Festejar meio ambiente ao lado do desmatador Padilha é piada de péssimo gosto

Padilha sorriu na cerimônia, sem bater palmas…

Eduardo Barretto
O Globo

Na véspera do começo do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode lhe cassar o mandato, o presidente Michel Temer tentou uma agenda positiva na área ambiental. Nesta segunda-feira, Temer assinou decreto que regulamenta o Acordo de Paris — que na última quinta-feira foi abandonado pelos Estados Unidos —, e ampliou unidades de conservação. O Acordo de Paris já havia sido ratificado em setembro e vigora desde novembro.

Foram ampliados o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás; a Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul; e a Reserva Biológica União, no Rio. O governo também delimitou o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no Pará.

DESMATAMENTO – Na semana passada, um estudo da SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que o desmatamento na Mata Atlântica entre 2015 e 2016 cresceu 57,7% em relação ao biênio anterior. Foram perdidos 290 km² de floresta, maior número em dez anos.

E no mês passado, o Congresso Nacional aprovou uma medida provisória — elaborada pelo presidente Temer — que diminuiu o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, e flexibilizou seu uso.

A ONG WWF, presente na cerimônia no Planalto, denuncia o “desmanche” com “explícito apoio do governo”. “Com a ampliação (das unidades), a situação melhora um pouco. Mas ainda está longe do ideal. O compromisso do Brasil é ter 17% de todos os biomas protegidos por lei”, diz material da organização.

SEGUNDA CHANCE – “Por razões óbvias, o planeta é um só. Não haverá segunda chance. O esforço para protegê-lo, globalmente, deve ser global. E de nossa parte nós assumimos metas ambiciosas e factíveis. Nada irreal” — declarou Michel Temer, sem citar o presidente estadunidense, Donald Trump, que foi alvo de críticas pela decisão de retirar o país do Acordo de Paris.

O Brasil prometeu reduzir emissão de gases em 37% até 2025, e em 43% até 2030, tendo como base o ano de 2005. Outro compromisso brasileiro é restaurar e reflorestas 12 milhões de hectares de florestas e ocupar a matriz energética nacional com 45% de energias renováveis.

O Acordo de Paris, que foi ratificado por Temer em setembro e entrou em vigor em novembro, foi regulamentado em decreto nesta segunda-feira. O governo defende que isso é mais uma sinalização do compromisso do Brasil com o pacto.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se tivesse um mínimo de dignidade, Temer jamais aceitaria a presença de Eliseu Padilha em cerimônia relativa ao meio ambiente. O ministro responde a dois processos por crimes ambientais, no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, onde mandou devastar uma extensa área de reserva ambiental para plantar capim e criar gado nelore. Nesta fazenda, a Polícia aprendeu 18 armas de fogo, inclusive rifles de mira telescópica. E não aconteceu nada ao ministro, cada vez mais prestigiado pelo ainda presidente da República. (C.N.)

15 thoughts on “Festejar meio ambiente ao lado do desmatador Padilha é piada de péssimo gosto

  1. “Se tivesse um mínimo de dignidade, Temer jamais aceitaria a presença de Eliseu Padilha em cerimônia relativa ao meio ambiente.” Desculpe-me CN, mas de que vale um peido de Temer se já está todo cagado.

  2. Os representantes da “empresa” WWF, se tivessem um mínimo de vergonha na cara, não iriam a qualquer palestra sobre desmatamento na América do Sul, pois eles não têm nada a nos ensinar:

    -Hoje restam apenas 34% da cobertura original das florestas da América do Norte e apenas 0,3% das florestas da Europa.
    -Já na America do Sul, onde eles fincaram a bandeira do atraso e do subdesenvolvimento, estão preservadas 54,8% das florestas originais.

    Fonte: Almanaque Abril.

  3. Ainda sobre o desmatamento para produzir alimentos, vejam este artigo publicado no Estadão e na pagina eletrônica Defesanet:

    “A soma das terras preservadas em propriedades rurais por agricultores no Estado de São Paulo é maior do que todas as reservas indígenas e unidades de conservação juntas

    Com frequência constata-se a tentativa de atribuir uma suposta oposição entre sustentabilidade e agropecuária, como se o agricultor e o pecuarista fossem os grandes inimigos do meio ambiente.
    Dados recentes, compilados pela unidade de Monitoramento por Satélite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), indicam justamente o contrário da versão habitualmente difundida.
    A fatia de terras preservadas em propriedades rurais por agricultores no Estado de São Paulo é maior do que todas as reservas indígenas e unidades de conservação juntas, indica a Embrapa. No Estado de São Paulo, as terras de preservação permanente, sejam as de reserva legal ou de vegetação excedente, em 309,4 mil imóveis rurais totalizam 3,8 milhões de hectares, correspondentes a cerca de 22% da área rural do Estado.

    “Os dados revelam um papel decisivo da agropecuária na preservação do meio ambiente. Muitas vezes, não se leva em conta que as propriedades rurais têm, em média, uma fração de suas áreas preservadas maior do que os espaços que são oficialmente reservados para preservação de vegetação nativa. Erroneamente, acabamos não associando a prática de proteção da vegetação aos imóveis rurais”, afirma Evaristo Eduardo de Miranda, chefe-geral da unidade de pesquisas da EMBRAPA, sediada em Campinas.

