FHC derruba Serra, consolida Aécio e garante a reeleição de Dilma

Pedro do Coutto

Foi sem dúvida o fato político da semana, uma bomba que explodiu em José Serra a entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao The Economist, de Londres, objeto de reportagem de quase página inteira de Uirá Machado, Folha de São Paulo de terça-feira 24. A foto que acompanha o texto é de Francisco Cepeda.

A FSP foi o jornal que deu mais destaque à matéria, aliás plenamente compatível com sua importância. Pois em termos de sucessão presidencial, o ex-presidente da República derrubou José Serra, consolidou Aécio Neves no PSDB, portanto na oposição, mas assegurou antecipadamente a reeleição de Dilma Rousseff que, de acordo com o Datafolha, segue em vôo de cruzeiro para as urnas de 2014.

Vamos ver qual será a reação de Serra, estou escrevendo este artigo na tarde de terça-feira. Mas seja qual for, a definição de Fernando Henrique dividiu os tucanos, enfraquecendo acentuadamente a legenda. E não dividiu apenas por manifestar uma preferência, o que seria normal. Mas carregou nas tintas. Afirmou que Serra levou o partido a cometer erros enormes no pleito de 2010. Culpou Serra pelo isolamento político que terminou envolvendo sua candidatura, na medida em que bloqueou aproximações essenciais à feitura de alianças.

Para usar uma expressão de Nelson Rodrigues, cujo centenário de morte ocorre este ano, FHC transformou o ex-governador paulista num vilão de cinema mudo. A presidente Dilma Rousseff deve estar agradecendo o apoio que recebeu três anos antes da hora de o povo votar.

Fernando Henrique Cardoso agiu com lógica ao afastar Geraldo Alckmim do plano de cogitações. Claro. Ele vai disputar a reeleição estadual em 2014. Antes há pela frente o confronto pela prefeitura da cidade de SP. FHC pode ter forçado, também como reflexo, um novo apelo a Serra para que dispute a Prefeitura. Ele recusou há poucos dias pensando em nova tentativa presidencial. Porém tal hipótese, já remota, tornou-se ainda mais distante com as declarações do líder tucano de maior expressão.

Além disso, partidos divididos não vencem eleições majoritárias. Mas antes que leitores mais antigos citem a vitória de Juscelino Kubitscheck em 55, assinalo que toda regra tem exceção. E JK era um candidato fantástico na campanha, inteligência brilhante, simpatia total e contagiante. Em matéria de conquistar o eleitorado, ninguém como ele. Como eu disse, era uma exceção. Pela legenda do PSD de tempos idos, em aliança com o PTB, superou quatro cisões regionais.

Homologado pela convenção nacional partidária, reagiram a ele as seções do Rio Grande do Sula (Ildo Menegheti, governador), Santa Catarina (Nereu Ramos, que terminou transmitindo a presidência da República e sendo seu ministro da Justiça), Paraná (Moisés Lupion, governador que apoiou Ademar de Barros) e Cordeiro de Farias (Pernambuco, governador que apoiou Juarez Távora).

Além do mais, a base popular encontrava-se dividida. Ademar de Barros teve 20% dos votos. Ele, Juscelino, 33%, Juarez Távora, candidato do presidente Café Filho, 26, Plínio Salgado 10%. Os nulos e brancos somaram 11%. Além disso, Jânio Quadros, governador de São Paulo, exigiu de Café Filho os ministérios da Fazenda e dos Transportes para dar seu apoio a Juarez. E também a presidência do Banco do Brasil.

Café Filho demitiu Eugênio Gudin e nomeou José Maria Whitaker para a Fazenda. Nos Transportes, substituiu o cel. Rodrigo Otávio por Marcondes Ferraz. Para o BB, indicou Leopoldo Figueiredo.

Juscelino venceu disparado em Minas. Em São Paulo, Jânio conseguiu reduzir substancialmente a vantagem que Ademar livraria sobre JK. Juarez Távora foi o segundo no Estado.

Bom. São fatos passados, pertencem à história e à memória.Estou citando para dar ideia plena do que ajudou a compensar a divisão. Agora, para 2014, não deve ocorrer nada capaz de compensar a divisão do PSDB. O vôo dos tucanos não dá para levá-los à Brasília.

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