Folha e LCA Consultoria revelam a razo da fora popular de Lula

Pedro do Coutto

A fora de Sanso na passagem bblica, clssico do cinema, direo de Cecil B. De Mille, estava nos cabelos. A fora de Vargas, na passagem da semiescravido para o Direito do Trabalho. A do ex-presidente Lula, nos resultados da poltica de emprego e salrio, especialmente em comparao com a colocada em prtica por seu antecessor, Fernando Henrique.

Para tudo, h uma explicao lgica, sustentava o jornalista e ensasta Jos Lino Grunewald, meu amigo at sua morte no ano de 2000. Pouco antes da passagem simultnea do sculo e do milnio. Convergncia igual s daqui a 989 anos, quando a humanidade passar do segundo para o terceiro milnio da era crist. Mas esta outra questo.

Falei, no ttulo desta matria, na popularidade de Lus Incio. Carisma? Simpatia? Naturalidade? Plena comunicao com a galera? Tudo isso, certamente. Porm expresses calcadas em cima de uma realidade social concreta. Em sua edio de quinta-feira 23, a Folha de So Paulo publicou excelente reportagem de Pedro Soares a respeito de pesquisa da LCA Consultoria passada ao jornalista por um de seus executivos, Fbio Romo. Seus dados so fundamentais.

FHC passou o governo a Lula, em 2003, com um ndice de desemprego da ordem de 12,3%. Como a fora de trabalho brasileira de 100 milhes de pessoas, metade da populao, havia na poca pelo menos 12 milhes de desempregados. Lula o entregou presidente Dilma no patamar de 6,4%. Ela o tem conservado no mesmo plano. Em matria de salrio mdio nacional, em valores corrigidos, ou seja, computada a inflao, Fernando Henrique deixou em 1.323 reais. Lula passou o basto a Dilma com 1.567 reais. Um acrscimo efetivo de 15%, considerando-se a inflao destes ltimos oito anos de 56%, de acordo com o IBGE. Houve, portanto, um avano social considervel.

Esta a principal e verdadeira razo do xito de Lula e que explica sua capacidade demonstrada de transferir votos. Ningum alcana uma projeo desse porte sem embasamento concreto. Vargas decretou a CLT que limitou a jornada de trabalho, criou a folga semanal em 1943. A estabilidade, que foi superada no tempo, foi em 1932. Nas eleies de 50, os trabalhadores deveriam votar em quem? No brigadeiro Eduardo Gomes ou em Getlio Vargas? H um episdio interessante sobre essa dvida.

Redao do Correio da Manh, campanha poltica. O proprietrio do jornal, Paulo Bitencourt achava que Eduardo Gomes ia vencer o pleito. O lendrio redator-chefe, Costa Rego, ex-senador por Alagoas, sustentava que no. Paulo Bitencourt disse:Faz uma pesquisa nas oficinas e voc vai ver. A pesquisa foi feita. Em 70 grficos, revisores e pessoal das rotativas, o brigadeiro teve um nico e solitrio voto. Paulo Bitencourt no disse mais nada e foi para casa.

H outros exemplos. Juscelino ficou na histria no somente em funo da simpatia pessoal e do entusiasmo que despertava. Mas sobretudo pelas realizaes concretas que promoveu. O ciclo do desenvolvimento. A industrializao. A criao de Furnas, grande motor de progresso . A expanso da Petrobrs. A abertura de rodovias. A indstria automobilstica. A modernizao do pas, culminando com os anos dourados.

O marketing o transporte, atravs da imprensa, do que foi construdo. No substitui as realizaes por iluses. Marketing sozinho, nada resolve. Embroma, mas no sensibiliza. O adjetivo no ocupa o lugar do substantivo. No se pode falar bem daquilo que no existe. Os leitores sabem sentir a verdade. E se identificar no voto.

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