Força-tarefa da Lava Jato denuncia tentativa de interferência da Procuradoria-Geral

TRIBUNA DA INTERNET | Lava Jato não corre risco de fracassar, como ...

Charge do Bonifácio (Arquivo Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná acionaram a Corregedoria do Ministério Público Federal após uma divergência com a Procuradoria Geral da República sobre o compartilhamento do banco de dados da operação.

O caso envolve uma visita, nas últimas quarta (24) e quinta-feira (25), feita pela subprocuradora-geral da República Lindora Maria Araújo ao grupo do Paraná. A subprocuradora Lindora Araújo é a coordenadora do grupo da operação no âmbito da Procuradoria Geral da República, nomeada para o posto pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

INFORMAÇÕES SIGILOSASO encontro provocou desentendimento a respeito da transferência de informações sigilosas. O pedido de providências à corregedoria, dizem os procuradores, foi feito “como medida de cautela” e “para prevenir responsabilidades”.

Segundo o relato dos procuradores, a chefe da Lava Jato na PGR buscou acesso a procedimentos e bases de dados da força-tarefa “sem prestar informações” sobre a existência de um processo formal no qual o pedido se baseava ou o objetivo pretendido.

Outra demanda seria para que fosse liberado um sistema utilizado pelos colegas do Paraná que grava ligações telefônicas.

“INFORMAÇÕES GLOBAIS”Em nota, a Procuradoria Geral da República informou que a visita “não buscou compartilhamento informal de dados”, mas a obtenção de “informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa, para solucionar eventuais passivos”. De acordo com a PGR, a visita foi agendada previamente, um mês antes, com o coordenador da força-tarefa de Curitiba.

“Os assuntos da visita de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos. A PGR estranha a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa”, diz o texto da nota (leia a íntegra ao final desta reportagem).

O documento, obtido pela TV Globo, afirma que Lindora Araújo informou que a corregedora-geral do MPF, Elizeta Ramos, só não estava presente por uma questão de saúde e ressaltou que não buscava transferência de dados sigilosos.

FINS DE INTELIGÊNCIAIntegrantes da equipe da PGR, no entanto, teriam defendido o entendimento de que material obtido mesmo por decisão judicial, pode ser compartilhado com outros integrantes do Ministério Público para fins de inteligência.

 O coordenador da força-tarefa no Paraná, Deltan Dallagnol, afirmou que era preciso adotar cautelas formais para a transferência, a fim de evitar questionamentos e arguição de nulidades sobre informações e provas.

 Com o impasse, “diante do caráter inusitado das solicitações, sem formalização dos pedidos e diligências”, os procuradores do Paraná realizaram reunião virtual na noite do dia 24 para discutir os desdobramentos do caso.

CORREGEDORA DESMENTEA força-tarefa decidiu fazer uma consulta à Corregedoria sobre o objetivo da requisição.

“Na ocasião, a excelentíssima Corregedora-Geral [Elizeta Ramos] informou que não há qualquer procedimento ou ato no âmbito da Corregedoria que embase o pedido de acesso da subprocuradora-geral aos procedimentos ou bases da força-tarefa. Informou ainda que eventual embasamento para o pedido de acesso deveria ser indagado à subprocuradora-geral”.

QUEBRA DE CONFIANÇA A movimentação do grupo irritou Lindora Araújo, que encerrou a visita e, segundo o documento, afirmou que isso representaria supostamente uma quebra de confiança e que não havia mais como ela seguir na diligência que realizaria.

“Em razão da existência de informações vinculadas a investigações e a processos sigilosos nos procedimentos e nas bases de dados, entre os quais informações sobre operações a serem deflagradas, dados sujeitos à cláusula de reserva jurisdicional obtidos a partir de decisões judiciais para instruir apurações específicas, além de provas obtidas por meio de cooperação jurídica internacional sujeitas ao princípio da especialidade, com restrições e condicionantes de uso, é importante resguardar o procedimento de acesso das cautelas constitucionais e legais devidas, motivo pelo qual não se vedou o acesso, mas se pediu a adequada formalização, até mesmo para a prevenção de responsabilidades”, disse a força-tarefa.

GRAVAÇÕES TELEFÔNICAS – O documento afirma ainda que a PGR teria demonstrado especial interesse em um sistema comprado pela Procuradoria da República do Paraná em 2015, para gravação de ligações telefônicas nos ramais utilizados por aquele grupo de trabalho.

 A força-tarefa argumentou que essa prática é adotada por outras unidades do MPF e que foi seguida para dar segurança e proteção da integridade física e moral do grupo diante de ameaças. Eles citam que alguns servidores não pediram que o sistema fosse desligado até hoje e que o mesmo ocorreu em relação ao ex-procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que pediu a gravação de seu terminal e também, quando de sua aposentadoria, não pediu o encerramento da gravação.

“A gravação desses terminais pode ter seguido ocorrendo ou porque esqueceram de pedir que fosse encerrada ou porque não foram corretamente informados sobre a necessidade de solicitar o encerramento”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, as ordens de Bolsonaro para ser informado sobre as investigações em andamento, em nítidas interferências que antes não existem . Quando se abre um buraco na cerca para passar um boi, acaba passando uma boiada, como dizia Leonel Brizola. (C.N.)

7 thoughts on “Força-tarefa da Lava Jato denuncia tentativa de interferência da Procuradoria-Geral

  1. Lava Jato, ou seria Lava Lento? Já tiveram todo o tempo necessário. Já tiveram todos os recursos necessários. Qto mais tempo e recursos querem? O PT já está queimado, sua missão foi cumprida.

    • Ronaldo, a lava-jato tem trabalho para muitos anos! O PT e outros foi apenas o começo. É preciso uma varredura nos últimos 20 anos e continuar atenta para os próximos. Fiscalização não deve parar nunca!
      Fallavena

  2. É preciso ler nas entrelinhas. O “palavrório” de ambos os lados, deixa claro, para quem quer e consegue entender, que estão tentado “meter o dedo podre” no trabalho.
    O roteiro, precisa ser montado passo a passo. E mais: não pode ter lado, mas apenas a busca da verdade! VERDADE é o que precisa ser buscado e alcançado. Quem será investigado, julgado, condenado e preso, não importa. O slogam “Brasil acima de tudo” tem de valer para todos! Depois virá o resto.
    A PF epo MP não podem “baixar as costas” para ninguém!
    Fallavena

  3. Querem ajudar Luiz Inácio a ofender o Moro que será nosso presidente, e até aqui conta com o mais importante: o reconhecimento e agradecimento do povo brasileiro por ter prendido o maior ladrão do Brasil.
    O restante da quadrilha foi de lambuja.
    Perdem tempo e gastam dinheiro público para tirarem o queridíssimo juiz de verdade Moro que segue adiante bravamente sem olhar para seus detratores vagabundos .

  4. Leão da Montanha
    Nosso grande problema são as casas legislativas – congresso nacional.
    Confundem política (busca do bem comum e não deles próprios, com politicagem!
    Ministério Público, Policia federal e Procuradoria geral da República são instrumentos de garantia da sociedade e não de governixos! No caso da PGR, se fosse do governo deveria ser “procuradoria geral do governo) – PGG”.
    Temos de lutar por mudanças a parir do legislativo, da reforma dpollítica e partidária e do sistema de governo. Se isto não ocorrer, TODAS AS DEMAIS REFORMAS serão feitas “meia-boca”!
    Fallavena

  5. Não se discute mais as causa e efeitos da nossa falência política, social e moral e a necessidade urgente das reformas política, administrativa, legislativa, judiciária e até dos banheiros do Alvorada, mas o que eu gostaria de frisar mais uma vez, correndo o risco de tornar-me cansativo e ser bloqueado ou cansar-me e ir cuidar da minha vida, é que nenhuma dessas reformas acontecerão, a não ser as dos banheiros, e se acontecerem, será para angariar novos benefícios para ELES e NUNCA para o povo e os pagadores de impostos, sendo assim, é melhor deixar quieto. Agora, se realmente queremos mudanças, vamos começar o prédio pelos alicerces, vamos pugnar por uma campanha em pró de uma nova constituição, elaborada por uma assembléia constituinte formada por representantes da sociedade, após a definição plebiscitária da forma de estado e governo. Não é impossível, lembrem das Diretas Já.

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