Folha de São Paulo não errou ao publicar pesquisa que causou polêmica

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com.br)

Pedro do Coutto

Analisando pesquisas políticas há mais de 50 anos, desde os tempos do Correio da Manhã e também do Jornal do Brasil, francamente acho que a Folha de São Paulo não errou em publicar a versão da pesquisa do Datafolha que causou forte polêmica, ao ponto de sua decisão ter sido criticada pela própria ombudsman do jornal, Paula Cesarino Costa, na edição de domingo. Motivou também protestos de leitores, além de um comentário de Pieter Zalis na Revista Veja que está nas bancas.

O motivo da crítica foi o conteúdo de uma pergunta incluída no levantamento do Datafolha em torno da hipótese de em caso de renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer, se os entrevistados seriam favoráveis à convocação de novas eleições diretas, ainda este ano, para presidência da República. 62% disseram que sim e 30% que não. O problema é que tal resposta teve seu resultado divulgado na edição on line e não no jornal impresso da FSP.

Alguns leitores, cujos nomes Paula Cesarino Costa cita, interpretaram a diferença de texto como uma forma da Folha de São Paulo fortalecer a permanência de Michel |Temer na presidência da República. Não concordo.

RESULTADO LÓGICO – A resposta de 50% a favor da permanência de Temer contra 32% pelo retorno de Dilma Rousseff ao Planalto constitui um resultado bastante lógico, baseado nos fatos que se sucedem. Isso não quer dizer que a Folha estivesse tentando influir no desfecho do processo de impeachment. Não se trata disso. Trata-se de refletir nos números uma realidade política na base da opção colocada diante da opinião pública.

Paula Cesarino acentua o que em sua opinião contradiz o jornal, ao lembrar que na edição de 3 de abril a Folha de São Paulo defendeu tanto a renúncia de Dilma quanto a de Temer e a convocação de nova eleição para a presidência da República. A meu ver, uma coisa é defender determinado desfecho, outra é publicar uma opção popular em torno de alternativas existentes.

Se fosse para fortalecer Temer, a Folha opinaria diretamente na defesa do impeachment definitivo e da investidura final do presidente em exercício. Poder-se-á dizer que a pergunta, de número 14 divulgada na edição online, não está correta, pois nesta altura da ópera uma renúncia dupla é absolutamente impossível.

CABIMENTO – O que a pergunta poderia ter colocado era se o eleitor ou eleitora seriam favoráveis a novas eleições diretas ainda em 2016, se o Tribunal Superior Eleitoral anulasse o pleito de 2014 sob o argumento objeto de recurso do PSDB, aceitasse as razões e definisse como inválida a utilização de recursos provenientes da corrupção na Petrobrás na campanha eleitoral que se realizou tanto no primeiro, quanto no segundo turno, em 2014.

Aí sim a resposta favorável à convocação de eleições diretas teria pleno cabimento. Digo mais, seria uma consequência do que determina a Constituição Federal, de forma expressa, no caso de que se realizasse  novas eleições ainda este ano. Se a anulação ocorresse – ou ocorrer – em 2017 a própria Constituição determina, em tal hipótese, eleições indiretas pelo Congresso Nacional.

Uma outra pergunta de número 11, feita pelo Datafolha, indaga se o processo de impeachment está seguindo as regras democráticas e a Constituição. Neste ponto pode-se fazer uma crítica: a resposta mais simples optaria pelo sim já que a matéria exige uma percepção mais aguda da realidade legal do país. Ainda assim 49% responderam afirmativamente e 37% negativamente. A parcela de 14%, como era de esperar não soube responder.

HÁ ANALOGIA – Porém, observa-se a presença de uma analogia entre as respostas as perguntas 13 e 11. A pergunta 13 apontou que 50% são favoráveis a continuação de Temer e 32% à volta de Dilma Rousseff. Comparando-se os números, descobre-se que o que existe entre as respostas 11 e 13  é uma manifestação de vontade. Pois enquanto 50% desejam que Michel temer fique no governo até 2018, 49% acham que o processo de impeachment está seguindo as regras constitucionais. A coincidência dos números desvenda a cortina da vontade que o primeiro desfecho se realize.

