Filhos de Bolsonaro lideram o movimento para fazer o presidente demitir o general Eduardo Ramos

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Gustavo Uribe, Danielle Brant e Daniel Carvalho
Folha

As críticas públicas feitas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, são amparadas pelos filhos de Jair Bolsonaro e fazem parte de estratégia do núcleo ideológico para convencer o presidente a trocar o responsável pela articulação política do governo.

A pressão, que ocorre nos bastidores desde agosto e até agora vinha sendo refutada pelo presidente, tornou-se pública nesta sexta-feira (23), após Salles ter citado nominalmente Ramos nas redes sociais e pedido ao militar para parar com uma postura de “maria fofoca”.

NOTA NO GLOBO – O estopim para a crise foi uma nota no jornal O Globo que afirmava que o ministro estava esticando a corda com a ala militar do governo em decorrência do episódio envolvendo a falta de recursos no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) —Salles disse que, sem dinheiro, brigadistas interromperiam atividades de combate a incêndios e queimadas.

A decisão de Salles de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, busca tentar acelerar o desgaste de Ramos para que seja possível convencer Bolsonaro a incluir o general na minirreforma ministerial programada para fevereiro.

A ideia é repetir a fritura realizada no ano passado com o general Carlos dos Santos Cruz, que também comandava a Secretaria de Governo e foi criticado pelo núcleo ideológico por sua postura moderada. Bolsonaro foi influenciado a substituí-lo no posto.

CARLUXO À FRENTE – O grupo que defende a substituição de Ramos conta com o respaldo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Para reforçar o apoio a Salles, o filho 03 do presidente postou mensagem desejando “força” ao ministro. “O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho”, escreveu.

A troca de Ramos também tem respaldo do secretário da Pesca, Jorge Seif, e do escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família presidencial.

JOGO DE CINTURA – No processo de fritura, congressistas da base ideológica dizem que falta a Ramos jogo de cintura por ele ser militar. Eles também reclamam que o ministro da articulação política os trata bem, mas, em questões práticas, como a liberação de dinheiro das emendas parlamentares, prioriza os pleitos do centrão.

Até o momento, Bolsonaro não deu sinais de que pretende sacar Ramos do cargo. O general conta com a confiança do presidente e é creditada a ele a articulação que selou a aliança do governo com o bloco do centrão. O militar ganhou recentemente um forte aliado: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Nesta sexta, Bolsonaro fez acenos aos dois ministros. Chegou com Ramos em seu carro à Base Aérea de Brasília, na manhã desta sexta (23), para a cerimônia de apresentação do Gripen, caça da FAB (Força Aérea Brasileira), que fez seu voo inaugural.

Salles estava na plateia, junto com outros auxiliares presidenciais. Em determinado momento, os dois ministros ficaram próximos a Bolsonaro, que deu um abraço em Salles. Ramos apenas observou.

MOURÃO NÃO SE METE – O vice-presidente Hamilton Mourão foi questionado por repórteres nesta sexta sobre as divergências entre os ministros. “Isso não passa por mim, os ministros são do presidente e eu não me meto nessa guerra”, afirmou.

Caso Bolsonaro seja convencido a fazer uma mudança até fevereiro, assessores presidenciais apontam que o nome favorito para desempenhar a função é o do ministro das Comunicações, Fábio Faria. Em conversas com aliados, porém, Faria tem dito que não pretende assumir o posto e diz que apoia a manutenção de Ramos.

Nos bastidores, Faria já desempenha informalmente o papel de articulador, fazendo a ponte entre Executivo e Legislativo.

SEM MUDANÇAS – No Congresso, a avaliação de líderes partidários é de que uma troca não traria grandes mudanças na articulação política. Faria também tem boa relação com Maia e conta com até mais respaldo que Ramos junto ao centrão, bloco do qual o PSD, partido ao qual é filiado, faz parte.

Faria, deputado federal licenciado, teria amparo de lideranças do centrão e poderia atuar como uma espécie de porta-voz do bloco dentro do Executivo.

