde os tempos da luta armada, saiu em defesa do amigo e lhe concedeu uma espécie de “habeas corpus preventivo”, ao alegar que as irregularidades cometidas por Pimentel tinham sido praticada antes dele assumir o cargo de ministro e o governo, portanto, não tem nada a ver com isso.

Poucos repararam que a presidente Dilma usou no caso de Pimentel a mesma desculpa esfarrapada que evitou a cassação da deputada Jaqueline Roriz. Recorde-se que, no final de agosto, em votação secreta, o plenário da Câmara dos Deputados absolveu por 265 votos a 166 e 20 abstenções, a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) do processo que pedia cassação de seu mandato.

Os parlamentares rejeitaram o primoroso e detalhado relatório do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que pedia a perda de mandato de Jaqueline, após a revelação de um vídeo em que ela aparece recebendo dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa. A gravação foi feita em 2006, mas foi divulgada no início de 2011.

Para que Jaqueline perdesse o mandato, seria necessário haver concordância da maioria absoluta dos deputados, ou seja, 257 votos (mais da metade dos 513 parlamentares da Casa). Mas a deputada encaminhou um “memorial” de 28 páginas aos 513 parlamentares pedindo a rejeição do parecer do Conselho de Ética. O memorial argumentava que Jaqueline “não se encontrava no exercício de qualquer mandato, especialmente de deputada federal” quando ocorreram os fatos, em 2006.

Como a maioria dos deputados tem ficha suja ou cometeram deslizes no passado que podem sujá-los a qualquer momento, absolveram Jaqueline Roriz e deixaram registrado que no futuro também podem ser absolvidos se flagrados em idêntica situação, com a mão na massa, digo, com a mão no dinheiro da corrupção.

Um dos que votaram a favor de Jaqueline foi o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE), que em 2005 teve seu assessor parlamentar José Adalberto Vieira da Silva flagrado transportando dinheiro sujo na cueca e em uma mala. O Ministério Público concluiu que se tratava de propina proveniente de um contrato de financiamento em investigação, de R$ 300 milhões, fechado entre o BNB (Banco do Nordeste) e o consórcio Alusa/STN (Sistema de Transmissão do Nordeste).

Com base nessa conclusão, os procuradores Márcio Andrade Torres e Alexandre Meireles Marques denunciaram, por suposta improbidade administrativa, o presidente do banco, Robert Smith, e outros quatro dirigentes da instituição. A ação tramita na 10ª Vara Federal de Fortaleza e até agora não aconteceu nada, como era de se esperar.

Também foram denunciados o ex-assessor especial da presidência do BNB Kennedy Moura Ramos e o deputado José Nobre Guimarães, que é irmão de José Genoino, e todos sabem que “quem sai aos seus não degenera”.

Com o escândalo, José Nobre Guimarães, que era deputado estadual, progrediu e hoje é deputado federal pelo PT do Ceará, mostrando que os eleitores não ligam mesmo para a epidemia de corrupção que se alastra pelo país. Mas que país é esse, Francelino Pereira?

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