    No Brasil, a vegetação protegida pelos agricultores em suas propriedades representa mais de 20% de todo o território nacional, segundo a Embrapa. As unidades de conservação abrangem cerca de 13% do território. Os números são provenientes do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro eletrônico de propriedades rurais criado em maio de 2012 pelo Código Florestal (Lei 12.651/2012) e que arquiva as informações dos imóveis rurais, como delimitação das Áreas de Proteção Permanente (APP), Reserva Legal (RL), de interesse social e utilidade pública e remanescentes de vegetação nativa.
    Até fins de abril de 2017, isto é, em menos de cinco anos desde a criação da Lei 12.651/2012, já haviam sido cadastrados mais de 4,1 milhões de imóveis rurais no País, totalizando uma área de 407,9 milhões de hectares. Na Região Sudeste estão registrados 60,7 milhões de hectares.
    Desde sua criação, o CAR tem sido um eficaz instrumento de regularização ambiental das propriedades rurais, bem como uma poderosa fonte de dados a auxiliar na análise e no planejamento da sustentabilidade no País. Além de permitir um acompanhamento próximo das tendências na ocupação das terras no País, o CAR vem possibilitando desvendar o papel decisivo da agropecuária na preservação ambiental.

    “Com os dados que temos a partir do CAR, foi possível observar que, na prática, ninguém e nenhuma instituição ou categoria profissional preserva mais a vegetação nativa do que os agricultores”, afirma Miranda.
    Todo esse trabalho de regularização e acompanhamento só foi possível graças ao Código Florestal de 2012, uma lei que, para surpresa de quem acompanha de perto os seus benefícios, vem sendo ao longo desses anos duramente criticada, como se representasse um retrocesso na luta pela preservação ambiental.

    PSOL E PGR – Não bastassem as opiniões críticas, a Procuradoria-Geral da República e o PSOL ajuizaram perante o Supremo Tribunal Federal (STF) ações questionando a constitucionalidade de boa parte do Código Florestal de 2012. Na verdade, esses processos são uma tentativa extemporânea de reabrir uma discussão já decidida pelo Congresso Nacional, que, após intenso debate e estudo, estabeleceu o necessário marco jurídico ambiental, com uma equilibrada solução entre produção rural e sustentabilidade.
    Cabe ao STF não fechar os olhos à realidade e, com presteza, reconhecer a constitucionalidade do Código Florestal de 2012, que, de forma tão eloquente, contribui para a preservação e a recuperação do meio ambiente.

    Como indicam os dados da Embrapa, nem a lei nem o produtor rural são os vilões nessa história. Não é justo, portanto, seguir tratando-os dessa forma.”

    -Agora é muito cômodo para esses ATIVISTAS se manifestarem contra o desmatamento durante o dia e, à noite, irem para algum restaurante se fartarem com carne de gado criado em área desmatada, acompanhada com arroz plantado em área desmatada…
    Deveriam ser, pelo menos, coerentes com o que pregam!

    Quanto ao TEMER, os senhores acham que ele tem ALGUM COMPROMISSO COM O FUTURO DO BRASIL? Ora, ele está mais interessado é no próprio futuro político. Se para isso ele precisar assinar a venda do país para alguma governo ou ONG estrangeira, certamente ele o fará!

    -Os Estados Unidos, com o PIB de 7,95 trilhões USD (2015) preferiram optar pelos emprego e pela qualidade de vida.
    -Agora, nós aqui, “riquíssimos” (com PIB de 1,77 trilhões USD -2015 e devendo praticamente o mesmo valor), “nadando em dinheiro”, optamos pelo desemprego e por enterrar e manter a nossa riqueza e desenvolvimento da próxima geração apenas em sonho.

    Abraços.

    • Caro Francisco Vieira, permita, assino teu artigo, sou Conselheiro do Pq Nacional da Serra dos Órgãos, que abrange 4 Municipios, a duras penas, temos conseguido, manter, o que resta, e até alguma melhora. Forte abraço, Théo

  4. Temer, protege seus iguais. pt saudações.
    Que Deus nos ajude, os 3 poderes estão podres, haja oleo de peroba!!, hipocrisia nesse governicho é farta.

  5. Quanto a emissão de gases que provocam o efeito estufa, já estamos no caminho certo, desindustrializando o país em passo de marcha forçada.
    Só temos que aceitar a extração de nossos minérios vejam Carajás.
    Mas, a iniciativa privada, toma cuidado do meio ambiente, melhor do que empresa estatal é só lembrar os acontecimentos recentes no vale do Rio Doce.
    Outro ponto, é o argumento “neo liberal” de que temos que deixar para quem sabe fazer, ao invés de incentivarmos nossas industrias a diversificar seus produtos.
    Com isso, a industria naval e off shore, foi toda enviada para China, Malasia, Coreia do Sul entre outros.
    Ouvi na Globo News, um cidadão dizendo que não mantemos prazo, o que é verdade, mas, em vez de desindustrializar o país, porque não estudar porque estes atrasos acontecem e o que fazer para suprimilos?
    Caixas com equipamentos, ficam até seis meses parados esperando inspeções órgãos públicos para aí então ir para a obra. Cascos chegam do exterior e ficam esperando meses pela liberação sanitária.
    É um verdadeiro descalabro e posso garantir que não somos tão incompetentes assim e sim existem outros interesses em travar nossas industrias.
    O mesmo acontece agora com a parte agro pecuária, quando entregarem nossas terras para os estrangeiros, com eles montando ferrovias das fazendas direto para os portos, e com isso multiplicando os ganhos, aí sim vamos dizer que fizemos o certo. E a nação brasileira que se dane.
    Por isso tudo, eu dou a “cara a tapa” e digo que sinto saudades do regime militar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *