Finalmente, instalaram a CPI da Petrobras

Depois de quase 60 dias de duvidas, incertezas, tumultos, medos ostensivos ou sigilosos, de jogadas limpas ou não, hoje, 14 de julho, se encerra a guerra pelo não funcionamento da CPI. E começa a batalha para que ela não decida coisa alguma.

A partir das 2 horas da tarde, quando a “base” ameaçava não instalar a CPI, a oposição ameaçou não votar mais nada, a começar pela LDO, a “base” (leia-se, Renan Calheiros) se intimidou e marchou para a sala já preparada para funcionar a CPI. Nenhuma restrição: quem deveria presidir a sessão inicial seria o SEGUNDO suplente Paulo Duque, por ser o mais idoso.

Como muitos senadores pediam a palavra pela ordem, um dos súditos de Renan, com a palavra, começou a gritar: “Respeitem Paulo Duque, ele é um homem consagrado no Rio de Janeiro”. Ha! Ha! Ha!

Vou colaborar com os senadores que disseram “não conhecer Paulo Duque”. Em 1946, cobri a Constituinte de 1946 palra a revista “O Cruzeiro”. Conheci então o senhor Paulo Duque, que ia todo dia ao Palácio Tiradentes carregando a mala do senador Artur Bernardes Filho. Como isso ocorreu há 63 anos, não chega a ser surpreendente que não o conheçam.

Às 4:15, o engraçado (o plenário não deixou de rir o tempo todo) Paulo Duque anunciou a votação: 8 votos para o suplente João Pedro e 3 para o várias vezes eleito Alvaro Dias. Exatamente às 4:20, João Pedro tomava posse na CPI.

Agradecia imediatamente “aos companheiros do PT e aos do PMDB, a preferência que deram ao meu nome”. Ha! Ha! Ha! O suplente do senador do Amazonas foi eleito, perdão, escolhido pelo presidente Lula, seu grande amigo de longos anos. Tão amigo que o presidente Lula pediu ao senhor Alfredo nascimento que indicasse João Pedro para seu suplente.

Nascimento foi Ministro dos transportes no primeiro mandato. Em 31 de março de 2006, o Ministro foi ao Planalto se despedir do presidente, estava se desencompatibilizando para disputar o Senado. Lula aproveitou a oportunidade e falou, recomendando: “Coloca como teu suplente o João Pedro, excelente figura”. Nascimento garantiu João Pedro como suplente e saiu do Planalto satisfeitíssimo.

Motivo? O mais óbvio possível: se fosse senador, voltaria a ser Ministro dos Transportes. Foi eleito e “adivinhou” inteiramente: foi chamado outra vez para Ministro.

No dia 1º de janeiro de 2007, Alfredo Nascimento tomava posse duas vezes no mesmo dia. No Senado (e se licenciava), e no Ministério dos Transportes. Assim, o agora presidente da CPI (“agradeço aos companheiros”, Ha! Ha! Ha!) está como suplente há 2 anos, 7 meses e 14 dias. Como senador suplente. Não é um recorde, mas é uma constatação-satisfação.

E João Pedro é suplente tão importante que está mantendo como Ministro o próprio senador efetivo. Qual a explicação? O Ministro-senador está brigando furiosamente com o também ministro Carlos Minc. É evidente que o presidente não irá demitir o ministro que voltará ao Senado, desempregando o amigo do presidente.

O plano de Alfredo nascimento é deixar o ministério em 31 de março, pois é candidato a governador do Amazonas. Não deve ganhar de Amazonino Mendes, mas se ganhar, João Pedro ficará com os outros 4 anos no Senado. Aí, sim, constatação-satisfação e recorde.

* * *

PS- Assim que assumiu, João Pedro “agradeceu” e declarou: “Esta CPI voltará a se reunir no dia 6 de agosto”. Por que VOLTARÁ se não houve nenhuma sessão?

PS2- Pelos mais variados motivos, o clima do Senado é de hostilidade visível e flagrante. Não é de admirar. Com as acusações terríveis e diárias sobre os senadores e a criação de uma CPI tida COMO A MAIS IMPORTANTE de todas e entregue a um suplente sem votos, se urna, sem povo, queriam o quê?

PS3- De alto a baixo, da primeira à última linha, é tudo rigorosamente exclusivo.

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