Apesar disso, o nome de Ramos ainda é forte entre os congressistas. Líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) usou uma rede social para manifestar apoio ao general.

A DISPUTA CONTINUA – A disputa entre militares e ideológicos era frequente no início da atual gestão, mas passou por um arrefecimento neste ano, após o presidente ter fortalecido a cúpula fardada, entregando a ela todos os cargos ministeriais do Palácio do Planalto.

As críticas enfrentadas por Ramos no início do ano, sobretudo de líderes partidários, restabeleceu o embate, que perdeu força novamente após o acordo com o centrão. Agora, com a iminência de uma troca de cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o conflito foi retomado.

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 NOTA DA REDAÇÃOTer um governo comandado pelos três filhos do presidente da República é uma espécie de overdose política. Ninguém pode suportar uma maluquice dessas. (C.N.)

13 thoughts on “Filhos de Bolsonaro lideram o movimento para fazer o presidente demitir o general Eduardo Ramos

  1. Oba, novo barraco a vista. Assim o tempo passa mais rápido. O Ratinho está perdendo a chance de apresentar semanalmente um barraco naquele estilo encenado para revelar o pai do quadro DNA! Seria sucesso garantido.

  2. Eu trabalhei (aqui no Sul) numa Empresa de grande porte, com matriz no Rio de Janeiro.
    Veio um Diretor na Matriz, para nos liderar. Ele era um recém separado e começou a namorar uma das nossas Secretárias. Loguinho, esta Secretária virou uma Vice – Diretora “informal”. Era uma confusão só.
    O final disto não foi bom nem para ele (que foi assassinado) , e nem para a Empresa, que faliu.

  3. Brasileiros, por favor, não declarem guerra a ninguém. Não é só de canhões que precisamos para uma luta armada – precisamos de generais que sejam altivos e preparados para enfrentar o inimigo, que tenham fibra para dizer não quando o mandão tornar-se um líder tresloucado. Precisamos de homens de bem e bem preparados. E não foi o que vimos: O espetáculo de fraqueza recente do min Pazuello foi de ressuscitar espantalhos. O mandão da vez, o presidente, o fez de menino de recado. Depois de humilhado reconheceu a sua medíocre pequenez: “uai, manda quem pode e obedece quem tem cabeça”. É uma grande verdade se a cabeça quem obedece é vazia!

  4. Pergunto: Qual a utilidade pessoal e política ao Brasil dos filhos de Bolsonaro zero zero?
    Resposta:nenhuma.
    Todos,inclusive o pai,fizeram da vida política,meta de enriquecimento financeiro.O método das “rachadinhas” que o digam.
    PS-Tem como meta maior um verdadeiro projeto de nação? Nada disso.O projeto é de poder pessoal/familiar.Apenas isso.
    PS2-Eduardo Bolsonaro,está com 36 anos (completados em 10 de julho passado).
    36 é o terceiro ciclo de 12 anos (36=3×12) na ciência numerológica.Por um ano,terá mega provações generalizadas.Quem viver verá!

    • Se a utilidade pessoal e política dos filhos de Bolsonaro 00 fosse apenas nula, seria menos mal. O problema é que ela é extremamente prejudicial ao país, ainda mais se considerarmos a influência que sobre eles tem o inqualificável Olavo de Carvalho. A soma desses quatro sobre um presidente que já não é lá essas coisas formou uma meleca destruidora…

  5. Não contente em fazer Moro jogar fora 22 anos de magistratura com sua mentirada, vai pouco a pouco ferrando e desmerecendo generais, talvez até íntegros, impolutos.
    O maldito joga com a vida de todo mundo.

  6. As FFAA estão divididas em 2 alas:

    a) ala nacionalista
    b) ala entreguista

    A ala entreguista é essa que está com o Bozo atualmente no poder (general de pijama Heleno, general Mourão, Luis Ramos,…)

    Na ala nacionalista, preservarei alguns nomes para não dar ao gado bolsonarete a chance de querer chama-los de “comunistas”

    Mais adiante essas alas dentro das FFAA irão se confrontar. Provavelmente muitos irão cair. Coisas muito sinistras esperam mais à frente…

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