Folha de São Paulo lidera entre os jornais e nos acessos pela Internet

Pedro do Coutto

Em reportagem não assinada na edição de sexta-feira 12, a Folha de São Paulo, com base no Instituto especializado Omniture, revelou ter liderado amplamente em matéria de acesos a seu site na Internet, atingindo 19,4 milhões de visitas no mês de julho. Foi o melhor resultado que obteve desde a criação do portal em 1995. Superou o de março deste ano que alcançou 18,7 milhões de visitantes. À primeira vista, os números poderiam induzir a que se pensasse que o crescimento eletrônico corresponderia a um declínio do jornal impresso.

Nada disso. No primeiro semestre de 2011, de acordo com insuspeita matéria publicada pelo seu principal concorrente, O Estado de São Paulo, texto assinado pela repórter Marili Ribeiro, a FSP teve sua circulação aumentada em 5% em relação a igual período do ano passado. Totalizou, em números redondos, a média de 305 mil exemplares por dia. Quer dizer: a evolução deu-se por igual nas telas dos computadores, de um lado, e nas bancas e assinaturas, de outro. Convergência nítida que destrói argumento certa vez colocada pelo publicitário Nizan Guanaes, de que sempre um novo instrumento destrói o anterior. Essa não.
Tal fenômeno jamais ocorreu ao longo da história.

A galáxia de Gutemberg, em torno de 1450, não destruiu o livro. Pelo contrário. Os jornais transformaram-se em principal meio da divulgação da literatura. Quatrocentos anos depois, mais ou menos, o rádio não destruiu os jornais. Há 160 anos, surgiu a fotografia. Cinquenta anos depois o cinema. As imagens em movimento não destruíram a fotografia estática. Em 1934, apareceu a televisão. Não destruiu o cinema. Ao contrário: tornou os filmes muito mais assistidos no mundo. Não se pode comparar o público dos cinemas com as multidões em suas casas diante da televisão. A única arte que focaliza o comportamento humano – como dizia o jornalista José Lino Grunewald – , o cinema ganhou uma nova dimensão coletiva.

As 5 tecnologias avançam, o que fica para trás na estrada do tempo se eterniza. O cinema e a fotografia, os traços de Niemeyer, projetados em espaços sem limites ou molduras, por exemplo, não superam Michelangelo, Da Vinci, nem Rafael, Botticelli, Picasso ou Salvador Dali. Convivem com as criações destes todos na história. O Cristo crucificado, de Dali, tela vertical, a partir de sua cabeça, é a maior iluminação de uma tela de todos os tempos. Está em Veneza, mostra permanente em casa de arte que leva seu nome, à margem do grande canal.

Os jornais também convivem com os navegantes da Internet. Não são mais as caravelas de Sagres com Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Colombo, Cabral que cortam os espaços pelas águas revoltas. Agora, pelas ondas elétricas, são as teclas mágicas da informática. Mas a memória universal não esquece o que veio antes.

Como os hábitos de hoje não esquecem os jornais de papel e tinta. Tanto assim, recorro à Folha de São Paulo de 28 de julho de 2010, que de 2009 para o ano passado, a circulação dos 94 principais jornais do país cresceu 2%. Ao ano, a população aumenta 1,2%. E no primeiro semestre deste ano, o crescimento foi de 5% relativamente ao igual período de 2010. Circulam diariamente 4,4 milhões de exemplares. Considerando só aqueles 94 títulos. Em todo o Brasil existem mais de 900 jornais.

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