Festival de ilusões

Carlos Chagas

Nem só de turismo, ou de sua tragédia, vive a capital federal. Ontem, no Senado, pela falta de quorum, poucos ouviram o senador Roberto Requião denunciar que por conta do modelo econômico neoliberal, o país perdeu a capacidade de investir. Apesar da ilusão de que vivemos um momento feliz na economia, o risco é de logo cairmos no precipício. 

Os bancos lucraram 160 bilhões. O governo dedica 200 bilhões para pagar juros. O resultado é que essas quantias, somadas, superam a renda obtida pelo total de nossas exportações, mesmo com o preço favorável do minério de ferro, do petróleo, da soja e de outros produtos. O Banco Central tornou-se responsável por essa distorção, dependente que é dos interesses do sistema financeiro. Se de um lado as políticas sociais estimulam o consumo, de outro ficamos reféns dos importadores de nossos produtos primários, que logo poderão reduzir seus preços. Tudo porque falta ao Brasil uma política industrial.                                                                 

Requião elogiou o aumento do imposto de importação de automóveis estrangeiros, mas criticou o que chamou de lucro fantástico das montadoras sediadas em nosso território, a maior parte remetida para fora, sem limitações. O pré-sal ainda não existe e breve ficaremos pendurados no pincel, sem escada. Para ele, confunde-se a rama com a floresta.

A saída, para o senador pelo Paraná, reside na imediata queda dos juros, razão da farra dos bancos. Não dá para continuar remunerando assim o sistema financeiro, ficando o país sem recursos para investimentos concretos. 

***                                                          
MÂNTEGA OU MANTEGA?

Requião ainda encontrou tempo para uma tirada de humor. Explicou que ao se referir ao ministro da Fazenda sempre o chama de “Mantêga” e não de “Mântega”. Foi buscar na Itália as raízes do sobrenome, concluindo que lá se pronuncia a inflexão correta, por ele utilizada.      

***
O BEI DE TUNIS

Eça de Queirós, quando sem assunto para suas crônicas diárias, escrevia contendentes artigos contra o Bei de Tunis, a quem acusava das piores maldades para com seu povo. Sem nunca ter pisado na Tunísia ou sequer saber se o Bei ainda governava aquele país, o genial escritor deliciava-se com o personagem.                                                        

Certos cronistas, sem a verve ou o brilho do velho Eça, sempre que carentes de um tema para seus escritos, costumam bater firmeem José Sarney.  Comtodos os defeitos inerentes à sua prolongada exposição na política nacional, nem por isso o presidente do Congresso merece essa perseguição. É preciso notar que o país é devedor de Sarney, na medida em que, sem ele, a democracia não teria sido consolidada. Coube-lhe engolir sapos gigantescos e demonstrar tolerância infinita, caso contrário o regime teria desandado no nascedouro e a ditadura, voltado. 

***
SURPRESAS EM NOVA YORK

Viajando hoje à noite para Nova York, a presidente Dilma só estará de volta a Brasília na sexta-feira. Um dia antes terá discursado pela abertura dos trabalhos da Assembléia Geral das Nações Unidas. Seu pronunciamento ainda não está completado, apesar das sugestões que o Itamaraty preparou. Pelo que se ouve, não poupará os países ricos pela crise econômica mundial. Estão previstos encontros da presidente com os principais líderes mundiais, quando suas observações serão explicitadas. Obama que se cuide.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *