Figuras histórias da política nacional se despedem do Senado

Andre Shalders
Correio Braziliense

Eduardo Suplicy (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS), José Sarney (PMDB-AP) e Casildo Maldaner (PMDB-SC) estão entre os senadores com mais de 10 anos de Casa que não renovaram os mandatos para 2015. Alguns por vontade própria, como Sarney, Maldaner e outros 10 parlamentares que preferiram não disputar as eleições deste ano. Outros cinco — entre eles, Simon e Suplicy — não foram reeleitos.

Assim, passado o primeiro turno das eleições, vários desses personagens têm ocupado a tribuna do Senado nos momentos de pouca atividade e baixo quórum para se despedirem da instituição e da vida pública. Alguns chegaram a se emocionar, como Suplicy, que soma mais de 20 anos na Casa. Afinal, o Senado, como definiu o antropólogo, educador e ex-senador Darcy Ribeiro (1922-1997), “(…) é melhor do que o céu, pois nem é preciso morrer para estar nele”.

Simon escolheu a segunda semana após o primeiro turno das eleições para dizer adeus. Era uma quarta-feira, 15 de outubro, na qual se comemorava o Dia do Professor, e o plenário estava praticamente vazio. No microfone, se revezavam os senadores Casildo Maldaner, Cristovam Buarque (PDT-DF) e Ana Amélia (PP-RS), que perdeu a disputa pelo governo gaúcho. Derrotado por José Serra (PSDB-SP) dias antes, Suplicy presidia a sessão.

DESPEDIDAS

“Como para Vossa Excelência, senador, também para mim não vai ser fácil mudar os 30 anos, os 32 anos de convivência nesta Casa”, disse-lhe Simon ao tomar a palavra. Juntos, os dois somam mais de 60 anos de Senado.

“Já antes da eleição, eu tinha me despedido, comunicando aos meus irmãos que, aos 84 anos — completando 85 exatamente em 31 de janeiro, quando encerro meus 32 anos de Senador —, acho que a missão nesta Casa estava cumprida”, lembrou Simon.

CONSELHO A LULA

Após fazer uma retrospectiva da vida política do país no último quarto de século, Simon mandou uma sugestão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Enxugue o seu partido. Faça do seu partido uma grande legenda”.

“Eu achava que o MDB era o melhor partido do mundo, que as pessoas eram as melhores que conheci. Quando chegamos ao governo, percebi que o MDB estava cheio de gente tão ruim ou pior do que as outras. O PT também. Você, Lula, deve estar vendo isso agora”, disse Simon.

9 thoughts on “Figuras histórias da política nacional se despedem do Senado

  1. Um dos poucos, nas últimas décadas, que sai sem mancha por corrupção.
    Jamais ouvimos algo contra sua pessoa e as coisas públicas por onde passou
    Como executivo estadual, muito pouco fez. Como deputado, discursos e acomodações.
    No senado, seu grande projeto dormiu durante anos nas gavetas sendo transformado na Lei do Registro Único de Identidade Civil, de número 9.454 (07/04/1997), que até hoje ainda teve regulamentação e, recentemente, teve a apresentação de alterações.
    Pela história na política, pelo tempo que manteve mandatos e, principalmente, pelos tres mandatos no sendo, produziu muito pouco.
    Alguns escorregões, principalmente nas de aliados e apoiados nas campanhas.
    É uma das últimas figuras que viveu quase todos os períodos da república.

