Força-tarefa vai cruzar ações de Youssef e Dirceu no exterior

Força-tarefa agora aperta o cerco a Dirceu e ao PT

Deu em O Tempo

O doleiro Alberto Youssef atuava em países da América Latina e da África, entre eles Cuba, Uruguai e Angola – regiões onde o ex-ministro José Dirceu prestava consultoria internacional para empreiteiras do cartel investigado pela operação Lava Jato. É o que mostra a lista de cerca de 750 contratos apreendida em seu escritório, em São Paulo, em abril de 2014.

Investigadores da Lava Jato cruzam agora os negócios de Youssef nesses países da América Latina e África com os serviços de consultoria prestados pela empresa JD Assessoria, do ex-ministro José Dirceu, que passou a ser investigada no fim do ano passado por suspeita de ter prestado falsas consultorias para ocultar o pagamento de propina.

A JD trabalhou para empresas do cartel que atuava na Petrobras em países onde Youssef também buscou negócios. Cuba é um deles. A função de Dirceu seria “abrir portas”. A JD foi contratada pela Engevix Engenharia, uma das investigadas pela Lava Jato, para abertura de negócios em Cuba e no Peru.

PORTO DE MARIEL

Em Cuba, a lista de Youssef registra negócio nas obras do Porto de Mariel com a Olex Odebrecht Logística e Exportações, braço administrativo no exterior da Construtora Norberto Odebrecht, responsável pela obra e alvo das investigações da Lava Jato por cartel e corrupção. O valor do contrato negociado pelo doleiro, segundo o registro, foi de R$ 3,6 milhões, referentes a cotação de tubos. O contrato data de 2010. A construtora nega irregularidades e diz não ter relação com Youssef.

Há ainda referências a negócios no Uruguai, Costa Rica, Argentina, Equador e Angola. A força-tarefa da Lava Jato considera a lista como o mapa dos negócios feitos por Youssef, entre 2009 e 2012, em nome da empresa de tubo Sanko Sider – alvo de ação penal –, por meio da qual o doleiro ocultava dinheiro de propina. A Sanko serviu para desvios nas obras da Refinaria Abreu e Lima, via empresas de fachada de Youssef.

O doleiro pode ter recebido, no total, R$ 11 bilhões em comissões. Na planilha, para cada projeto destacado há um cliente vinculado, geralmente uma grande construtora, e para cada cliente há um cliente final, quase sempre empresas públicas, como a Petrobras, e algumas empresas privadas.

O juiz federal Sérgio Moro considerou a lista prova de que os crimes do doleiro transcenderam a estatal petrolífera.

DIRCEU SE DEFENDE

José Dirceu informou, via sua assessoria de imprensa, que os serviços prestados em Cuba e outros países foram legais. Informou que fez cerca de 120 viagens ao exterior a trabalho, percorrendo cerca de 30 países.

“A relação comercial com as empresas não guarda qualquer relação com contratos na Petrobras sob investigação na Lava Jato”, diz a nota.

11 thoughts on “Força-tarefa vai cruzar ações de Youssef e Dirceu no exterior

  1. Deu na Veja de hoje, 23.3.2015

    O nome de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e um dos denunciados na operação Lava Jato da Polícia Federal, aparece novamente envolvido em outro caso de pagamento sem controle da petroleira. Segundo o jornal Valor Econômico, Costa teria dado 1 milhão de reais a cada uma das doze escolas de samba do carnaval do Rio de Janeiro em 2008 a pedido do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O repasse, contudo, foi feito sem passar pelo controle de gastos da estatal e ainda gerou prejuízo milionário aos cofres da empresa. As informações foram reveladas pelo ex-gerente de Comunicação da área de Abastecimento da Petrobras, Geovane de Morais, à Comissão de Apuração de desvios na Comunicação do Abastecimento, entre 2008 e 2009.
    Algumas denúncias sobre repasses não controlados de dinheiro feitos por Geovane em 2008 já saíram na mídia em 2014 em meio às apurações da Lava Jato, mas os detalhes sobre o patrocínio às escolas de samba a pedido de Lula só vieram à tona na reportagem desta segunda-feira. O jornal diz ter conseguido o depoimento na íntegra, com quatro horas de gravações, nas quais consta diversas vezes o nome do presidente Lula como a pessoa que determinou o patrocínio.
    Geovane conta que o ‘pedido’ de Lula sobre o dinheiro a ser doado às escolas foi feito menos de um mês antes do carnaval de 2008. A área técnica da Petrobras respondeu, contudo, que não havia tempo necessário para responder ao pedido, fazer as licitações e o acompanhamento dos gastos. O assunto foi levado à Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto que, por sua vez, ordenou o repasse – “o presidente quer porque quer”, contou Geovane.

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