Forças Armadas aceitaram, mas não gostaram nada da demissão do ministro Mandetta

Bolsonaro visita hospital de campanha em Goiás e causa nova ...

Sem máscara, Bolsonaro desrespeitou as regras diante do ministro

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro venceu pelo cansaço. Na semana passada, tinha sido avisado de que não deveria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que estava agindo da forma acertada, na visão das Forças Armadas e o Alto Comando do Exército inclusive mandou divulgar o levantamento do Centro de Estudos Estratégicos do Exército, um documento que concorda inteiramente com a política de isolamento que vinha sendo adotada pelo Ministério da Saúde.

Impedido de demitir o ministro, Bolsonaro resolveu fazer o possível e o impossível para levar Mandetta à exaustão e à exasperação. No sábado, o presidente postou nas redes sociais o vídeo de uma entrevista em que condena a política de isolamento, e no domingo deu o golpe fatal, ao mandar que o Planalto convidasse o ministro a ir a Águas Lindas no helicóptero presidencial, para inaugurar um hospital de campanha, junto com o governador goiano Ronaldo Caiado, amigo pessoal de Mandetta.

AGINDO COM MOLEQUE –  Em Águas Lindas, diante do ministro da Saúde, o presidente da República resolveu tripudiar sobre ele e passou a descumprir todas as regras estabelecidas para evitar contaminação. Agindo como um moleque, Bolsonaro literalmente arrancou a máscara da face e passou a confraternizar com eleitores, interagindo com eles, apertando mãos etc., formando seguidas aglomerações, para mostrar infantilmente que é ele quem manda no governo.

O ministro mordeu a isca e aceitou dar a entrevista ao Fantástico, que foi seu maior erro, embora não tivesse dito nada se novo. Bolsonaro então usou as palavras dele para tentar demiti-lo, mas mesmo assim não conseguiu, porque o vice-presidente Hamilton Mourão, que é uma espécie de porta-voz informal do Alto Comando, disse que Mandetta ultrapassara os limites, mas ainda não havia motivos para ser demitido.

WANDERSON SE DEMITE – Na quarta-feira, o inesperado fez uma surpresa, como diria o pianista Johnny Alf, e o secretário de Vigilância de Saúde, Wanderson de Oliveira, resolveu pedir demissão. Se o ministro Mandetta tivesse aceitado a saída do colaborador, nada teria acontecido, mas resolveu mantê-lo no cargo e promoveu uma entrevista coletiva de contestação a Bolsonaro que beirou a indisciplina, levando a crise ao ápice.

Mandetta se exauriu, não queria mais ficar e deu a entrevista à revista Veja nesta quinta-feira, dizendo que ficaria no cargo apenas até o presidente encontrar um substituto para o comando da pasta. Em tradução simultânea, o ministro se demitiu, honrosamente. Descartou a possibilidade de ficar por mais tempo na função, por estar cansado de tentar convencer o governo sobre a linha a ser adotada no combate ao coronavírus.

“São 60 dias nessa batalha. Isso cansa! (…) 60 dias tendo de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante”, desabafou.

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P.S.
1 Bolsonaro pensa (?) que venceu a guerra. Mas foi apenas uma batalha, do tipo vitória de Pirro. Conforme já afirmei aqui na TI, com absoluta exclusividade, os militares da ativa acham que Bolsonaro não os representa. Quanto aos militares da reserva, desculpem, mas esses não têm a menor importância na política brasileira. E la nave va, cada vez mais bolsonariamente.

P.S. 2 – Eu ia escrever hoje sobre o dispositivo que Paulo Guedes inseriu no projeto da “economia de guerra”, para beneficiar mais um negócio sujo dos banqueiros. Mas esse assunto – da maior importância – fica para a edição de sábado.(C.N.)

25 thoughts on “Forças Armadas aceitaram, mas não gostaram nada da demissão do ministro Mandetta

  1. 1º Mandetta na coletiva do dia 15/04 (quarta feira) com mais de 1h 20min de duração, o “ministro” disse num tom meio que debochado, que as cidades que tiveram carnaval, e não se recolheram e preferiram a “diversão”, iriam ter sérios problemas; ora ele como Ministro da Saúde com certeza recebeu orientação da “OMS”, que tanto o próprio disse seguir, pq o Ministro não veio em Cadeia Nacional via TV, alertar sobre a “pandemia”, ainda mais que aviões do Governo foram no dia 6 de fevereiro “resgatar” mais de 30 brasileiros em Whuan (China), que ficaram em “quarentena” em Anapolis GO e após 14 dias cada um seguiu para o seu Estado!!! 2º Pq, o Ministro Mandetta, desde domingo dia 12-04, com a entrevista no Fantástico (rede Globo), força de forma “branda” sua demissão, vale lembrar que os recursos milionários que o Ministério da Saúde “conseguiu” para Governadores e prefeitos, foram creditados justamente, quando ele força demissão, bom lembrar que as cifras maiores chegaram para o partido do ministro -DEM, assim como reclama um secretário de saúde, por ACM Neto prefeito de Salvador BA, ter recebido somente ele de uma vez só 48 milhões. 3. A essa altura Mandetta, forçar demissão, parece fulga!!! 4. …

  2. Pode ser que os militares da reserva pouco representem.
    Os que participaram de 64 e 68, sabem do que o Brasil se livrou.
    Uma laia de deputados e senadores, chefiados por um crápula, Rodrigo Maia , fraco de votos, buscando sempre interesse próprio, vôos na FAB, cada funcional, benesses vitalícias, etc, alguém acredita que este safado vise o interesse nacional?
    E mais, não há fissuras nas Forças Armadas.
    Há coesão porque há desprendimento, veracidade e autenticidade na luta pelos interesses nacionais.
    E os nossos comandantes nos ouvem.
    Se não acreditam, pesquisem.

  3. 1) Pensamento do dia:

    2) Não confunda TI = Tribuna da Internet com TPM = Tribuna do Presidente Messias.

    3) A primeira é ampla. abrangente, a segunda é mais específica, com todo o respeito e sem querer magoar ninguém.

    4) São dois projetos jornalísticos bem diferentes, que nem todos aceitam…

    5) Bom trabalho CN !

  4. Já assistiram ao vídeo do novo Ministro dando a entender que entre um jovem com toda uma vida pela frente e uma pessoa de mais idade quem, que o Estado terá o mesmo custo numa UTI, quem escolher?
    Deu para entender muito bem

  5. Deu pra entender também, me corrijam se estiver errado, que entre ele, Nelson Teich e um jovem, o estado deve dar um sonoro pontapé na – desculpe CN! – bunda do ministro.

  6. Bloguista comunista vc não entende nada de militarismo, como não entende nada de economia. Dentro de um quartel vive-se a lealdade ao extremo, bem diferente do meio que vc vive. Além disso, lembre-se que paraquedistas andam sempre no mesmo passo e voam em grupo para caçar.

  7. Paraquedistas todos nós no mesmo passo.
    Na reserva e na ativa.
    Repito:
    Não há fissuras nas Forças Armadas.
    Se esta cambada de deputados, à frente o crápula Maia, prosseguir na luta contra o governo, caminha- se para a intervenção militar.
    E a população apoia.
    Alguém duvida?

  8. Bom dia.

    Mandetta, quem é Mandetta?
    Insubstituível, ninguém é.

    Adoro a disciplina e hierarquia do exército. Queria ver uma ordem de meu chefe superior e eu chamá-lo de moleque inconsequente. Isso é falta de compostura e educação.
    No final, como todos, irão pagar por suas palavras, no paredão do FLA X FLU, a não ser que com a bondade de Jesus modifiquemos nossas arrogâncias de pé-de- chinelo.

    Alguém duvida, que o homem certo, na hora certa, estava e estará no lugar certo, ou alguém ainda duvida que o vírus é obra de Jesus? Ou pensam que a China que o criou, e que isso sendo verdade, o que não acredito, Jesus permitiu!!!

    Alguém pensou, que caso não viesse este vírus a terceira guerra mundial poderia acontecer?

    Talvez muitos achem tolice, prefiro ser tolo.

  9. Bom dia.

    Não costumo acordar cedo, pois durmo muito tarde, e resolvi com o coração do acordar e agradecer mais um dia, escrever…

    Nem isso é terra arrasada, ninguém parou para pensar, imaginemos agora chegando em nossas janelas escondidos e vermos escombros e sirenes.

    Devemos sim fazer de tudo para melhorarmos a economia, ainda mais com este Congresso que está tentando manipular o Presidente, e outros mamadores mais, infelizmente.

    O barco não pode ficar sem comando, estes incautos estavam com cara de papel muito branco, a própria CNN, fez todos seus repórteres rirem após a notícia da exoneração, que pensavam em Bolsonaro encurralado, como uma forma de terapia do riso para se levantar do baque.

    Torçamos e vibremos todos juntos para que o mundo saia dessa, e a Família, Segurança, Saúde, e Educação e Moradia sejam um dever do Estado, com condições melhores e muito dignas.

    Que a fome não impere na CHINA nem a DITADURA de esquerda, mas que este Congresso, Senado e STF ponham suas barbas de molho. É o meu desejo, e não possuo ASPONE, os chamo de outros nomes, mas basta ver as declarações de Mourão, porém não encontrarão no lixo da mídia amestrada.