  2. Shalders, desses senadores que lamentas a saida só Maldaner merece respeito. Simon, Sarney e Suplicy enganaram muita gente. Simon que era um líder emergente do PTB em 1964, foi o único que não foi preso, torturado e nem asilado. Passou todo o período ditatorial sem ser incomodado pelos militares. Pergunta ingênua: Qual o mistério? Suplicy só em ter sido da juventude udenista(a UDN era o partido golpista que junto com maus militares deu o golpe em 1964 tirando do governo o presidente reformista João Belchior Marques Goulart e jogando o Brasil em 21 anos de bárbara ditadura) . Suplicy foi um dos jovens que apoiou o golpe. Sarney, udenista que apoiou a ditadura em todo seu período, com a morte de Tancredo de quem era vice assumiu o governo COMO USURPADOR. Sim como usurpador. Vice não é cargo, é espectativa de cargo que só se efetiva se o TITULAR TOMAR POSSE. Tancredo não tomou posse; quem deveria assumir era Ulisses presidente da Câmara que convocaria novas eleições em 60 dias. O “espleldoroso general” general Leônidas Pires Gonçalves, entrou de porta a dentro e com uma Constituição na mão e um parecer jurídico escrito por Afonso Arinos no bolso, deu um grito dizendo que Sarney era o presidente e o empossou. Todos que lá estavam inclusive o inefável Simon (que tem 85 anos eu 83 e o conheço bem), que não “tossiu e nem mugiu”, cagando de medo aceitou o que Leônidas dissera. Simon, oportunista, sempre viveu na sombra de outro políticos; nunca liderou nada. Foi assim com Ulisses, Teotónio, Sarney, Tancredo, Itamar e outros. Além de tudo azarado, trabalhista, Getúlio suicidou-se, Goulart foi deposto, Brizola também gramou 15 anos de exílio, Jango morreu exilado. Sempre viveu de intrigas distorcendo a verdade.(Deu uma entrevista a Geneton dizendo que Jango teria conversado com ele e chorado, grossa mentira, ele ainda não chegara a Brasília era deputado estadual no Rio Grande do Sul. Ademais Jango sempre foi um homem de coragem). Depois disse na entrevista que estivera com Jango na casa do general Ladário no Rio Grande do Sul qundo Jango já golpeado viera de Brasília. Mentira grossa, um militar que fora assessor militar de Brizola no exílio disse-nos quem esteve na reunião; Simon lá não estava. Simon frouxo como ele só, estava possivelmente em baixo de alguma cama. Quem definiu bem Simon foi Fernando Henrique ao dizer: SIMON É O CUPIM QUE ROI A HONRA ALHEIA. Mostrando que é azarado, nessas eleições o único derrotado foi ele. Meteu na cabeça da Marina que devia aliar-se a Eduardo Campo, logo veio um desastre e Eduardo morreu. Marina vai para disputa perde para Aécio o segundo turno. Simon apoia Aécio ele perde. Induz Cristovam e Taques a apoiarem Aécio eles quebram a cara. Disputa o senado no RGS e perde vergonhosamente. Em determinado momento diz na tribuna do senado: Eu tenho culpa de não ter durante 24 anos aqui, procurado acabar com os “atos secretos”. Vejam 24 anos sabendo das bandalheiras dentro do senado e não disse nada. Francamente é um pilantra.

    • Aquino
      Assino embaixo e agradeço teu texto. Agradeço pois gostaria de ter escrito tudo o que escreveste, sem tirar nada. Em alguns momentos canso de ter de repetir coisas. É da vida repetir mas muitas vezes…
      Um abraço e saúde.

  3. Conheço uma do Pedro Simon lá pelo ano de 1979. No fim daquele ano, um íntimo familiar seu foi agarrado em flagrante APÓS SAIR DA HOJE EXTINTA loja ALEXANDER’S, famosa loja de departamento que ficava na Av. Lexington 731, N.York, ao lado do Bloomingdales, com um casaco sem pagar. A pessoa foi presa, fichada na PRECINCT de lado e de frente, se comunicou com o Simon pedindo socorro, ele saiu a implorar à turma do ditador J.B. Figueiredo uma solução. Foi atendido e o embaixador do J.Carter na ONU, o negro da Georgia posteriormente governador lá, Andrew Young saiu a mexer seus pauzinhos com o prefeito então da cidade chamado ED KOCH e a pessoa delinquente saiu NUMA BOA. A DITADURA FICOU DEVENDO ESSA PARTICULAR AO DEPARTAMENTO DE ESTADO E O PEDRO SIMON AO DITADOR FIGUEIREDO QUE QUEBROU SEU GALHO PARTICULAR.

  4. Mas aí foi seu canto do cisne. O L.C.Mendonça de Barros pisou demais na bola. Acabou com a Bolsa de Valores do Rio, a corretora do filho abusou demais nas doações-privatizações e, no Senado, o Simon ajudou bastante o FHC durante um bom período. Anos depois, quando tentou fazer o mesmo com o Sarney na presidência do Senado, levou uma fubecada do Collor que ameaçou contar detalhes obscuros seus no período collorido. Então, murchou e pôs o galho dentro.

  5. Antonio Fallavena, obrigado,você é um gentlemam. Deves lembrar que a mídia trombeteou dizendo que o general Figueiredo não passara o governo Sarney porque não gostava dele. Errado: Figueiredo não passou-lhe o governo porque sabia estar a Constituição sendo violada. Um dia que não está longe todas essas “coisas” virão à tona. Um perquizador atento, responsável possivelmente escreverá um livro para que a sociedade, principalmente os mais jovens, saibam o que aconteceu naqueles trágicos tempos em que vivemos. Bárbaros tempos em que viviamos “no fio de uma navalha” sem saber o que fazer para sobreviver, não expondo familiares, amigos e companheiros a prisão, tortura e morte. Assim mesmo fui preso só sendo solto em 1968. Mesmo tendo feito pouca coisa, o que me tocou fazer eu fiz, e fiz bem. Não me arrependo de nada, vivo tranquilo e em paz com minha consciência de cidadão.

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