As pesquisas políticas e eleitorais trazem consigo sempre a necessidade de uma análise objetiva e serena, já que em muitos casos seus números podem revelar o desejo que algo aconteça com as possibilidades mais fortes do que vai acontecer.

A Folha de São Paulo não errou em publicar a pesquisa. Não tentou influir na formação do governo. O que influi na formação do governo é o panorama da realidade nacional. Alguém tem dúvida que a maioria prefere Michel Temer a Dilma Rousseff? Não existe. O que não quer dizer que o governo Michel Temer seja bom ou seus resultados tenham se mostrado positivos. Mas como nas urnas a opinião pública não pode votar em quem deseja de fato, mas em quem deseja dentro de alternativas que lhe são oferecidas. Assim como os cardápios dos restaurantes.

10 thoughts on “Folha de São Paulo não errou ao publicar pesquisa que causou polêmica

  1. Não gosto do Instituto Datafolha, pois, não considero confiável, mas concordo plenamente com sua análise Sr. Pedro do Coutto. Guarda inteira fidedignidade com a realidade dos fatos.

  2. Caro Pedro: artigo esclarecedor, gostei, pois é verdade: ASSIM COMO OS CARDÁPIOS DOS RESTAURANTES, as coligações caem nessa frase, O falecido Eneás, elegeu , se a memória não me falha, mais 09 dep.fed. o ultimo com 90 votos, razão da esbornia de partidos, que mamam nosso dinheiro, Dª Dilma dobrou a benesse DE 400 milhões, PARA MAIS DE 800; sem o retorno de um congresso límpido e atuante em favor do cidadão -eleitor, um verdadeiro palhaço idiota, que rala pelo pão de cada dia, e os eleitos, vão gozar de altos salários e mordomias, não contando o roubo das maracutaias, conforme a LAVA-JATO está mostrando.
    A votação do impedimento NA CÂMARA nos mostrou isso, não teve uma voz que disse-se: VOTO EM FAVOR DA DIGNIDADE NACIONAL E DA FAMÍLIA BRASILEIRA, MOSTRANDO A REALIDADE DE UM CONGRESSO PODRE.
    SE NÃO MUDAR O SISTEMA ELEITORAL, O BRASIL NÃO TEM JEITO, CONTINUARÁ COM UMA NATUREZA RICA E SEU POVO NA MISÉRIA E POBREZA, COMO ESCRAVOS, ENTREGANDO
    06 MESES DE SEU SALÁRIO EM IMPOSTOS PARA SEREM ROUBADOS, A SITUAÇÃO NÃO NOS DEIXA MENTIR.
    87 ANOS, NUNCA VI TANTA PODRIDÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NOS 3 PODERES.
    QUE DEUS NOS AJUDE, MAS FAÇAMOS NOSSA PARTE DE CIDADANIA, NO MOMENTO NÃO REELEGER, E NÃO ELEGER OS FALSOS REPRESENTANTES COM MANDATO, É PRECISO.
    NÃO ESQUECER QUE AS URNAS ELETRÔNICAS SÃO FRAUDADAS, CONFORME BRIZOLA PROVOU, MAS A CORJA, A MANTÊM, PARA SE DAREM BEM, E CHAMAM A TUDO ISSO DE DEMOCRACIA, NÃO É A DE SÓCRATES: GOVERNO DO POVO PARA O POVO, EU CHAMO DEMOCRADURA, CASAMENTO DA DEMOCRACIA COM A DITADURA.
    MAIS UMA VEZ, QUE DEUS NOS AJUDE.