  10. Entendo, que um dos motivos que levou Bolsonaro a demitir o Mandetta, foi movido pela vaidade, não admite no governo ninguém com mais popularidade do que ele. Alias, o Lula mais malandro preferia indicar um poste para presidente do que indicar algum político que pudesse vir a ter mais popularidade que ele e se tornar o representante da sua falsa “esquerda”.
    Para os fanáticos do mito, o Bolsonaro está certo e todo o mundo está errado
    Bolsonaro vem cruzando a linha da bola desde o início de seu governo. O que o presidente entende de medicina, infectologia e pandemia para estar indicando remédio para curar os doentes do coronavírus e defender o isolamento vertical, em que os idoso e doentes ficam em casa e o jovens e adultos saem às ruas para ir trabalhar, correndo o risco de se contaminarem, ainda que assintomáticos, são responsáveis por 2/3 da disseminação do covid-19 e ao voltar para casa contaminar toda a família?
    Está sobejamente comprovado que o coronavírus é 10 vezes mais letal que o h1n1 e de fácil contaminação em ambientes de aglomerações.
    Acredito que o Mandetta está feliz da vida em ser demitido, livrou-se das picuinhas do presidente, uma mala sem alça.

  11. Bom dia.

    Caro José Vidal.

    Para não ficar sem resposta, pois não foste deselegante, tampouco serei, prefiro, se me permitir, que diante de mil cabeças pensando sobre isso agora, você com sua magnanimidade me diga primeiro diante de uma pandemia qual seria a sua.

    Keynes, Adams Smith, e guerras foram a solução para muitas crises, acredito que deva perguntar ao povão. Eu não sou.

    Abraço.

    OBS: Não gosto de ping-pong aqui.
    Obrigado.

    • Caro DOUGLAS,
      já expus o que penso aqui na TI. Mas vou repetir.

      A decisão da flexibilização da abertura da economia, fora os serviços essenciais, deve caber aos governadores e prefeitos. E esses devem fazer isso, paulatinamente, tomando os cuidados necessários, baseados nas informações da ciência e na sua capacidade do sistema da saúde.

      Não pode haver radicalização entre a economia e a saúde. Se sabe que o ideal não existe. O que seria ideal? que se isolassem todos os contaminados, e se liberasse tudo, mas isso nenhum país conseguiu fazer. Então, qualquer coisa feita, sem que haja fundamentação, pode ter efeitos adversos muito danosos e até catastróficos.

      A responsabilidade dos governadores e prefeitos é muito grande na decisão entre a opção da economia e saúde. Já escrevi que essa opção deve levar em conta sempre a ciência. Como é que um prefeito vai abrir o comércio em geral no seu município, se nele há uma taxa de contaminação alta e a capacidade do seu sistema de saúde está no limite?

      E como abrir a economia em geral, sem que antes haja firmes indícios de que estamos numa curva suave de contaminações, com o nosso sistema de saúde em condições de atender a demanda?

      No Brasil, as realidades são diferentes, também nos estados. Por isso, os prefeitos devem arcar com as responsabilidades e devem ter, sobretudo, bom senso. Por exemplo, grandes aglomerações, por enquanto, devem ser evitadas.

      A economia é confiança. Sem a confiança do povo, ela continuará mal.

  12. Nesta guerra de egos quem sempre perde são os de sempre, nós, o povo, o contribuinte, o cidadão brasileiro que, indo ou não trabalhar precisa suportar estes tipos de comportamento. Estes egos inflamados, tão monstruosos que são capazes de esmagar estas pessoas. Mas o pior ainda está por vir, passada a pandemia vem a campanha eleitoral, outro tsunami que vamos ter que arrostar.

  13. Tomare , Mattia Pascal, que seja só isso. Para mim o freio de arrumação foi dado ontem. Quem quiser vamos às apostas.

    Numa aposta diante do perfil conservador na “bolsa” ou com perfil moderado ou arrojado, eu apostaria no arrojado, se tentarem fazer do Presidente um fantoche, o que nunca foi.

    Parem ou continuem a bel prazer com a divisão do exército, pois se houvesse já teriam calado a boca da Polícia Militar de São Paulo.

    Desculpem-me, hoje foi um dia após o governo certo ou errado, seguir a um só comando. Como disse Bolsonaro mais vale uma decisão errada ou a inércia de uma decisão, ainda em conflitos internos.

    Parece que hoje o comentaristas estão mais dispostos a ouvirem, é muito sábio por sinal. Vou escutar mais…

  14. Excelente artigo do Carlos Newton.

    Bolsonaro fritou Mandetta porque este não aceitou se curvar às insanidades presidenciais.

    O presidente não suporta ver alguém se destacando no exercício de um cargo ou missão. É um sujeito invejoso, arrogante, mesquinho, e talvez até portador de algum transtorno psicológico e/ou psiquátrico.

    Incapaz de reconhecer seus equívocos, de pedir desculpas, ou mesmo de aprender com quem sabe mais em uma determinada área técnica, Bolsonaro rasgou a fantasia e se desvelou como um personagem nocivo ao Brasil.

    Aliás, olhando com atenção, é até possível observar semelhanças entre Bolsonaro e Lula, o criminoso condenado até na terceira instância.

  15. O comentarista Fernando Albuquerque Lima tem razão, pois cidadãos de todas as camadas sociais, em elevado número, aceitam e vem manifestando o desejo de intervenção militar. Estão com o saco cheio dos deputados, senadores e seus comparsas. É o que tenho lido e ouvido de pessoas residentes em diversas regiões do Brasil.

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