  3. O BUNKER DOS FRIAS x IMPRENSA MUNDIAL !!!
    ——

    Nem Dilma, nem Temer: maioria da população quer eleição antecipada, aponta nova pesquisa
    Mariana Schreiber Da BBC Brasil em Brasília
    Há 3 horas
    A maioria da população brasileira acredita que a convocação de nova eleição presidencial é “o melhor para o país” – ou seja, não quer nem a presidente afastada Dilma Rousseff nem o presidente interino Michel Temer no comando do governo federal.
    Segundo pesquisa da consultoria Ipsos, à qual a BBC Brasil teve acesso em primeira mão, 52% dos entrevistados apoiam a convocação de um pleito antecipado para outubro, quando já ocorrem as eleições para prefeitos e vereadores em todo o país.
    O percentual de 52% que prefere essa saída para a crise é a soma de dois grupos: 38% que dizem que o melhor seria Temer ser mantido no cargo e convocar a nova disputa eleitoral, mais os 14% que preferem que Dilma volte ao Palácio do Planalto e seja ela a dar prosseguimento a nova eleição.
    A Constituição brasileira estabelece que a próxima eleição para o cargo mais importante do país deve ocorrer apenas em 2018 – a antecipação das eleições, na verdade, só pode ocorrer com aprovação de ampla maioria do Congresso (três quintos dos parlamentares) ou se os cargos de Temer e Dilma ficarem vagos ao mesmo tempo ainda neste ano, por exemplo em caso de renúncia simultânea. Politicamente, é difícil que a medida seja aprovada.
    Já outros 20% responderam que o melhor seria que a petista retornasse ao cargo de presidente e concluísse os quatro anos de mandato, enquanto 16% disseram preferir que seu vice fosse definitivamente empossado no comando do país. Doze por cento não souberam ou não quiseram responder.
    A expectativa é de que a decisão final do Senado sobre se Dilma volta ou não à Presidência da República saia no final de agosto. Caso ela seja condenada por crime de responsabilidade devido a supostas irregularidades na gestão das contas públicas, cenário mais provável hoje, Temer deve presidir o país até 2018.
    A pesquisa, realizada entre os dias 1 e 12 de julho, ouviu 1.200 pessoas presencialmente, em 72 cidades do país. Sua margem de erro é de três pontos percentuais.
    “Isso (o apoio à eleição antecipada) ocorre porque a opinião pública queria a saída de Dilma Rousseff, mas não necessariamente a entrada de Michel Temer”, nota Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs e responsável pela pesquisa.
    Segundo ele, o levantamento de maio, antes do afastamento de Dilma, já apontava que a maior preocupação do brasileiro com a troca de presidente era permanecer tudo como está. “E é esta a percepção da opinião pública no momento”, afirma.
    Polêmica
    Nos últimos dias, uma pesquisa sobre esses mesmo tema, realizada pelo instituto Datafolha, empresa do jornal Folha de S.Paulo, gerou forte controvérsia e acusações de “fraude jornalística” ao grupo.
    O jornal publicou no dia 16 de julho que, ao serem questionados sobre “o que é melhor para o país”, 50% dos entrevistados disseram preferir que Temer continue presidente, enquanto 34% responderam querer a volta de Dilma. Segundo a reportagem, apenas 3% apoiaram a realização de novas eleições.
    O dado chamou atenção pois indicava uma queda brusca em relação a resultados anteriores do instituto, que apontavam apoio da maioria da população ao pleito antecipado.
    No entanto, revelou-se, ao longo da semana, que na verdade a pergunta feita pelo Datafolha não questionava genericamente o que seria melhor para o Brasil, mas indicava apenas duas opções: “Na sua opinião, o que seria melhor para o país: que Dilma voltasse à Presidência ou que Michel Temer continuasse no mandato até 2018?”, perguntou o instituto.
    O dado dos 3% apoiando a realização de novas eleições veio do percentual de respostas espontâneas – ou seja, mesmo sem serem estimulados sobre essa possibilidade na pergunta, parte dos entrevistados disse que preferia o pleito antecipado.
    Além disso, foi descoberto também que a pesquisa fez uma outra pergunta diretamente sobre apoio a eleições antecipadas e 62% responderam querer que Dilma e Temer renunciem para que o novo pleito possa ser realizado. No entanto, a Folha não noticiou essa informação inicialmente.

  4. Também é verdade que ainda existem milhares de armas de destruição em massa no iraque, que osama não morreu, que coxinhas não são trouxas e que temer não é golpista. Alguém tá ganhando dindin do titio sam.

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